O plenário da Assembleia Legislativa de Sergipe voltou a sediar mais um evento relacionado ao Dia Internacional da Mulher. Valdilene Oliveira Martins, advogada e integrante da Comissão de Gênero e Violência Doméstica do Instituto Brasileiro de Direito de Família, na palestra “As Múltiplas Faces da Mulher na Sociedade Contemporânea e a Parceria com o Homem”, mostrou o drama que a mulher enfrenta para superar barreiras no ambiente doméstico, no trabalho e no relacionamento com seu parceiro. A palestra nasceu de um requerimento da deputada estadual Ana Lúcia.

“Temos que ensinar as crianças, homens e mulheres a se respeitarem enquanto seres humanos”. A frase de Valdilene ilustra bem o problema que as mulheres enfrentam hoje e que poderiam ser evitados com uma educação que prevenisse preconceitos. Segundo a advogada, muitas formas de violência que as mulheres sofrem poderiam ser prevenidas ainda infância, dentro de casa, com um educação que mostrasse que homens e mulheres são iguais. “Não tem como buscarmos o equilíbrio e a equidade de gêneros excluindo um gênero da discussão. Nós precisamos alimentar o diálogo e remodelar as relações”, frisou.
Para Valdilene Oliveira, não bastam leis, é preciso cuidar das relações ainda na infância e ao longo do amadurecimento, transmitindo informações que combatam o machismo, a exemplo da crença de que o lugar de mulher é na cozinha. “A carência de informações é muito grande, precisa-se de mais diálogo sobre essa questão de gênero”, observou. “Não podemos criar filhos como meninos e meninas, e sim como seres humanos, pessoas de direito livre que serão cidadãos”.
Segundo a advogada, os conceitos machistas surgem na infância. “A violência domestica é o fenômeno mais democrático do mundo, está em todos os lugares, classes sociais e etnias. E essa violência vem da educação infantil, vem de berço”, explicou. Valdilene defendeu mais espaços para a mulher no mercado de trabalho, sem diversidade salarial, uma das principais lutas da mulher contemporânea: receber salário igual ao homem ao ocupar a mesma função.
Sobre a Lei Maria da Penha, um marco divisor na luta contra a violência praticada contra mulheres no ambiente doméstico, Valdilene Oliveira disse que a legislação também precisa ser aplicada inclusive em casais homoafetivos, onde são duas mulheres, ou quando são dois homens e um deles se identifica no gênero feminino. E alertou que apesar de conquistas obtidas ao longo da história, é preciso avançar mais nos direitos da mulher. “Elas, hoje em dia, são vistas em todos os âmbitos, estamos ocupando todos os espaços, mas ainda enfrentamos muito preconceito, um fato que exemplifica isso é a própria questão salarial”, citou.
O presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Luciano Bispo, elogiou a palestra de Valdilene e concordou com a questão do combate ao preconceito dentro de casa, na educação das crianças. “Muitos pais ensinam os filhos a serem machistas e acabam passando para eles conceitos errados sobre a relação entre homem e mulher”. Para a deputada Ana Lúcia, a intenção de trazer Valdilene, que é uma militante feminista, foi mostrar o cotidiano e as contradições e esclarecer como que culturalmente, ao longo da história, foram se constituindo os preconceitos e “como a violência contra as mulheres foram se naturalizando”.

Por Dilson Ramos

Fotos: Jorge Henrique