De origem bancária, administrador de empresas por formação, o deputado estadual Luciano Pimentel, PSB, tem se constituído na Assembleia de Sergipe numa voz crítica aos abusos dos juros bancários, às altas taxas dos cartões de crédito e tem combatido o desemprego e denunciado o empobrecimento real do Brasil e dos brasileiros. Na sessão desta segunda-feira, um dia após o país marchar em protesto de ponta a ponta, ele foi à tribuna lamentar a queda no Produto Interno Bruto – PIB – da Nação.

Para Luciano Pimentel, os desencontros da política econômica e desenvolvimentista causam perdas comprometedoras ao Brasil e os brasileiros. “Estamos assistindo hoje a um empobrecimento grave do nossos país. Foi divulgado na semana antepassada o resultado do PIB de 2015. Veja o perigo: nós saímos de um PIB em crescimento de 7,5% em 2010 e caímos para um de 3,9% em 2011, o que ainda foi positivo. Em 2012, caímos para 1,9%, também positivo. Em 2013, crescemos e fomos a 3%, chegando a 2014 com 0,1%. Mas em 2015, atingimos a 3,8% negativo. Passamos ser um país no vermelho”, disse o parlamentar.

“Isso significa que o país empobreceu 32% de 2010 para 2015”, diz o deputado. Para Luciano Pimentel, os brasileiros, de um modo geral e em média estão muito mais pobres. “Saímos de um PIB per capto de US$ 11 mil em 2010 para um de US$ 7,5 mil em 2015. Aliado a esta queda do PIB, estamos acompanhando a quebra de empresas, o desemprego acelerado, um grande número de obras paralisadas e hoje, segundo a Folha de S. Paulo, já existem algumas instituições financeiras com grande dificuldade no seu caixa. Isso é péssimo para todos”, reitera o parlamentar.

Para Luciano Pimentel, o desempenho da atividade industrial, que é um grande espelho da alma da economia brasileira, aprofunda os tentáculos dessas preocupações. “Veja: a indústria teve um resultado negativo de 6,2% em 2015. Nela, a única atividade com alta foi a indústria de extração mineral (4,9%). Contaram para este desempenho, a extração de petróleo, gás natural e minerais ferrosos. A Anfavea, divulgou que só agora neste mês de março 2 mil trabalhadores serão demitidos. Ela divulgou, ainda, que já existem em seus pátios 146 mil veículos, o que daria para abastecer por 50 dias o mercado nacional com as fábricas paralisadas e não teria problema de abastecimentos. Eu me pergunto: aonde nós vamos parar e a quem serve este modelo de desenvolvimento?”, questiona o parlamentar.

“Esta queda na atividade industrial é de uma gravidade sem limites. Mesmo que o país volte a crescer – e todos os economistas entendem que nós ainda vamos demorar pelo menos dois anos para melhorar a situação econômica -, as melhoras de imediato não virão para a indústria, porque ela está sendo sucateada. Não tem capacidade de investimento, de importar máquinas e equipamentos para que se tornem mais competitivas. Quando voltarmos a uma economia crescente, teremos uma indústria com equipamentos obsoletos, visto que a maioria dos equipamentos de modernização industrial são importados e pelo valor alto do dólar as empresas não terão condições de adquiri-los para fazes as imediatas melhorias”, diz.

“A indústria de transformação sofreu retração de 9,7% e a construção civil, 7,6%. Respondendo por mais da metade do PIB brasileiro (pelo lado da oferta), o setor de serviços apresentava um grau de crescimento de 2,8% em 2013, praticamente inverteu e teve uma queda de 2,7%, sendo que em 2014 cresceu apenas 0,4%. Isso é um efeito danoso desta crise que hoje assistimos, fruto de um país em ebulição política e econômica. Já não dá mais para suportar esta queda e não temos nenhuma sinalização de melhoria neste campo”, disse, ressaltando o bom desempenho do agronegócio, mas que sozinho não segura os descaminhos.“Tivemos, dentro deste PIB, uma atividade que teve o melhor desempenho, que foi a agropecuária. Ela cresceu 1,8%”.

Com uma economia assim, advertiu o parlamentar, o poder de consumo das pessoas despenca. “O consumo das famílias caiu de 3,5% positivo em 2013 para 4% negativo em 2015, reforçando aquilo que falamos antes: o sistema econômico não está sendo retroalimentando por questões favoráveis. A crise e o desemprego fazem com as famílias consumam menos e tenham mais restrições nas despesas. E isso gera um ciclo cada vez maior de estagnação econômica”, disse.

Por Ascom Parlamentar Dep. Luciano Pimentel – Jozailto Lima