Diante do cenário de iminente Golpe institucional no país, a luta pela democracia foi, mais uma vez, tema do pronunciamento da deputada estadual Ana Lúcia, nesta quarta-feira, 11, na tribuna da Assembleia Legislativa. Após registrar as diversas manifestações realizadas em Lagarto, Poço Redondo, Propriá e Aracaju contra o golpe na última terça-feira, 10, Ana Lúcia lamentou dois episódios que denunciam o caminho para o qual o país está caminhando: o de cerceamento da democracia e da liberdade e de deslegitimação das manifestações das classes populares.

O primeiro episódio diz respeito à manifestação realizada em Lagarto, em frente a residência do deputado Fábio Reis, que votou a favor do Golpe. Ana Lúcia lamentou ter sido surpreendida por matérias na imprensa sergipana criminalizando os trabalhadores que organizaram a manifestação: professores e professoras, militantes do MST, juventude universitária, sindicato dos trabalhadores rurais, entre outros.

Hoje pela manhã, as lideranças estavam sendo rotuladas de vândalos, baderneiros, vagabundos. É isso que está sendo construído em nosso país: a organização dos trabalhadores sendo censurada. Os trabalhadores usam os instrumentos que eles deliberam em suas instâncias e que são possíveis para a classe trabalhadora. Vamos continuar resistindo”, criticou.

Ela prestou sua solidariedade a todos os trabalhadores de Lagarto e reafirmou seu apoio aos manifestantes, na resistência, na luta e no sonho de concretização de uma verdadeira democracia em nosso país. “Fica aqui também o nosso protesto diante de tanta violencia verbal e de tanto rótulo e estigma contra os trabalhadores organizados”, apontou.

O segundo episódio de cerceamento da liberdade registrado pela parlamentar foi contra 73 mulheres delegadas da Conferência Nacional de Mulheres que foram detidas após se manifestarem pacificamente contra o Golpe, entoando palavras de ordem para dois deputados golpistas que entraram na aeronave onde elas se encontravam. “É esse o país que nós queremos? É essa a democracia que nós queremos? Que pessoas violentas, envolvidas em processo de corrupção é que estabelecem e rotulam os trabalhadores?”, questionou a deputada.

Sensibilidade social no TRT

Ana Lúcia também usou a tribuna para parabenizar o advogado Thenisson Santana Dória, que foi nomeado pela presidente Dilma Rousseff para o cargo de Juiz do Trabalho do Tribunal Regional do Trabalho da 20ª Região. “Dr. Thenisson tem uma história muito bonita. É um advogado trabalhista, com sensibilidade social e em defesa dos direitos humanos. Desejo muito sucesso, muita tranquilidade no exercício de sua função e que o direito dos trabalhadores sejam assegurados”, destacou.

Ana Lúcia esclareceu que, ao contrário do que foi veiculado na imprensa sergipana, a nomeação não é fruto de uma articulação do Partido dos Trabalhadores, mas de grande movimentação de uma ampla frente de entidades sindicais e de classe, movimentos sociais e lideranças políticas.

Entre as entidades que se articularam pela nomeação do novo Juiz estão todas as seccionais da OAB, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) nacional e de Sergipe e suas entidades filiadas, União Geral dos Trabalhadores (UGT) de Sergipe e sindicatos filiados, Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil de Sergipe (CTB) e seus sindicatos filiados, MST, Frente Sergipana Brasil Popular e todas as entidades que integram a frente.

Esta é a maior articulação que nós já vimos para que seja nomeado um desembargador no Tribunal do trabalho. Pela primeira vez na história 19 ministros do Supremo Tribunal do Trabalho solicitaram oficialmente à Presidenta Dilma a sua nomeação”, complementou a parlamentar, destacando que os governadores do Piauí, Ceará e Bahia, além dos deputados federais João Daniel (SE), Ana Júlia (PA), diversos deputados da Bahia e Ceará e do Senador Tião Viana (AC), também se movimentaram em defesa da nomeação.

Esta foi uma vitória daqueles que acreditam que a sociedade tem que ser de iguais, justa e que tem valores como a solidariedade e fraternidade. Todos que tem estes sonhos, juntos, independente de qual cargo estão ocupando, seja ele Ministro ou cidadão trabalhador ou desempregado, referendaram e comemoraram a nomeação”, finalizou.

Por Ascom Parlamentar Ana Lúcia (Débora Melo)