“Com a divulgação desse evento, uma ação da deputada estadual Goretti Reis, na última semana realizamos transplantes de córnea todos os dias. Isso prova que falar no assunto é necessário e preciso. Iniciativas como essa abrem portas e colaboram para amenizar o sofrimento de muitas pessoas.” Palavras do coordenador da Central de Transplantes de Sergipe, Benito Oliveira Fernandez, na manhã de hoje, 17, durante palestra proferida por ele na Assembleia Legislativa. O evento foi a Abertura da programação do “Setembro Verde”, mês de doação de órgãos” e de autoria da deputada estadual Goretti Reis (DEM), através do requerimento 801/2015.

Durante a palestra Benito lembrou que Sergipe foi pioneiro, na década de 80, em transplante de coração nas regiões Norte e Nordeste, e absurdamente não realiza mais esse procedimento. Outra informação é que Sergipe é um estado exportar de órgãos. “Em 2013 exportamos 14 rins, 7 fígados e 3 corações e esse ano já foram 6 rins, 4 fígados e 4 corações. Em 2012 foram 12 corações e 52 fígados. Números expressivos. Precisamos de apoio para que não apenas exportemos e sim realizemos os transplantes em Sergipe. Isso é positivo para todos os envolvidos em uma doação de órgãos.” Ressaltou o coordenador da Central.

“Doar não custa nada. E não se compra órgãos para doações”, explicou Benito, destacando a existência de cerca de 40 mil pessoas aguardando transplantes; 15 mil esperam por córneas e 12 mil pessoas morrerão na lista de espera. Para o coordenador da Central a situação chegou a esse patamar por falta de mais doadores. Por isso precisamos de parceria como essa para aumentar a divulgação, a conscientização e a importância da doação. “Órgãos não são fabricados, fabricar órgãos em laboratórios é um sonho distante”, comentou.

Benito explicou que a família tem o direito de determinar quais órgãos serão doados e que existe o temor de que o corpo fique desfigurado com a doação de órgãos, mas a lei assegura esse direito à família. “Na década de 80 realizamos transplantes renais, o que infelizmente não acontece hoje e os pacientes ficam praticamente ligados a uma máquina para purificar o sangue, com uma vida sem qualidade, cheia de restrições”, explicou Benito lembrando que a fila de doadores cresce e o número de doações diminui e que desde fevereiro de 2012 Sergipe não realiza mais transplantes de rins, apesar de existirem doadores. Disse ainda que em Arapiraca, interior de Alagoas, realiza transplantes renais.

O evento foi parabenizado pelos parlamentares que se colocaram à disposição em prol da causa. Para a coordenadora do curso de Enfermagem da UNIT, Maria Pureza Santos Rosa, que também representou a Associação Brasileira de Enfermagem Goretti sabe a importância de abordar encontros como esse. São muitas as dificuldades encontradas, que infelizmente impedem que Sergipe realize transplantes. Fomos pioneiros e hoje não realizamos, isso é muito triste”, ressaltou a coordenadora.

Para Goretti Reis é preciso fazer alguma coisa para reverter essa situação. “Sermos pioneiros e hoje esquecidos é inadmissível. Estamos aqui para buscarmos alternativas juntos aos governos e hospitais. É preciso sensibilizar a sociedade e fazer com que doar seja um hábito e não iniciativa isoladas para ajudar determinada pessoa. Nossa iniciativa como parlamentar tem o objetivo de divulgar as ações e dificuldades da Central de Transplantes de Órgãos de Sergipe e estimular os sergipanos a colaborar com a campanha que é nacional e busca despertar o interesse da população em salvar vidas e melhorar a qualidade de vida de quem recebe transplante”, disse Goretti Reis, que agradeceu a participação de Benito e de todos.

 

Fonte: Ascom Parlamentar Dep. Goretti Reis (Cristina Rochadell)

Foto: Ascom Parlamentar