Num discurso que chamou a atenção de quem estava no Plenário da Assembleia Legislativa, o deputado estadual Capitão Samuel alertou o governador Jackson Barreto para o nível de insatisfação da Polícia Militar de Sergipe. Segundo ele, a tropa aguarda uma sinalização para discutir um projeto que trata da carreira e dos vencimentos. O parlamentar disse que o exemplo de Pernambuco, onde as polícias Militar e Civil estão em greve, pode se repetir em Sergipe.

“Essa palavra (greve) é forte. Mas uma assembleia com mais de dez mil policiais decidiu pela greve. Por causa do movimento, em Pernambuco muitos vão sofrer perseguições, processos e prisões, mas eles chegaram ao consenso que a polícia precisava ser valorizada”, disse Capitão Samuel, que teme uma ação semelhante em Sergipe. O deputado não acredita que se repita o movimento de 2009, aqui no Estado, quando os PMs só se manifestavam durante as folgas. “Tudo tem limite”, observou.

O deputado declarou que na Grande Recife, a partir do movimento grevista, houve um aumento considerável no número de delitos. “Dobrou o número de homicídios. O IML passou a recolher o dobro do número de corpos”. Segundo Capitão Samuel, movimentos como o de Pernambuco costumam deflagrar protestos em série em vários estados. “Os protestos que começaram na Bahia se alastraram pelo país. O mesmo aconteceu em Belo Horizonte e também em Sergipe. O movimento que ocorreu aqui teve reflexos em todo o país. Em Pernambuco é greve mesmo, os PMs não estão indo para as ruas”, explicou.

“Se não há dinheiro então que se adote o critério em que a categoria seja atendida quando o Estado sair do limite prudencial”, sugeriu Capitão Samuel, que espera a retomada das negociações. O projeto, ressaltou o parlamentar, já está nas mãos de vários secretários e até com Jackson Barreto, mas engavetados. “Em Pernambuco fizeram o mesmo e agora querem discutir com os policiais. Mas será que a PM vai voltar para as ruas por causa disso ou só quando o projeto for para a Assembleia”, questionou o parlamentar, que agradeceu o empenho do presidente da Alese, deputado estadual Luciano Bispo, por tentar uma solução para o impasse.

Capitão Samuel alertou o governador e sua base de apoio na Assembleia para a gravidade da situação. Lembrou que os policiais estão há vários anos tentando mostrar o que querem, não conseguem reajuste e nenhum avanço nas negociações. O parlamentar disse que a categoria possui um projeto baseado nas propostas que o governo tem encaminhado para outras categorias, mas teme que a aprovação da PEC da presidente Dilma Rousseff, que trata de arrocho aos servidores, prejudique as intenções dos militares em obter reajustes e outras conquistas. “Que o governo abra o diálogo e evite problemas com o que acontece em Pernambuco”.