Atendendo a um projeto de resolução da deputada estadual Ana Lula (PT), a Assembleia Legislativa concedeu no final da tarde dessa terça-feira (22), o Título de Cidadão Sergipano para os sindicalistas Edmílson José dos Santos Araújo e Rômulo Rodrigues, fundadores da Central Única dos Trabalhadores (CUT) em Sergipe. No caso de Edmílson, a proposta de cidadania havia sido apresentada pelo então deputado Wanderlê Correia, em 2008, mas por questões de saúde, a homenagem só pode ser prestada agora, com a reapresentação da proposta pela petista.

Tanto Edmilson quanto Rômulo tiveram um papel fundamental no movimento sindical do Estado, liderando grandes greves gerais e na luta contra a privatização da Fafen (Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados). A solenidade contou com as presenças de representantes de entidades sindicais, militantes políticos, amigos e familiares dos homenageados.

O governador Belivaldo Chagas (PSD) esteve representado pela secretária de Estado da Casa Civil, Conceição Vieira. O prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira (PCdoB), esteve representado pela vice-prefeita da capital, Eliane Aquino (PT).

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Luciano Bispo (MDB) destacou a iniciativa da deputada Ana Lula por “conceder a dois sindicalistas, sergipanos já de coração, a Cidadania tão sonhada e justa porque ambos lutaram muito ao longo dos anos em defesa dos interesses dos trabalhadores. Eles dedicaram suas vidas ao movimento sindical e agora são sergipanos de fato e de direito”.

Homenageados

COP_3488Edmilson Araújo reconheceu a importância da Cidadania sergipana, prestando uma homenagem à deputada Ana Lúcia: “Agradeço a Ana Lúcia pela sensibilidade e perspicácia política da proposta atual e ao ex-deputado Wanderlê Correia que, apresentou a mesma honraria há 10 anos, mas por questões de saúde eu estive impossibilitado de vim receber”.

“Sou grato à velha guarda da Fafen, com quem eu divido este prêmio de Cidadania. Compartilho com eles e os torno responsáveis por isso. Somos todos um só! Lutamos por direitos por mais de três décadas na Fafen, pelos abandonados pelo poder público e pelos demais cidadãos. Nós interferimos não apenas no movimento sindical, mas na formação do espaço partidário civil”, completou Edmilson Araújo.

Por sua vez, Rômulo Rodrigues disse que “é significativo para nós porque não se trata de uma homenagem pessoal, mas que retrata todo um histórico de luta desde a nossa chegada aqui em Sergipe, para a implantação de uma unidade de amônia e uréia, fundamental para o desenvolvimento de Sergipe. Além de trabalhar pelo desenvolvimento industrial e pela alta tecnologia, que botava o Estado na ponta da industrialização de fertilizantes”.

Ele ainda destacou que sua geração formou quadros fundamentais e de grande atuação na política sergipana. “Inclusive iniciando por esta Casa, com Marcelo Déda e Marcelo Ribeiro, há 32 anos. Receber este título da Assembleia é reconhecer uma história de luta de toda uma geração de trabalhadores e militantes políticos que estamos canalizando. Essa geração que está sendo representada aqui, merece e muito esta homenagem porque fez e faz muito pelo desenvolvimento econômico e cultural de Sergipe”.

Ana Lula

A deputada justificou a homenagem dizendo que a organização operária liderada por Edmilson Araújo e Rômulo Rodrigues, na fábrica de fertilizantes Nitrofétil/Fafen, possibilitou a criação da APEQ (Associação dos Petroquímicos), sendo que a consolidação da mesma resultou na sua transformação em sindicato, nascendo assim o combativo SINDIQUÍMICA.

COP_3526“A organização sindical dentro da FAFEN possibilitou o surgimento de formas participativas e inovadoras na gestão, inclusive com a autonomia dos operários na organização do sistema produtivo da fábrica de fertilizantes. Nos anos 90, visando o enfrentamento a hegemonia da era neoliberal, o SINDIQUÍMICA/SE decide unificar-se com o SINDIPETRO AL/SE”, comentou a deputada.

Em seguida, Ana Lula disse que Rômulo e Edmilson sempre compreenderam a importância de a classe trabalhadora ter os seus próprios partidos políticos, tendo os dois contribuído decisivamente para a fundação e construção do PT e do PSTU em Sergipe. “Vocês ensinaram aos militantes da esquerda sergipana que o partido por ser parte, deve sempre defender os interesses da classe trabalhadora, que a soberania popular se sobrepõe aos interesses individuais”.

“Os debates políticos que Rômulo e Edmilson travaram nos anos 80 e 90, já sinalizavam para a inviabilidade de governos de coalizão, sem consistência e nem identidade ideológica. Hoje o PT se ressente das consequências dos governos de coalizão com partidos e políticos de direita”, completou Ana Lula

Histórico

Edmílson Araújo nasceu em Alagoinhas (BA) e reside em Aracaju desde meados de 1981. Teve um papel fundamental no movimento sindical, liderando grandes greves em Sergipe e hoje é um dos líderes da luta dos trabalhadores contra o processo de privatização da Fafen em Sergipe. Em 1988 foi candidato a vice-prefeito de Aracaju, em uma chapa encabeçada por Marcelo Déda (in memoriam), mas teve uma atuação mais destacada na organização sindical, nas fábricas e outros espaços, coordenando as mobilizações.

Rômulo Rodrigues nasceu em Caicó (RN), é casado e aposentado e reside em Aracaju desde janeiro de 1982, e trabalhou como técnico de instrumentação na Nitrofértil, hoje Fafen; é fundador e dirigente do Sindiquímica, filiado ao Partido dos Trabalhadores de 1982 a 1993, fundador e filiado ao PSTU de 1993 a 1999 e refiliado ao PT desde então até os dias de hoje, tendo participação destacada na Executiva Estadual.

 

Por Rede Alese

 

Fotos: César de Oliveira