Por Habacuque Villacorte

A Assembleia Legislativa de Sergipe promoveu mais uma audiência do Fórum Itinerante do Plano de Desenvolvimento Estadual Sustentável de Sergipe (PDES), na noite dessa terça-feira (26), em Itabaiana, no plenário da Câmara Municipal, com uma exposição para os vereadores e empresários da cidade. O presidente da Alese, deputado estadual Luciano Bispo (MDB), enalteceu a parceria firmada com a Fundação Dom Cabral e pontuou que o Plano fez um apanhado dos números do Estado. O deputado estadual Georgeo Passos (Cidadania) também prestigiou a exposição.

Deputado estadual Luciano Bispo

Luciano Bispo abriu o evento e não escondeu a satisfação pela realização da audiência em seu município. “Estamos iniciando os trabalhos nessa terra, para esse povo que eu quero bem e que me quer bem! Estamos na Casa do povo Itabaianense para apresentar um Plano de Desenvolvimento que não é meu ou da Alese, mas que representa um grande presente do Poder Legislativo para o povo sergipano em geral. Buscamos a Fundação Dom Cabral, uma escola que é referência nacional, porque queremos o melhor para a nossa gente”.

Em seguida, Luciano Bispo pontuou que era preciso encontrar alternativas que garantam o desenvolvimento na retomada da economia no pós-pandemia e explicou que muitos municípios não têm arrecadação própria e dependem dos repasses estaduais e federais, e que, ainda assim, sustentam a economia local com a manutenção de empregos. “Os prefeitos já não suportam essa demanda e precisam encontrar fontes e formas de investimentos. Esse Plano de Desenvolvimento aponta potencialidades que podem atrair futuros investidores, garantindo emprego e renda para o nosso povo”.

Ainda em seu discurso, Luciano Bispo pontuou que não dá para dissociar o poder público do setor empresarial, que existe muito preconceito, mas é o setor produtivo quem garante emprego e renda. “Desde o princípio tomamos o maior cuidado na elaboração deste PDES; tudo foi feito com muita responsabilidade e queremos apresentar uma direção a ser seguida pelos empresários que desejam investir na nossa terra, e que vão empregar o nosso povo. Eu sou muito grato a Itabaiana e agradeço a todos que vieram nos prestigiar nesta solenidade”.

Ivoni Andrade

Vereadora Ivoni Andrade enalteceu o PDES

Representando o parlamento municipal, a vereadora Ivoni Andrade (MDB) destacou a iniciativa da Assembleia Legislativa em desenvolver o PDES, e saudou o presidente Luciano Bispo pelo compromisso com a região Agreste. “Hoje estamos aqui em um dos dias mais importantes, para nós Itabaianenses, porque vamos conhecer dados e projeções que só vão engrandecer o nosso município, o nosso Estado. A ideia central deste Plano de Desenvolvimento é melhorar a qualidade de vida do nosso povo sergipano”.

Em seguida, Ivoni Andrade externou sua satisfação em presenciar a participação do setor produtivo na audiência do Fórum Itinerante do PDES. “Estou há algum tempo nesta Casa e nunca tinha visto uma reunião que comportasse todas as representações comerciais e industriais da nossa cidade. Isso nos orgulha, faz Itabaiana crescer e demonstra a credibilidade de Luciano Bispo, esse ser iluminado que, junto com sua equipe, projetou esse Plano para desenvolver o nosso Estado e o nosso município”, acrescentou a vereadora.

Marcelo Barberino

Feitas as apresentações, foi iniciada a apresentação do Plano Desenvolvimento para os presentes pelo coordenador do PDES, Marcelo Barberino. Ele detalhou a necessidade de se conhecer o passado e o presente para projetar o futuro, pontuando a importância para o crescimento de Sergipe, quanto à geração de emprego e renda, destacando a parceria firmada entre a Alese e a Fundação Dom Cabral. Marcelo registrou ainda que foram ouvidos mais de 70 atores da cadeia produtiva do Estado para a elaboração do Plano, tanto do setor privado quanto do serviço público.

Coordenador do PDES, Marcelo Barberino

“As informações que colhemos nos deram a condição de elaborar um estudo mais aprimorado, com análises mais amplas, para que pudéssemos olhar o Estado de uma forma macro, verificando aspectos que acabam passando despercebidos, mas que chamaram a atenção da Fundação Dom Cabral. Durante a pandemia, vivemos um momento de muito desinvestimento, com empresas fechando, o que trouxe instabilidade para a nossa economia. Precisávamos entender e nos aprofundar sobre as vocações e potencialidades do nosso Estado”, explicou Barberino.

O coordenador ainda acrescentou que, superada a pandemia, chegou o momento de repensar a retomada da atividade econômica, e que é mais do que necessária a somação de todos os setores envolvidos, formando uma espécie de “governança colaborativa”, onde esses segmentos firmam um “pacto”, uma agenda de ações para discutir e avançar. “O suco de laranja foi responsável por mais de 60% das nossas exportações em setembro; a agricultura é outra cadeia interessante; somos o quarto produtor do País de camarão; somos dotados de um grande potencial turístico, dentre outras coisas”.

Fernando Carvalho

A segunda exposição da noite foi feita pelo economista e assessor, Fernando Carvalho, que defendeu a importância do Plano de Desenvolvimento no sentido de que é preciso que o setor produtivo saiba onde pode chegar. “Nós vimos muitas discussões sobre crescimento econômico; nós entendemos que o debate atual passa pelo desenvolvimento econômico. Não basta olhar apenas para os recursos, mas é preciso que eles sejam bem aplicados para desenvolver a sociedade, culturalmente, socialmente e ambientalmente”, pontuou.

Fernando Carvalho faz exposição em Itabaiana

Fernando Carvalho falou muito também em “profissionalismo na gestão pública”, enaltecendo a importância de se promover um planejamento estratégico, olhando para o futuro. “As demandas mudaram com o passar do tempo, o cidadão comum hoje é mais fiscalizador e o poder público precisa deixar de ser a principal fonte de emprego e renda dos municípios. Não há mais como sustentar essa realidade”, detalhou, expondo com dados do IBGE, a realidade de alguns municípios da região Agreste e apontando a dependência de cada um deles dos repasses federais e estaduais.

Por fim, Fernando Carvalho reforçou para os presentes sobre a necessidade de compreender que é o setor produtivo quem gera os recursos e que o Estado só os administra. “O setor produtivo é a força motriz. Há de se mudar a lógica de que os municípios ficam reféns do passivo de precatórios e restos a pagar, que limitam a gestão e a eficiência da prestação dos serviços públicos. O quadro técnico é pouco e é preciso buscar parcerias com a classe empresarial e instituições de pesquisa. Temos que focar no passaporte para o futuro e colocar Sergipe em um novo patamar”.

Fotos: Joel Luiz