Por Assessoria Parlamentar

A violência infantojuvenil aumentou nos últimos anos no Brasil. Cerca de 35 mil crianças e adolescentes de até 19 anos foram mortos de forma violenta no país, entre 2016 a 2020; 180 mil crianças e adolescentes sofreram violência sexual, entre 2017 a 2020. E Sergipe, em 2020, registrou 146 mortes violentas e intencionais contra crianças e adolescentes. Esses foram alguns dados abordados pelo deputado estadual Iran Barbosa (PT), na sessão desta quinta-feira, 27, para ilustrar a triste realidade vivida por crianças e adolescentes em todo o país.

De acordo com parlamentar, os dados são referentes ao Panorama da Violência Letal e Sexual contra Crianças e Adolescentes no Brasil, lançado no último dia 22, pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância e Juventude (Unicef) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), com base na análise dos boletins de ocorrência das 27 unidades da federação, obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação.

“Apesar de conhecermos a realidade de violência que atinge a população infanto-juvenil, esses dados nos deixam estarrecidos e são expressivos de como precisamos tratar com seriedade esse tema”, pontuou Iran.

“Ainda de acordo com o levantamento, 6,97 mil crianças e adolescentes são vítimas de morte violenta intencional por ano, sendo que a maior parte dessas mortes atinge adolescentes entre 15 e 19 anos. Sobre o perfil, 92% das vítimas são do sexo masculino e 79% delas são pessoas negras. 85% dessas mortes são causadas por arma de fogo e 87% são classificadas como homicídio”, mencionou Iran, lembrando que, inclusive, a sociedade sergipana vivenciou, recentemente, mais um caso de violência praticada contra criança. 

Para Iran, esse aumento da violência que atinge crianças e adolescentes nos últimos anos é fruto, especialmente, do desmonte da política pública direcionada para a infância e adolescência.

“Tenho denunciado os ataques do governo federal às políticas sociais, ao financiamento da educação e da assistência. Já denunciei aqui, também, as investidas que têm sido feitas contra o Conanda e contra todo o sistema de proteção aos direitos dessa população, previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente. Neste governo, o mandamento legal de que criança e adolescente devem ser tratados como prioridade absoluta não é considerado e tudo isso se faz refletir nesses dados”, argumentou Iran.

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil