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Marcelo Sobral critica decisão judicial e mobiliza Alese contra demolição de igreja

Ao ocupar a tribuna na Sessão Plenária desta terça-feira (14), na Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese), o deputado Marcelo Sobral (União Brasil) fez um pronunciamento enfático contra a decisão judicial que determina a remoção da Igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem, situada na Praia do Saco, em Estância. O parlamentar anunciou medidas legislativas, articulou apoio entre os colegas e defendeu a preservação do patrimônio histórico, cultural e religioso do estado, tema que também motivou apartes de outros deputados.

Defesa do patrimônio histórico e cultural

Ao iniciar seu pronunciamento, Marcelo Sobral destacou a relevância histórica da capela, fundada há mais de quatro séculos. “Estamos falando de uma igreja com mais de 450 anos de história, uma das construções mais antigas do Estado de Sergipe. Ali não é apenas um espaço físico, é um patrimônio, é cultura, é memória viva do nosso Estado”, afirmou.

O deputado ressaltou que, embora respeite a decisão judicial, considera necessário questioná-la. “Respeito não significa silêncio. Não posso aceitar de forma passiva que um patrimônio com mais de 400 anos seja destruído de um dia para outro. Vou usar tudo que estiver ao meu alcance para garantir que a história e a cultura do nosso estado sejam preservadas”, declarou.

Proposta de sessão solene e articulação institucional

Como encaminhamento, o parlamentar informou que protocolou requerimento para a realização de uma sessão solene na Alese, com a participação de órgãos e instituições envolvidas no tema, como a Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a Prefeitura de Estância, o Governo do Estado, a Secretaria de Cultura e a Diocese local.

“Queremos fazer uma discussão ampla, com historiadores, autoridades e a sociedade, para encontrar um caminho que preserve esse patrimônio. Também vamos trabalhar para declarar a igreja como patrimônio imaterial, por meio de lei”, explicou.

Marcelo Sobral também relatou mobilização popular em defesa da capela. “Estive no último domingo na igreja, participei da missa e realizamos um abraço simbólico com moradores, veranistas e turistas. Ali está a história de um povo”, disse.

Aparte do deputado Jorginho Araújo

Dep. Jorginho Araújo

Durante o discurso, o deputado Jorginho Araújo (PSD) solicitou aparte e manifestou apoio à iniciativa, além de informar que protocolou uma moção de repúdio à decisão judicial.

“Trata-se de uma decisão ilógica, insensível, que visa apagar a memória e a fé de um povo. Conclamo os colegas para que subscrevam essa moção e para que esta Casa atue como terceira interessada na ação, acompanhando de perto esse processo”, afirmou.

O parlamentar também questionou a viabilidade da proposta de remoção da igreja. “Fala-se em desmontar e realocar uma construção de mais de 400 anos. Isso, na prática, significa destruir para reconstruir. Precisamos buscar alternativas que preservem o patrimônio e o meio ambiente”, pontuou.

União de esforços e atuação jurídica

Em resposta, Marcelo Sobral agradeceu o apoio e reforçou a necessidade de atuação conjunta. “Vamos subscrever a moção e também defender que a Assembleia ingresse na ação como terceira interessada. Essa Casa representa o povo sergipano e precisa participar desse debate”, disse.

O deputado ainda destacou sua experiência jurídica em casos semelhantes. “Já atuamos em situações envolvendo a Praia da Caueira e a Ilha Mem de Sá, conseguindo reverter decisões. Acredito que, com união e fundamentação técnica, podemos alcançar o mesmo resultado neste caso”, ressaltou.

Aparte do deputado Kaká Santos

Dep. Kaká Santos

O deputado Kaká Santos (União Brasil) também se pronunciou em aparte, reforçando o apoio à mobilização em defesa da igreja.

“Parabenizo pela iniciativa e pela agilidade em ir até o local. Vamos somar forças para que essa igreja permaneça. É um espaço de fé, de celebrações e de grande importância para o povo sergipano”, afirmou.

Preservação e medidas legais

Encerrando sua fala, Marcelo Sobral voltou a defender medidas concretas para proteger o patrimônio, incluindo o tombamento em nível estadual e federal. Ele também criticou a contradição da decisão judicial, ao lembrar que a igreja passou por recente restauração autorizada.

“Há poucos meses a igreja foi restaurada com autorização da Justiça e agora surge uma decisão para removê-la. Isso é contraditório. Vamos recorrer, apresentar novos elementos e lutar para que essa igreja permaneça onde sempre esteve”, concluiu.

 

Fotos: Jadilson Simões / Agência de Notícias Alese

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