Por Assessoria

O deputado estadual Francisco Gualberto (PT), vice-presidente da Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese), participou da sessão remota desta terça-feira (24) e apresentou seu protesto e repúdio contra a prática escancarada do racismo no Brasil. “Todos nós assistimos estarrecidos e chocados o assassinato de um cidadão negro num supermercado do Rio Grande do Sul. Um ato muito covarde. Dois brutamontes, em público, agredindo, batendo, espancando até a morte um pobre negro. Eu quero rejeitar isso”, disse.

Em seu discurso, o deputado se referia ao caso do assassinato de João Alberto Freitas, 40 anos, que foi espancado e morto por dois seguranças na noite de quinta-feira (19), véspera do Dia da Consciência Negra, no estacionamento de uma unidade do Carrefour em Porto Alegre. As agressões começaram após um desentendimento entre a vítima e uma funcionária do supermercado, e os assassinos são o policial militar Giovane Gaspar da Silva, de 24 anos, e o segurança Magno Braz Borges, de 30 anos. Eles foram presos em flagrante.

“Aqui em Sergipe, dentro de um shopping, já ocorreu algo semelhante. Um homem pobre e negro também foi assassinado com um golpe de mata-leão. É que a sociedade esquece as coisas muito rápido”, lembrou Francisco Gualberto. Dessa vez o deputado fez referência ao episódio ocorrido no dia 11 de fevereiro de 2012, quando um motorista tinha ido ao shopping Jardins sacar o seguro-desemprego, fora do horário de funcionamento, e acabou morto por um segurança.

“A gente imagina que num ambiente como um shopping ou um supermercado exista proteção para as pessoas que se encontram nele. Mas de repente é o local do homicídio, da morte de cidadão pobre ou preto, principalmente. Eu nuca ouvi dizer que um rico branco fosse assassinado dentro de um supermercado por um segurança através de um mata-leão”, disse. “É verdade que são os negros pobres principalmente, mas todos nós corremos riscos dentro de um supermercado”.

Para Francisco Gualberto, é importante que se faça esse registro porque quando ocorre um assassinato desses, fala-se apenas no assassino, mas não se responsabiliza o corpo da decisão. “O que o gerente ou o dono do supermercado estavam fazendo? Qual o grau de solidariedade? Qual a participação que deve ter esses setores que contratam pessoas que podem assassinar negros e pobres dentro do ambiente onde ele foi contratado para trabalhar? Isso não pode ser considerado como um fato comum”, questionou o parlamentar sergipano.

“Portanto, quero estabelecer aqui o meu repúdio veemente contra esse tipo de prática que se estabelece no Brasil. E só consegue dizer que não existe racismo no Brasil, Bolsonaro, seu vice-presidente Mourão e poucos seguidores seus”, frisou Gualberto.