Por Aldaci de Souza
Foto: Jadilson Simões

O Hip Hop como elemento de Cultura, Educação e Cidadania está sendo discutido na manhã desta sexta-feira, 18, no plenário da Assembleia Legislativa de Sergipe. A propositura é do deputado Iran Barbosa (PT) e entre os participantes, o rapper e apresentador, Anderson Clayton Passos, o Hot Black, que destacou a importância de alertar que o movimento vai além da música e da dança.

“Que o hip hop é uma expressão cultural, isso é nítido pela sua própria linguagem artística; a gente comanda os microfones, os pisos, as paredes, ressignificando e transformando os seus espaços. E é uma cultura muito presente nas periferias porque é uma alternativa ao silenciamento que o estado brasileiro provoca”, entende.

Reação

Hot Black enfatizou que a falta de políticas públicas, leva os integrantes do movimento hip hop a construir armas para reagir. “Nossas armas são os microfones, são sprays, os tênis, os bonboxes, os sons e a gente reage construindo uma linguagem de aproximação entre esses seres periférifos. É quando as comunidades se entrelaçam, se aquilombam para reagir”, alerta.

O rapper enfatizou que, quando o movimento reage na perspectiva de conceber o hip hop como política pública, implementa leis. “A lei 8.055 que estabeleceu a Semana Estadual do Hip Hop é a garantia de que nós tenhamos sem dúvida nenhuma, na agenda do estado de Sergipe, a inclusão no programa cultural e se ela não é cumprida, a gente vai ter números ainda maiores na questão do aprisionamento e da letalidade da juventude negra”, acredita.

Hot Black reivindicou uma maior sensibilização por parte do poder público. “A gente quer que o poder público crie diálogos com a juventude, sem se apropriar, mas ofertando políticas públicas já que recolhe impostos, precisa devolver e a gente está lidando com vidas que precisam ser respeitadas”, ressalta.

“Quando o movimento toma o coração de quem faz o hip hop, se começa a pensar sobre o lugar de fala e que território vai defender. Quando essa conversa se soma com mais outras, vemos que tem mais redes, mais coletivos, mais entidades, dialogando para construir uma camada de proteção nas periferias, com a liga do hip hop dando as mãos pra falar dos nossos heróis, das nossas aspirações, necessidades, dificuldades, sobretudo das nossas soluções. Construir um caminho com o poder público entre o pensar da política e o destinar dos recursos”, conclui.