A irregularidade das chuvas em alguns municípios de Sergipe pode causar mais estragos na combalida economia do Estado. O alerta é do deputado estadual Georgeo Passos, que chama a atenção para a perda da metade da safra de milho e os problemas que surgirão na região produtora de grãos. O parlamentar disse que participou de uma reunião em Itabaiana com cerca de 300 produtores rurais, além de representantes de bancos e secretários de governo, onde o tema central do encontro foi a agonia de um setor que movimentaria algo em torno de R$ 600 milhões com a colheita.

A safra de milho, assegurou Georgeo, pode sofrer uma perda de 50% da produção por causa da estiagem. Não há chuva em muitas cidades e isso representa um impacto econômico no Estado, afeta famílias que vivem da produção, explica o deputado. Segundo ele, a matriz econômica foi modificada e os produtores fizeram investimentos em maquinário agrícola, adubo e preparação da terra, além de sementes de qualidade. “E não terão lucro esse ano”, lamentou.
Georgeo Passos afirma que os prejuízos serão também sentidos pelo Estado pois a estimativa de faturamento de R$ 600 milhões não se concretizará e haverá perda de Imposto Sobre Circulação de Mercadorias (ICMS). “Esse valor iria circular na economia. Mas estamos enfrentando a ‘seca verde’. O milho saiu, está verde, mas não produz grãos”, observa o parlamentar, que espera do governo estadual, e da União, comprometimento com o problema. O deputado chamou a atenção, ainda, para a pecuária, que será afetada também com a perda da safra de grãos de milho, usado na alimentação do rebanho. “É um ciclo comprometido. Já estamos em dificuldades e o campo sofre com prejuízos. Vamos ter perda de ICMS”.
As mudanças climáticas têm afetado a produção de milho em todo o país. A estimativa é de uma redução de 19,1% na safra nacional, chegando a 68,5 milhões de toneladas. Em Sergipe, de acordo com Georgeo, seria recorde de produção, numa área de 200 mil hectares plantados com o grão. O deputado disse que tanto a União quanto o Estado precisam avaliar a questão das dívidas dos produtores, que não terão como pagar seus compromissos. E relatou mais problemas. “Os produtores não podem colher o milho para a silagem, pois não podem pagar os bancos”.

Texto Dilson Ramos

Foto: César de Oliveira