“Foi um crime premeditado e cruel”, disse Gualberto, em relação ao episódio de Umbaúba

26/5/2022

Por Assessoria Parlamentar

A ação de agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) que culminou com a morte de Genivaldo de Jesus Santos, de 38 anos, no município de Umbaúba, foi repudiada de forma veemente durante a sessão plenária desta quinta-feira, 26, na Assembleia Legislativa de Sergipe. O vice-presidente da Casa, deputado Francisco Gualberto (PSD), classificou o ato dos policiais rodoviários como ‘degradante’.

Imagens gravadas por populares e que circularam de forma intensa pelas redes sociais ontem mostram um homem dominado por três agentes da PRF, algemado, colocado no fundo da viatura com as pernas de fora e uma fumaça muito forte saindo de dentro do carro, com o cidadão gritando. Segundo familiares de Genivaldo, ele tinha problemas mentais.

“Ali concretamente era uma cena de tortura. Não foi somente uma prisão, uma reação a uma ação da polícia, o cidadão não exibiu arma nem oferecia risco a qualquer daqueles policiais, que nós pudéssemos perceber. Foi um crime premeditado e cruel. Qualquer policial ali sabia que aquele cidadão dentro da viatura com aquela fumaça poderia perder a condição de respirar. Então fiquei abalado, confesso que fiquei chocado. Porque o que aconteceu com aquele jovem pode acontecer com qualquer cidadão, inclusive com o filho de qualquer um aqui. É repudiante”, disse Gualberto.

“O papel do parlamentar não é tão somente fazer leis, fiscalizar o Executivo, tratar das questões sociais do ponto de vista do assistencial, mas também é de prestar atenção a movimentos do Estado ou dos seus agentes. E de fato, não que a gente aceite e queira que aconteça, mas uma coisa é uma notícia de que a polícia foi fazer uma operação, se deparou com um agente do crime, houve troca de tiros, uma reação à polícia e um óbito. O ideal é que isso não aconteça, mas é uma narrativa. Todavia, o que aconteceu ontem foi realmente algo muito degradante”, definiu, dizendo que fez questão de ver a imagem em seus detalhes.

“Precisamos fazer alguma coisa para evitar que a força do Estado tire a vida de um cidadão, quando poderia não ter tirado e cumprido seu objetivo. Se era prendê-lo, reprimi-lo de alguma ilegalidade eventual e levá-lo para a delegacia, tudo isso teria caminho legal para se resolver. Mas ver uma pessoa morrendo como se fosse uma barata é algo realmente degradante e de fato não pode merecer o nosso silêncio”, afirmou o deputado Francisco Gualberto,

De acordo com a imprensa, nesta quinta-feira o relatório do IML apontou que o homem imobilizado pela PRF e colocado em viatura com gás morreu por asfixia mecânica e insuficiência respiratória. A PRF disse que foi aberto um procedimento disciplinar para averiguar a conduta dos policiais envolvidos.

Foto: Jadilson Simões/Agência de Notícias Alese

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