A crise política vivenciada no país nos últimos tempos foi mais uma vez tema de debate no plenário da Assembleia Legislativa nesta quarta-feira, 9, a partir de pronunciamento do deputado Francisco Gualberto (PT). Para ele, não existe interesse no combate à corrupção, como propagam veículos de comunicação tipo a Rede Globo. “O que há é uma disputa de projeto. Não é combate à corrupção. É o desespero da elite e uma tentativa de golpe, por mero choro político de perdedor”, define.

Francisco Gualberto afirma que o combate à corrupção é necessário, mas desde que seja feito nas formas da lei, sem privilegiar uns e condenar antecipadamente outros. “As ações de (Sérgio) Moro não significam o combate à corrupção no Brasil. Existem políticos do PSDB e de outros partidos de oposição que já foram denunciados em delação premiada e sequer foram chamados para prestar depoimento. Ele protege os aliados do PSDB e condena aquele que ele quer tirar do poder”, analisa o deputado.

Um exemplo disso, segundo Gualberto, é a Operação Zelotes, da Polícia Federal, que investiga há um ano um dos maiores escândalos de sonegação fiscal no país. “Existe até envolvimento da Rede Globo e afiliadas, assim como de políticos do PSDB e DEM, mas ninguém vê uma manchete sobre isso nos telejornais”, critica Francisco Gualberto. “Não dá para enganar ninguém de bom senso. Por isso que ficamos indignados com essas coisas. O povo está sendo usado, principalmente pela Globo, para cair nessa arapuca”.

O deputado petista ficou indignado ao ver na televisão políticos como Agripino Maia (DEM/RN) e Aécio Neves (PSDB/MG), ambos denunciados por delatores da Lava Jato, convocando a população para sair às ruas em protesto contra a corrupção. “Uma pessoa que construiu um aeroporto num terreno do tio com dinheiro público, agora quer falar em combate à corrupção”, disse, em alusão a uma ação de Aécio quando era governador de Minas Gerais.

Em seu discurso, Gualberto mostrou as ligações do juiz federal Sérgio Moro com o PSDB do Paraná, citando inclusive uma informação que circula nas redes sociais na qual o pai do juiz seria o fundador do partido tucano na cidade de Maringá (PR). “O que vemos é que o mesmo delator no processo da Lava Jato, quando cita alguém do PT ou PMDB, a delação fica valendo. Mas quando cita alguém do PSDB, aí não vale. Me parece que ele é um caçador de corruptos de uma perna só, como um Saci, ou um caolho”, reclama o deputado.

Crise do capitalismo – Para Francisco Gualberto, o objetivo disso tudo é interromper o projeto iniciado por Lula no governo federal porque isso incomoda bastante a elite brasileira. “Não é somente a questão de tirar Dilma do poder”, disse. “O capital quer recuperar o espaço que tinha há 12 anos. Os ricos querem ficar cada vez mais ricos, enquanto que os pobres que sejam cada vez mais pobres”, analisou, citando a crise mundial do capitalismo que nos últimos anos atinge países como a China, Grécia, Espanha, Itália, dentre outros. “Não adiantará golpe na democracia brasileira. A luta de classes não morrerá com esse golpe. Mesmo que tenha, o que eu não acredito”.

 

Por Gilson Sousa – Ascom parlamentar deputado estadual Francisco Gualberto

Foto: Jorge Henrique