Por Habacuque Villacorte – Rede Alese

A Assembleia Legislativa de Sergipe, atendendo a um requerimento do deputado estadual Capitão Samuel (PSC), promoveu na tarde dessa quarta-feira (18), uma audiência pública para discutir a nova política para confecção de Boletim de Ocorrência Policial e Termo Circunstanciado. O coronel da Polícia Militar de Santa Catarina, Marcelo Martinez Hipólito, que é mestre em gestão de políticas públicas e especialista em gestão de estratégia e em administração de Segurança Pública, fez uma exposição do modelo catarinense que virou referência nacional pelos sucessivos êxitos.

Estavam presentes diversos responsáveis pelo assunto “Segurança Pública” do Estado, com destaque para o subcomandante da Polícia Militar Sergipe, Coronel Paiva, além de representantes da Polícia Civil, Polícia Rodoviária Federal, Militares na reserva ou pensionistas, além de especialistas em segurança e o representante da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Sergipe (OAB/SE).

A proposta da palestra, além do conhecimento, é estimular os representantes do governo do Estado a investirem na tecnologia implantada em Santa Catarina que tem garantido muita celeridade nos registros da ocorrências, desafogando o fluxo de pessoas que procura as delegacias e liberando mais policiais para ficarem a disposição da sociedade nas ruas, sem contar que a medida vai gerar economia aos cofres públicos, sobretudo quanto ao consumo de combustível e de plantões extraordinários.

Audiência na Alese foi prestigiada por militares

Ao fazer sua exposição o Coronel Martinez destacou que, em Santa Catarina, esta “revolução” se iniciou em 2007, com a integração dos boletins militares e civis nos 295 municípios eletronicamente, sem a necessidade do deslocamento para distritos policiais em casos de flagrante. Esse modelo foi copiado e colocado em prática em Estados como Rondônia e Piauí. “Para nós implantarmos isso aqui em Sergipe não depende de dinheiro, mas requer uma decisão política. Começa tudo a partir do TCO”.

O Coronel pontuou que em Santa Catarina o trabalho começou com papel e que hoje os policiais não usam nem mais o notebook, e sim, smartphones. “Em 2015 nós passamos a usar tablets. Hoje três Estados do Sul, Rondônia, Piauí e o Distrito Federal nós alcançamos 100% de cobertura. A impressora térmica tem um custo muito barato e 80% dos R$ 6 milhões investidos foram custeados pelo Ministério Público e pelo Poder Judiciário”.

Segundo ele a principal “revolução” foi a mudança do processo. Para Martinez não justificava o deslocamento das viaturas policiais por quilômetros de distância com essa tecnologia. “Essa dinâmica é a grande propulsora da reforma. Sobra muito mais tempo para os nossos policiais trabalharem. Vejam a economia em combustíveis, em hora/homem trabalhada. A gente tinha filas de viaturas em delegacias para registrar ocorrências. Todo o procedimento é lavrado no local e apenas 20% das ocorrências a gente encaminha para a delegacias”.

Por fim, ele registrou que o grande desafio está em fazer mais com menos e que vão sobrar recursos para a garantia de melhores salários para os militares. Em comparação com ocorrências entre as polícias de São Paulo e Santa Catarina, ele registra que uma redução de quase uma hora. “Em casos de perturbação do trabalho e sossego alheio, em São Paulo, por exemplo, enquanto se demora 2h30 em média, nós resolvemos em 22 minutos. Ao invés de apreender o som gigante, pega o módulo e acaba a festa. A intenção é resolver”.

Fotos: Reynan Santos