A deputada Linda Brasil (Psol) destacou na Sessão Plenária desta quinta-feira (30), na Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese), os protestos realizados nesta quarta-feira (29) no bairro São Conrado, em Aracaju, contra a falta de água.
“Os protestos que paralisaram o bairro São Conrado ontem, evidenciam o desespero de uma comunidade que enfrenta mais de 15 dias de desabastecimento severo. Com barricadas e queima de pneus em vias estratégicas como a Avenida Doutor José Tomaz Pinto, os moradores denunciaram o descaso absoluto da Iguá Saneamento e a ausência de um cronograma claro de regularização”, ressalta.
A parlamentar afirmou não se tratar de uma situação isolada. “Mas a confirmação de que o modelo de privatização em Sergipe tem priorizado o lucro imediato em detrimento da dignidade básica, tratando o acesso à água como um privilégio financeiro e não como um direito fundamental da população. A incompetência técnica da concessionária é latente, manifestando-se na incapacidade de gerir a pressão da rede na demora injustificável para realizar reparos simples. Esse despreparo operacional tem sido apontado desde o início dos trabalhos da empresa pelo Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Purificação de Água e em Serviços de Esgotos do Estado de Sergipe (Sindisan), como um reflexo da falta de conhecimento capilar sobre o sistema hídrico de Sergipe, que coloca em risco a saúde pública e a rotina de milhares de famílias”, observa.
Linda Brasil acrescentou que os protestos no bairro São Conrado evidenciam o colapso do abastecimento de água. “A falha na gestão da rede e a falta de cronogramas confirmam que o modelo atual prioriza o lucro em detrimento da dignidade da população. Diante da incompetência técnica, o Sindisan alerta para os riscos à saúde, tornando urgente uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para auditar o contrato de concessão e a capacidade operacional da empresa”, reitera.
Para a deputada, a crise hídrica em Sergipe passa pela retomada do controle total do Estado, fortalecendo a Deso, que detém a memória técnica e o compromisso social com a universalização, sem a pressão por dividendos.
“A privatização da água mostra-se incompatível com a realidade local, exigindo o retorno do controle público para garantir a regularidade do serviço em todo o estado. Observa-se uma profunda incoerência no Governo, que utiliza recursos da venda da Deso para reestatizar a Sergas, focando no controle estatal do gás, enquanto deixa a água sob lógica privada. Essa contradição demosntra a falta de um projeto de Estado, sacrificando um direito fundamental para financiar a recompensa do setor de gás. A população paga o preço com insegurança e desabastecimento, evidenciando a necessidade de revisão urgente da política de saneamento”, conclui Linda Brasil.
Foto: Jadilson Simões/Agência de Notícias Alese
