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Kitty Lima expõe revolta após série de feminicdios em menos de uma semana no Estado

Deputada clama pelo Pacto federativo em combate ao feminicídio.

A deputada Kitty Lima (Cidadania) usou a tribuna da Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese) esta semana para destacar a série de feminicídios registrados no Estado em menos de uma semana.

No plenário da casa, Kitty Lima expressou toda sua revolta diante dos casos. “´Só neste último fim de semana que passou, dias 21 e 22, mais duas mulheres foram assassinadas mais duas vidas interrompidas pela violência, mais duas famílias destruídas. E como se não bastasse, amanhecemos na quarta-feira, dia 24, com mais uma notícia brutal. Em Propriá, uma mulher foi assassinada a facadas pelo próprio companheiro. Mais uma vítima, mais uma vida perdida. Eu subo hoje a esta tribuna com indignação, com revolta e com um sentimento de urgência que não pode mais ser ignorado”.

A deputada destacou que o que está acontecendo virou rotina e continuou afirmando que a sociedade está diante de uma aniquilação de mulheres. “Eu pergunto: até quando? Até quando vamos tratar isso como rotina? O que está acontecendo não é coincidência, não é acaso, é um padrão, é um sistema que está falhando. Nós estamos diante de um verdadeiro extermínio de mulheres. E o que mais revolta é que leis nós já temos. A Lei Maria da Penha existe. O feminicídio é crime hediondo, mas de que adianta a lei, se ela não chega a tempo de salvar vidas? É preciso aplicar com rigor, é preciso garantir que medidas protetivas funcionem de verdade, é preciso inverter essa lógica”.

A parlamentar aproveitou para pontuar sua indignação com os relatos que tem recebido, em seu gabinete, de inúmeras mulheres que têm medo de sair na rua. “É preciso inverter essa lógica. O agressor precisa ter medo e não a mulher, porque a violência não começa no feminicídio. Ela começa antes, no controle, na ameaça, na humilhação, no silêncio. E hoje, muitas vezes, começa também no ambiente digital”.

Ao falar de Brasil, Kitty enfatizou sua preocupação com casos, principalmente envolvendo adolescentes. A começar por São Paulo, onde adolescentes criaram uma lista de possíveis meninas estupráveis. “O que vimos na última semana em todo o Brasil é alarmante. Em São Paulo, estudantes (adolescentes de 14 a 16 anos) criaram uma lista de estupráveis dentro de uma escola. Meninas sendo tratadas como alvos, como objetos. Em Recife, uma jovem de apenas 22 anos foi assassinada pelo ex-companheiro. Em São Paulo, uma soldado da polícia militar foi morta pelo próprio marido, um tenente-coronel. E no Espírito Santo, a comandante da Guarda Municipal foi assassinada pelo companheiro, um policial rodoviário federal. Tudo isso em poucos dias. Isso escancara uma verdade dura. Não há lugar seguro quando a violência contra a mulher é tolerada”.

Indo mais além, Kitty endossou sua fala citando uma pesquisa assustadora. “Mais grave e mais assustadora são as pesquisas recentes. Elas mostram que mais de 30% dos jovens ainda carrega visões que relativizam ou desrespeitam as mulheres. Está claro que o problema começa cedo. Começa na cultura. Começa na formação. E hoje se amplia no ambiente digital. Por isso, precisamos avançar com urgência. Fortalecer a Lei Maria da Penha. Garantir proteção real às vítimas. E aprovar as leis que estão sendo debatidas no Congresso Nacional”.

Kitty finalizou os casos descrevendo o triste fim de um casal. “Hoje é um dia de luto. Mais uma mulher teve sua vida interrompida pela violência, mais uma história que não terá continuidade, mais uma família devastada. E, mais uma vez, a violência se manifesta de forma brutal também aqui em Sergipe. Na noite de terça, em Aracaju, uma ocorrência grave envolvendo um casal terminou com duas vidas perdidas, após um episódio de violência dentro de um ambiente que deveria ser de segurança. As circunstâncias ainda estão sendo apuradas, mas o que já sabemos é suficiente para nos causar dor e revolta. Porque, mais uma vez, a violência escalou, mais uma vez, chegou ao extremo. E junto com o luto vem a indignação. Porque não foi uma fatalidade, foi violência, foi previsível, foi evitável. E hoje nós lamentamos. Encerrar uma semana de trabalhos com essas notícias é de fato sair com o coração dilacerado”.

Mesmo diante de tamanhas barbaridades, a deputada se alegrou com a implantação de ações que buscam a valorização feminina. “Apensar de tanta tragédia com mulheres, reservo aqui um tempo para enaltecer o governo do Estado com a realização do II Fórum para Gestoras de Políticas para as Mulheres e a apresentação da entrega do Selo Social Empresa Amiga da Mulher. O fórum por ser um espaço fundamental para fortalecer a atuação em rede, integrar municípios e alinhar estratégias de prevenção e enfrentamento à violência. Já o selo por ser uma iniciativa que incentiva o setor privado a adotar práticas concretas de valorização, proteção e respeito às mulheres no ambiente de trabalho, combatendo o assédio, promovendo igualdade de oportunidades e criando espaços mais seguros”.

Já encerando os discursos desta semana na casa Legislativa, a deputada clamou por mudanças urgentes, imediatas. “A sociedade que não se cale. Pais, mães, educadores, é preciso ensinar respeito desde cedo. Denunciem, interrompam. Não normalizem a violência, porque todos os dias, milhares de mulheres vivem sob ameaça. E cada silêncio diante da violência é uma permissão para que ela continue. O que estamos vivendo é um verdadeiro extermínio de mulheres. E nós não podemos mais aceitar isso. Não é normal. Não é tolerável. E não pode continuar. Nós precisamos reagir. Agora.

Por fim, Kitty clamou pelo Pacto Federativo em combate ao feminicídio. “Precisamos aplicar firmemente o ECA Digital, para proteger meninas e adolescentes dessa violência que muitas vezes começa nas telas e termina em tragédia. Mas eu quero ir além. O Brasil já tem um caminho. Existe um Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios, mas esse pacto precisa sair do papel, precisa virar prioridade real, precisa chegar na ponta, precisa salvar vidas. Por isso, eu faço aqui um chamado aos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, que cumpram esse pacto com firmeza e integração. Às forças de segurança, que tratem cada denúncia como uma vida em risco real”.

 

Foto: Jadilson Simões / Agência de Notícias Alese

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