No dia em que se inicia a última etapa do rito de votação do impeachment contra a presidenta Dilma no Senado, quinta-feira, 25, a deputada estadual Ana Lúcia se solidarizou à presidenta e protestou contra o golpe de estado que caminha para se institucionalizar no Brasil. Ela destacou que na próxima segunda, 29, de forma corajosa, Dilma vai enfrentar os algozes, traidores e aqueles que desestabilizaram sua gestão .

Vamos continuar na luta, na resistência. A classe trabalhadora e as camadas populares já estão e vão continuar na resistência e vão conquistar muito mais adesão. A senzala vai descer. E nós não vamos deixar que as forças reacionárias avancem mais do que já avançaram neste país. Temos a esperança de que a resistência dos trabalhadores continue para que possamos consolidar a nossa democracia e não retrocedermos como estamos retrocedendo. Portanto, minha solidariedade à companheira presidenta Dilma Rousseff”, resumiu.

Ao comparar a pressão sofrida pela presidenta Dilma ao momento político vivenciado por Getúlio Vargas, no início da década de 1950, Ana Lúcia destacou que “Todos os governos que tiveram um cunho trabalhista no Brasil sofreram o mesmo tipo de calúnia e difamação”. Ela chamou a atenção para o simbolismo da data escolhida para o início do processo de votação do impeachment no Senado: um dia após se completar 62 anos do suicídio de Vargas.

Ao ler um trecho da carta de suicídio de Getúlio, que demonstra semelhanças entre os cenários políticos de 1954 e 2016, Ana Lúcia chamou a atenção para a postura firme e corajosa que marcou a trajetória política de Dilma, marcada pela prisão e tortura no período da ditadura militar, sem que sequer delatasse seus companheiros.

Lutei contra a espoliação do Brasil, lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, as calúnias não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida, agora ofereço a minha morte. Nada receio, serenamente dou o primeiro passo a caminho da eternidade e saio da vida para entrar na história”, diz a carta de Vargas, que marcou para sempre a história política do país.

Gilmar Mendes e os interesses dos seus

Ana Lúcia destacou a avaliação do Ministro Gilmar Mendes, que, embora nutra um ódio de classe e ideológico do Partido dos Trabalhadores, agrediu os procuradores envolvidos na operação Lava Jato e o juiz Sérgio Moro. “Quando a operação Lava Jato começa a chegar naqueles que ele protege, ele agrediu os, chamando-os de cretinos”, apontou. Ela elogiou ainda a resposta dada ao “Painel da Folha” por um Procurador da República envolvido na operação, que não quis se identificar. Segundo ele, “éramos lindos até o impeachment ser irreversível. Agora que já nos usaram, dizem chega”, ironizou.

LDO: menos recursos para saúde e educação nos próximos 4 anos

Entre os inúmeros retrocessos para a classe trabalhadora e para a população mais vulnerável que estão sendo impostos pelo governo golpista de Temer, destacou Ana Lúcia, mais um passo foi dado na madrugada de ontem, quando foi aprovada na Câmara dos Deputados a retirada de recursos da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), para as áreas de educação e saúde. “Estes são dois eixos prioritários do governo Temer no que diz respeito ao processo de privatização”, explicou.

Ela destacou ainda o estudo feito pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) que mostra que nos 100 dias do governo ilegítimo de Temer, já foram pelo menos 100 direitos retirados da classe trabalhadora. “A partir do dia 30, a situação vai piorar”, alertou a deputada.

Autoritarismo

Ana Lúcia lamentou ainda que o pedido feito por ela ao Senado para acompanhar a sessão especial em que Dilma apresentará sua defesa foi negado. A justificativa é de que, por questões de segurança, apenas senadores, ex-senadores e deputados federais poderão participar da sessão. “Isso nos indica o cenário que estamos vivenciando, que caminha para um regime totalitário”, lamentou. 

 

Por Ascom Parlamentar Dep. Ana Lúcia