Por Habacuque Villacorte – Rede Alese

Ainda durante a Audiência Pública “Escola Bilíngue: do Direito à Prática”, promovida pelo deputado estadual Iran Barbosa (PT) em parceria com o vereador de Aracaju, Lucas Aribé (PSB), o intérprete de libras da Assembleia Legislativa, Genivaldo Oliveira, pontuou que a forma de contratação via processo seletivo simplificado torna o trabalho desses profissionais “descontinuado” na rede pública de ensino, tendo em vista que o número de intérpretes é insuficiente.

“O papel do intérprete é de passar o conteúdo de uma língua para outra e, muitas vezes, ele é confundido com o professor de libras, que tem formação, que tem base de ensino para transmitir os conteúdos curriculares. O intérprete vai passar tudo aquilo que o professor está explicando”, pontuou Genivaldo.

Em seguida, ele falou das dificuldades encontradas pelos intérpretes para dar continuidade ao trabalho desenvolvido na rede pública de ensino. “A Secretaria faz a contratação desses profissionais via processo seletivo simplificado por um contrato de dois anos. Passado esse tempo, o intérprete tem que sair daquela escola e fica dois anos em casa sem poder participar da seleção. Isso torna o trabalho descontinuado”, explicou o intérprete de libras da Alese.

Por fim, Genivaldo disse que normalmente esse profissional já está adaptado à sala de aula e disse que o quantitativo de 64 intérpretes em Sergipe é bastante insuficiente para atender a demanda da rede pública de ensino. “Na sala de aula para acompanhar um aluno são necessários dois intérpretes. A demanda é grande para a quantidade de profissionais e talvez o concurso público fosse necessário”.

“Quando o intérprete termina seu contrato e tem que ficar dois anos esperando para participar de outra seleção, quem também perde é o aluno. Sem contar que algumas pessoas não conhecem realmente a linguagem de sinais. Imagine como fica o aluno que já tem a deficiência da língua?”, questionou.

Foto: Jadílson Simões