Por Habacuque Villacorte

A oitava audiência do Fórum Itinerante do Plano de Desenvolvimento Estadual Sustentável de Sergipe (PDES), no final da tarde dessa terça-feira (07), em Itabaianinha, no plenário da Câmara Municipal foi marcada também por uma ampla exposição técnica, feita por servidores da Assembleia Legislativa de Sergipe que desenvolveram o PDES em parceria com a Fundação Dom Cabral. Políticos de vários municípios da região Centro-Sul estiveram presentes para prestigiar a apresentação.

O coordenador do Plano de Desenvolvimento Estadual Sustentável, Marcelo Barberino, pontuou para os presentes que eles estavam sendo apresentados a um documento com um conteúdo robusto, apontando os problemas e as potencialidades de cada região do Estado, inclusive com sugestões para possíveis investimentos, garantindo geração de emprego e renda para suas respectivas comunidades. Marcelo destacou também a importância de se promover as audiências itinerantes.

Coordenador do PDES, Marcelo Barberino

“Isso aqui não poderia ficar apenas em um documento frio, sem grandes debates, sem uma discussão ampla. Pela sua relevância e importância para as futuras gerações do nosso Estado, a Alese, sob a presidência do deputado Luciano Bispo (MDB), decidiu promover esse Fórum Itinerante. Foram ouvidos cerca de 70 atores sociais, de diversos seguimentos, do setor público e privado. A pandemia atrapalhou um pouco, mas ainda assim ele avançou até se tornar uma realidade”, explica.

Em seguida, Barberino falou também do momento de desaceleração da economia que vivemos ainda sob os efeitos da pandemia do novo coronavírus (covid-19). “Temos muita burocracia e isso atrapalha e muito o desenvolvimento local.  Temos muitas oportunidades em Sergipe que podem ser potencializadas. O Índice de Gestão Municipal aferido em três áreas (fiscal, gestão e desempenho) botou uma média nacional de 3,72% e a maioria dos municípios de Sergipe ficou abaixo”.

“Ou seja, é um sinal que eles precisam melhorar em algumas áreas no sentido que a gente consiga atingir a evolução de desenvolvimento, potencializando as vocações. E a cerâmica, por exemplo, é uma delas! A indústria de transformação têxtil, como o Polo da Moda, aqui em Itabaianinha, e sua agricultura forte, voltada para a laranja. Há um novo conceito de transformação, de interação e é preciso atender as demandas de maneira mais rápida. E você inova as cadeias produtivas com transformação digital e governança colaborativa”, completou Barberino.

Fernando Carvalho

Outra exposição foi feita pelo assessor técnico e economista, Fernando Carvalho, que traçou para os políticos do Centro-Sul, presentes na apresentação, que o PDES revela que os gestores modernos precisam caminhar em sintonia com o setor produtivo, têm que ser profissionais e buscar um planejamento para a alocação de recursos dentro de um novo ambiente de negócios.

“Digamos que um cidadão chega em uma rodoviária e quer embarcar, mas não sabe onde! É o mesmo caso do gestor público que quer um passaporte para um destino, mas não conhece as vocações, as potencialidades de sua região. O Plano de Desenvolvimento Sustentável apresenta essas ferramentas para garantir geração de emprego e renda. Ele é um farol que aponta as perspectivas e mostra um diagnóstico preciso”, explica o economista e assessor técnico.

Assessor-técnico Fernando Carvalho

Fernando Carvalho coloca ainda que os municípios precisam se modernizar e discutir a questão da transformação digital. “A gente espera que Itabaianinha abrace isso! O município tem que ser inserido na modernidade, caso contrário ele ficará para trás com o passar do tempo. É como uma vitrine de loja: os dados precisam ser disponibilizados em uma plataforma web até para que os possíveis investidores tomem conhecimento, possam se sentir motivados”.

Fernando reforçou que estamos diante de uma transformação digital e que não existe crescimento da economia que não esteja atrelado ao desenvolvimento econômico. “O empresário precisa que o dinheiro circule para que ele venda! A maioria do municípios brasileiros sofrem com precatórios e restos a pagar. Não dá para o poder público ser a principal fonte de geração de emprego de uma cidade. Esse tempo passou! Nem é aceitável a falta de capacitação dos servidores”.

“É preciso buscar inovação e apostar na modernização da gestão pública. Caso contrário vamos continuar vendo a procissão de políticos indo a Brasília com o pires nas mãos em busca de emendas. Tem que conversar com o setor produtivo e acabar com esse preconceito que o público não pode se relacionar com o privado. Precisamos focar em cidades inteligentes e transformação digital. A UFS se colocou à disposição da Alese para ajudar e nós vamos buscar. São recursos do Ministério da Economia”, completou Fernando Carvalho.

Fotos: Joel Luiz