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Cidades mais inclusivas e seguras para mulheres foi tema de debate na Elese

O direito das mulheres à cidade e a construção de espaços urbanos mais inclusivos e seguros estiveram em debate, nesta quinta-feira (26), na Elese, a Escola do Legislativo Deputado João de Seixas Dórea da Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese). A roda de conversa “Mulheres e o Direito à Cidade” foi promovida pelo mandato da deputada Linda Brasil (PSOL), em parceria com o Instituto de Arquitetos do Brasil – Departamento Sergipe (IAB-SE).

O encontro ocorreu no auditório da Escola do Legislativo e contou com a presença da deputada Linda Brasil; da marisqueira Graziela dos Passos; das arquitetas Dara Maria e Layne Costa; e da vice-presidente do IAB-SE, Riva Feitoza, que atuou como moderadora. A plateia foi composta por especialistas em diversas áreas, líderes comunitários e demais interessados nas temáticas urbana e de gênero.

De acordo com a organização, a roda de conversa reforça o compromisso institucional com a construção de territórios mais justos, inclusivos e sensíveis às diversas realidades femininas.

Dep. Linda Brasil

Durante o evento, a deputada Linda Brasil destacou a relevância do debate diante do atual contexto social. “É um evento muito importante, principalmente nesse momento que a gente está vivendo de discurso de ódio, de misoginia. Falar sobre a ocupação das mulheres em todos os espaços da cidade é fundamental. Precisamos garantir o direito de acessar o transporte público e de transitar com segurança, em uma cidade pensada para proteger as mulheres. Discutir machismo, misoginia e sexismo é essencial para que possamos avançar na garantia de direitos e na redução das violências. Essa roda de conversa integra as ações institucionais voltadas à promoção do debate público e à construção de políticas mais equitativas, reafirmando o papel da Alese como espaço de escuta, diálogo e formulação de propostas para uma sociedade mais justa”, afirmou.

Representando a vivência das comunidades tradicionais, a marisqueira Graziela dos Passos trouxe ao debate um relato contundente sobre os impactos de intervenções urbanas em territórios ribeirinhos. Moradora da região do Mosqueiro, na zona de expansão de Aracaju, ela destacou que obras recentes de drenagem têm afetado diretamente o modo de vida de pescadores e marisqueiras.

Graziela dos Passos

Segundo Graziela, a intervenção ocorreu sem diálogo prévio com a população local e já apresenta consequências para a pesca artesanal, principal fonte de sustento da comunidade. Ela alertou para a degradação do manguezal e os riscos ao rio Vaza-Barris, considerado um dos poucos ainda balneáveis na capital.

“Não somos contra a obra, mas contra a forma como ela está sendo feita e os impactos que já estão acontecendo. Existe uma preocupação real com a possibilidade de ligação de esgoto e com a perda de áreas essenciais para nossa sobrevivência”, afirmou.

A marisqueira também contextualizou outros episódios que afetaram a região ao longo dos anos, como a mortandade de caranguejos em 2007 e os impactos do derramamento de óleo no litoral, reforçando que as populações tradicionais têm sido historicamente vulnerabilizadas por decisões que desconsideram suas realidades. Ela ainda questionou a efetividade das medidas compensatórias ambientais anunciadas, destacando a retirada de vegetação nativa além do manguezal.

Riva Feitoza

Já a arquiteta e moderadora do encontro, Riva Feitoza, destacou a importância de ampliar o debate sobre o direito à cidade sob a perspectiva de gênero. Em sua fala, ela chamou atenção para o fato de que, apesar de a urbanização existir há milênios, o acesso pleno aos espaços urbanos ainda não é garantido de forma igualitária.

Riva enfatizou que muitas mulheres ainda enfrentam limitações no direito de ir e vir, seja pela insegurança, seja por barreiras sociais e culturais. “Precisamos questionar para quem a cidade está sendo pensada. Muitas vezes, ela não acolhe mulheres trabalhadoras, como marisqueiras e domésticas, que encontram dificuldades concretas de acesso e permanência nos espaços urbanos”, pontuou.

Ela também ressaltou a importância do momento atual, em que se discute a revisão do plano diretor, defendendo a inclusão efetiva da perspectiva de gênero no planejamento urbano. Para a arquiteta, iniciativas como a roda de conversa contribuem para inserir o tema na agenda pública e reforçar que o direito das mulheres à cidade deve ser garantido de forma estruturante. A fala foi acompanhada com atenção e concordância pela plateia, composta por psicólogos, lideranças comunitárias e demais participantes.

Dara Maria

Ao abordar soluções práticas para tornar os espaços urbanos mais seguros e acessíveis, a arquiteta Dara Maria destacou a importância do planejamento urbano aliado à vivência cotidiana das mulheres. Ela apontou que a sensação de segurança está diretamente relacionada à forma como a cidade é organizada e ocupada.

Entre as medidas sugeridas, Dara destacou a necessidade de uma iluminação pública de qualidade, especialmente no período noturno, além da descentralização de comércios e serviços. Segundo ela, a presença de atividades distribuídas pelos bairros aumenta o fluxo de pessoas nas ruas e contribui para um ambiente mais seguro. “A gente se sente mais segura quando há movimento, quando existem espaços abertos e pessoas circulando, o que possibilita inclusive recorrer a algum estabelecimento em situações de risco”, explicou.

A arquiteta também criticou a configuração de áreas urbanas marcadas por muros altos e extensos, comuns em condomínios fechados, que reduzem a visibilidade e aumentam a sensação de isolamento. Como alternativa, defendeu fachadas mais permeáveis e a integração entre espaços públicos e privados, além da implementação de comércios no térreo de edifícios, prática comum em grandes cidades, mas ainda pouco difundida em Aracaju.

Por fim, Dara reforçou que muitas dessas mudanças dependem diretamente da atualização do plano diretor, instrumento essencial para orientar o desenvolvimento urbano. A avaliação foi endossada pela plateia, que destacou a urgência de políticas públicas que considerem as necessidades das mulheres na construção de cidades mais inclusivas.

Fotos: Arthur D´Avila – Agência de Notícias Alese

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