A Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese) realizou, nesta sexta-feira (22), uma Sessão Especial sobre os 90 anos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), celebrados no próximo dia 29 de maio. A iniciativa é do deputado Georgeo Passos (Republicanos). Na ocasião, foi ressaltada a relevância histórica e institucional do IBGE para o desenvolvimento do país, além disso, servidores em Sergipe com mais de 40 anos de dedicação ao instituto foram homenageados com certificados em reconhecimento à trajetória profissional. Entre os desafios citados, a realização do Censo Nacional da População em Situação de Rua e a construção do Sistema Nacional de Geociências, Estatística e Dados (Singed).
Georgeo Passos ressaltou a credibilidade do Instituto. “Em época em que a gente não confia muitas vezes na veracidade das informações, sabe que quando recebemos dados do IBGE, ali tem confiança e credibilidade. Acima de tudo, hoje o IBGE tem também essa missão de estar fazendo o seu papel ouvindo muitas histórias e consegue entender um pouco do que as famílias passam, principalmente as pessoas mais humildes do nosso país e isso entra no coração fazendo com que os que fazem a instituição e a população entenda a importância do trabalho para o Brasil, principalmente na formulação de políticas públicas, pois muitas vezes as pessoas que desempenham mandatos políticos e são colocados nessa missão pelo povo, chegam aos cargos sem a noção e buscam dados e informações para tentar ajustar a gestão e minimizar os problemas das pessoas com mais dificuldades. Os dados do IBGE trazem substratos para que o gestor interessado em mudar a realidade da comunidade possa ter um ponto de partida. Fico feliz em estar aqui hoje homenageando homens e mulheres que dedicaram e dedicam a sua vida ao IBGE”, diz.
Segundo o presidente nacional do Instituto, Márcio Pochmann, o IBGE chega à etapa de maturidade e está preparado para conviver com as transformações pelas quais o país está vivendo. “Na criação do IBGE em 1936, o Brasil era ainda um país agrário e se preparava para se transformar em um país urbano industrial. Foi justamente através do IBGE que se conheceu melhor a realidade do país, a população, o seu território através dos mapas; de todo o trabalho que subsidia definições de políticas. Essa celebração e oportunidade que a Assembleia Legislativa de Sergipe nos dá é algo que nos honra e valoriza o nosso servidor porque é ele na verdade que faz valer essa instituição de caráter nacional, tão importante para conhecer o Brasil e, sobretudo, através das políticas transformar em condições melhores para o nosso povo”, destaca ressaltando a importância de reconhecer os servidores que são muito qualificados e preparados.
Novos Censos

Presidente nacional do IBGE, Márcio Pochmann
Sobre o a realização dos novos Censos, Márcio Pochmann informou que o instituto construiu um planejamento da produção estatística e geo-científica para o período de 2026 a 2032. “Nesse período estão contemplados quatro Censos: o primeiro que estamos nos preparando para ir à campo no ano que vem é o Censo Agropecuário Florestal e Aquícola. É o 12º que o Brasil vai realizar; são cerca de 5 milhões de estabelecimentos que o país vai conhecer melhor a realidade. Ao mesmo tempo nós estamos também preparando a realização do Censo da População em Situação de Rua. Um fenômeno novo, mas que ganhou muita dimensão em várias cidades brasileiras. É aquela população que não tem endereço fixo e portanto não faz parte do Censo Demográfico tradicional. Também estamos nos preparando para fazer um outro Censo que é dos brasileiros que vivem no exterior; a estimativa é de que existam mais de cinco milhões de brasileiros residindo fora do país e precisamos contabilizar e estamos preparando o Censo Demográfico de 2030, que será feito de maneira mais ágil e tecnologicamente mais avançada para que o Brasil possa conhecer melhor a sua realidade; sem contar na Pesquisa de Orçamento Familiar que é um painel da realidade dos brasileiros. São 108 mil famílias entrevistadas ao longo de um ano para mostrar o que consomem, tipo de estrutura de gastos que possuem, onde compram, como usam seu tempo”, explica.
De acordo o superintendente do IBGE em Sergipe, Fábio Albuquerque, o instituto está atuando para retratar a realidade dos sergipanos e é importante estar celebrando na Casa Legislativa, pois faz parte da missão, a cidadania. “A missão é retratar o Brasil com informações necessárias para o exercício da cidadania. Então é muito importante pra gente, ter o reconhecimento dos parlamentares aos servidores da ativa e aposentados. O IBGE é feito de gente; só temos os dados porque tem quem trabalhou para que esses dados chegassem. Reconhecer o trabalho desses servidores que fizeram e fazem a Instituição, é muito importante”, afirma agradecendo ao deputado Georgeo Passos e demais parlamentares e informando que em Sergipe são seis agências com servidores efetivos e temporários trabalhando para visitar os 75 municípios e coletar os dados.
