Na tarde desta quinta-feira, 10, as galerias da Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese) ficaram lotadas de estudantes, professores e pessoas de todas as idades que foram conhecer a história do sergipano Manoel Bomfim, um dos maiores sociólogos da América Latina, durante o Seminário e Exposição “Vida e Obra de Manoel Bolmfim”. O evento marcou a abertura da exposição educativa de mesmo nome, formada por 20 banners que contam um pouco da vida do sergipano que projetou Sergipe para nacional e internacionalmente. A iniciativa foi da presidente da Comissão de Educação, Cultura e Desporto da Alese, deputada estadual Ana Lúcia (PT).

Em sua palestra, a historiadora sergipana Terezinha Oliva traçou um profundo panorama da história de Manoel Bomfim, destacando o contexto histórico, econômico e social do tempo em que o intelectual sergipano viveu e produziu sua vasta obra. Ela remontou sua biografia desde o nascimento em Aracaju e a infância no Engenho da família, passando pelo estudo e abandono da medicina e pelo contato com a intelectualidade na então capital do país, o Rio de Janeiro, onde produziu a maior parte de suas obras, até a sua morte aos 62 anos.

Terezinha Oliva chamou a atenção para a intensa produção intelectual de Bomfim, à qual dedicou sua vida, até os últimos dias, ressaltando sua vastidão e profundidade. A facilidade em transitar e articular estudos nas mais variadas áreas de conhecimento é uma das características mais presentes na obra do sergipano, que escreveu sobre História do Brasil e da América Latina, Psicologia, Pedagogia, Sociologia, Medicina, Zoologia e Botânica, além de muitos livros didáticos.

Um dos aspectos mais marcantes na vida de Bomfim, destacou Oliva, foi seu discurso contrário às elites da época. Ela destacou que o intelectual sergipano combateu veementemente as teorias eugenistas, que justificavam o racismo na ciência e que eram fortemente defendidas em seu tempo, além de ter sido defensor dos valores republicanos, dademocracia e um forte crítico do capitalismo. “Manoel Bomfim produzia e fortalecia as camadas populares. O que ele pensava, não interessava a elite”, completou a deputada Ana Lúcia.

Terezinha destacou a atualidade de Manoel Bomfim, lembrando que o intelectual defendeu, no final do século XIX e no início do século XX, temas que permanecem atuais: Reforma agrária e urbana, política de habitação, educação das massas e a desmilitarização do Estado. “Mesmo Manoel Bomfim tendo vivido e pensado um Brasil do começo do século 20, há questões que o país ainda não conseguiu superar ainda, daí a sua atualidade. Em algumas questões Bomfim foi superado, mas em outras, ele ainda está muito vivo, muito presente e muito necessário”, apontou a historiadora.

Desconhecimento e retomada da obra

Oliva lamentou ainda a desvalorização da produção intelectual de Bomfim, fazendo com que a população brasileira, em especial a sergipana, por muito tempo não tenha tido acesso às suas obras. Porém, a historiadora se mostrou otimista com o processo de retomada dos estudos sobre o intelectual sergipano, sobretudo a partir da década de 1990. “Essa ressurreição aconteceu há cerca de 20 anos, com a reedição de muitas de suas obras. E essa exposição realizada hoje faz parte desse processo de retomada. Por isso é tão importante que ela circule nas escolas e espaços públicos, para que suas teses e teorias sejam discutidas por professores e estudantes e por toda a população do nosso Estado”, comemorou Terezinha.

Neste sentido, o professor e dirigente do Sintese, Gildo Alves Bezerra, parabenizou a palestrante e o mandato democrático e popular da deputada Ana Lúcia pela realização do seminário, destacando a escolha do homenageado e o papel protagonista dos estudantes presentes no evento. “Em constante diálogo com a sociedade, a deputada Ana Lúcia conseguiu transformar a Casa Legislativa em um espaço pedagógico, mostrando que o parlamento também pode ser ocupado pelo povo e, em especial, pelos nossos estudantes”, destacou.

Memorial Manoel Bomfim

Ana Lúcia aproveitou para informar que já apresentou três indicações solicitando ao Governo do Estado que desapropriasse o sobrado onde nasceu Manoel Bomfim, a fim de construir um Memorial com o objetivo de contribuir com o resgate de sua memória, sua produção e suas contribuições para os estudos no país. “A proposta é construir um espaço cultural, com cinema e diversas manifestações da nossa arte, que pudesse servir de espaço de encontro de todos os intelectuais sergipanos que já partiram e deixaram suas contribuições”, destacou Ana Lúcia.

Inclusão

Um dos aspectos importantes do seminário foi seu caráter inclusivo. Os intérpretes da Língua Brasileiras de Sinais (Libras) Solange Almeida e Davi, das Escola Estaduais Severino Uchôa e John Kennedy, garantiram a acessibilidade da população surda ao evento. 

 

Fonte: Ascom Parlamentar  –  Dep. Ana Lúcia ( Débora Melo)