A Frente Parlamentar em Defesa da Mulher que é presidida pela deputada estadual Goretti Reis (PMDB) e tem na sua composição mais 11 deputados se reuniu na manhã dessa segunda-feira, 9, no gabinete da parlamentar para discutir os detalhes da realização do I Seminário “Tecendo a Redes: Atenção a Autores de Violência de Gênero”, que tem como objetivo sensibilizar agentes envolvidos no atendimento às vítimas e autores de violência de gênero em Sergipe e está previsto para ser realizado nos dias 30 e 31 de março deste ano.

O evento conta com o apoio da Assembleia Legislativa de Sergipe e com a participação de representantes do Tribunal de Justiça de Sergipe – TJSE, da Ordem dos Advogados do Brasil, Ministério Público de Sergipe – MPSE, Prefeitura de Aracaju, Universidade Federal de Sergipe, Sindicato dos Profissionais do Ensino do Município de Aracaju-Sindipema, Associação Brasileira de Psicologia Social – Abrapso, Conselho Municipal da Mulher, instituições que lutam para criar uma rede de assistência completa e também assessores parlamentares.
“É preciso realizar eventos desse porte em Sergipe para trazer à tona essa discussão. São 300 profissionais que deverão compor a rede, iremos ajudar na implantação do serviço no Estado. O Estado precisa cumprir o que está previsto na Lei Maria da Penha, o tratamento e o acompanhamento ao agressor é um dos artigos que precisa ser implantado em nosso estado. “Aqui o Tribunal de Justiça desenvolve um projeto em parceria com a coordenação de psicologia da Faculdade Estácio de Sergipe (FASE), que atende ao agressor, iniciativa louvável, mas é preciso que seja institucionalizado, que o estado ofereça o serviço a todos”, frisou.

 

Para a presidente do Conselho Municipal da Mulher, a promotora de justiça Adélia Pessoa é preciso entender que o autor da agressão aprendeu desde a infância que é normal bater na mulher, considerada “propriedade” dele. É uma violência silenciosa, existe, mas não tem visibilidade precisamos nos reunir, reflitir e discutir sobre o assunto com profissionais da área de assistência social, do jurídico, tem que ser interdisciplinar. Ter um olhar para o homem que agride e foi criado daquela forma, com violência. Os profissionais da psicologia, da saúde, do direito, da educação tem que enxergar o que está por tras da agressão. A Frente tem um papel importante para fazer com que Sergipe seja dotada de intervenções sócio terapêutica, proporcionado uma articulação positiva em relação aos vários aspectos do combate a violência contra a mulher. Concluiu Adélia.
“O Tribunal de Justica em parceria com a Frente vão auxiliar o evento no que for preciso. Precisamos fazer com que o olhar para o homem, autor da violência, se encontre a causa do problema. A realização desse seminário é um início para isso. Ver a causa do problema e não apenas a consequência.” Ressaltou a psicóloga do TJS, Sabrina Duarte Cardoso.
“Aqui temos uma parceria da Frente com instituições que se empenham na criação de uma rede de assistência completa. Em Sergipe já existe um trabalho muito bom para acolher a mulher, mas não temos o mesmo serviço para o agressor. O pensamento é esse, um serviço também para o agressor. E levar para todos os municípios. Fazer com que sejam notificadas as violências em todo o estado. Envolver secretários de saúde.” Comentou a asseessora parlamentar de Goretti Reis, que expôs parte da programação: Conferência de abertura: Grupos Socioterapêuticos como estratégia de enfrentamento e redução da violênciacontra mulheres; Mesa redonda I Desafios e experiências de atenção a autores da agressão; Mesa redonda II Desafios para o trabalho com homens autores da violência em diferentes contextos: SUAS, TJ, Conselhos Municipais e ONG’s.
A vice presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, Valdilene Oliveira Martins avaliou como positiva e produtiva a reunião. “Vai ser um evento que vai trabalhar direto com a Rede, que precisa ser estruturada. Enquanto isso não acontecer, não teremos resultados. Nós da comissão visitamos os municípios sergipanos e verificamos uma fragilidade na Rede, que é todo o sistema montado, o aparato que o estado dá para a vítima e também para o agressor. As pessoas que atendem essas vitimas não precisam só estar capacitadas tecnicamente, precisam ter informanções suficientes para passar para a vítima. Quando isso não acontece a vítima sofre a violência institucional. A falta dessa informações dessa ligação com os órgãos envolvidos, as vezes faz com que a vítima não dê continuidade a denúncia. Esse Seminário vai fortalecer a Rede tão importante para todos. Vamos trabalhar para que esse seminário aconteça duas vezes por ano”, concluiu.

 

Por Ascom Parlamentar da deputada Goretti Reis