A servidora temporária do IBGE em Sergipe e supervisora de coleta e qualidade, Hana Gomes, disse que a homenagem por parte da Alese é um momento muito importante para o IBGE, em que se busca uma aproximação maior com a sociedade, uma participação maior com as comunidades para que as pessoas tomem conhecimento do trabalho e da relevância do instituto. “E para que colaborem com o IBGE respondendo as pesquisas, nos recebendo bem; estamos sempre com servidores nas ruas, nas casas e nas empresas e esse é um momento de aproximação para que, tanto a comunidade acadêmica e aqueles que decidem as políticas públicas estejam participando ativamente. Hoje, a Alese nos engrandece muito abrindo as suas portas reconhecendo o trabalho do IBGE há 90 anos e abraçando a Instituição como comunidade, colaborando com nosso trabalho aqui em Sergipe, de fornecer informações para que o Brasil conheça a si mesmo”, observa destacando que os servidores possuem olhos que registram o crescimento e desenvolvimento do país, mas também as mazelas, queixas e lutas do povo brasileiro e que a força motriz do IBGE é formada pelos servidores temporários.
Homenagens
Entre os homenageados com certificados está o servidor Manoel Messias Alves, chefe da Agência do IBGE em Nossa Senhora das Dores. “Estou contribuindo com essa Instituição há 45 anos; aprendi a amar o IBGE como se fosse membro da minha família; Tenho 72 anos de idade, mas ainda continuo trabalhando porque quem faz o que gosta, não se cansa. Fazemos as pesquisas com a intensão de direcionar para as políticas públicas”, afirma.

Servidora temporária, Hana Gomes
Também foram homenageados os servidores Leonardo Souza, Ana Betariz Almeida, Maria Renildes Santos e Gilson Robson Souza.
A Mesa Diretora foi composta na Sessão Especial pelo deputado Georgeo Passos, o presidente nacional do Instituto, Márcio Pochmann, o superintendente em Sergipe, Fábio Albuquerque, a representante dos colegas aposentados, Maria Osana Mendonça de Souza, que falou na Tribuna em nome dos colegas, a representante dos servidores temporários, Hana Gomes de Mesquita e o representante dos colegas efetivos, César Oliveira Freitas. No plenário e nas galerias, estiveram presentes autoridades, servidores e familiares.
Histórico
Criado em 6 de julho de 1934, como Instituto Nacional de Estatística (INE), em 29 de maio de 1936 foi transformado pelo então presidente Getúlio Vargas, em Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com o objetivo de centralizar e padronizar as estatísticas oficiais, tornando-se a principal entidade responsável pela coleta, análise e divulgação de dados demográficos, econômicos, sociais e geográficos.
O primeiro Censo realizado pelo IBGE, em 1940, retratou pouco mais de 41 milhões de habitantes no Brasil, sendo o primeiro Censo do país a conhecer a religiosidade da população. Além de católicos, o Censo de 1940 trouxe no questionário, as religiões protestantes, ortodoxos, positivistas e israelitas.
O Censo Demográfico 2000 foi marcado pela inovação tecnológica, como a digitalização dos questionários respondidos por reconhecimento óptico de caracteres. Mas a coleta das informações ainda era feita em questionários de papel preenchidos a lápis. À época, o país tinha 5.507 municípios, com 169,5 milhões de pessoas. Diferentemente dos dados em 1940, quando a população se concentrava majoritariamente na área rural, o Brasil já tinha 81,2% de pessoas residindo em áreas urbanas.
Em 2010, o questionário em papel foi substituído pelo computador de mão usado pelos recenseadores, equipados com GPS e neles havia mapas digitais com os endereços a serem visitados. Neste Censo, foi identificado um crescimento expressivo de lares chefiados por mulheres, o número de divorciados quase que dobrou, 24% da população apresentava algum tipo de deficiência e 58 novas cidades haviam sido criadas.
Fotos: Arthur D’Avila/Agência de Notícias Alese
































































