A Assembleia Legislativa de Sergipe amplia seu compromisso com a cultura e a comunicação pública ao lançar, por meio da TV Alese (canal aberto 5.2 digital), o programa “Tela Sergipana”, que estreia no próximo dia 2 de março, às 18h30, logo após o Jornal da Alese. A iniciativa cria um espaço permanente na grade da emissora dedicado exclusivamente à exibição da produção audiovisual sergipana, reforçando o papel da TV pública na valorização da identidade cultural e na democratização do acesso ao cinema.
Além da transmissão em sinal aberto, o público poderá acompanhar o conteúdo pelo canal oficial da emissora no YouTube, ampliando o alcance das obras para além da televisão tradicional.
Comunicação pública e valorização cultural
O “Tela Sergipana” surge como resposta a uma demanda histórica do setor audiovisual local: a necessidade de ampliar os espaços de exibição para produções realizadas no estado, muitas delas viabilizadas por meio de editais públicos e que, apesar de circularem em festivais nacionais, nem sempre chegam ao grande público.
Para o cineasta, produtor cultural e mestre em Geografia Sérgio Borges, apresentador do programa, a abertura da grade da TV Alese representa um avanço estratégico.
De acordo com ele, emissoras públicas vinculadas ao Poder Legislativo possuem um papel que vai além da cobertura institucional. “Ao exibir a produção cultural do estado, a televisão pública contribui para fortalecer a economia criativa, incentivar o turismo cultural e preservar o patrimônio histórico e imaterial. É uma forma de devolver à sociedade obras realizadas com recursos públicos e ampliar o acesso da população às próprias narrativas”, destaca.
A proposta do programa dialoga diretamente com a missão da Assembleia Legislativa de promover cidadania, transparência e participação social, agora também por meio da cultura.
Primeira temporada: memória, território e pertencimento
A primeira temporada do “Tela Sergipana” reúne quatro documentários dirigidos por Sérgio Borges: Rua Aurora, Doce Exílio, Chica Chaves e Jacinta Passos. As obras compartilham um eixo temático comum: a relação entre território, memória e identidade.
A estreia será com “Rua Aurora”, documentário que percorre uma das áreas mais emblemáticas de Aracaju. O filme apresenta transformações urbanas, aspectos arquitetônicos e diferentes ocupações sociais da via ao longo do tempo, revelando como um espaço urbano pode sintetizar a própria história da cidade.
Em “Doce Exílio”, o foco recai sobre o período em que o escritor Jorge Amado viveu em Estância, entre 1933 e 1939. O documentário investiga como a passagem do autor por Sergipe influenciou sua trajetória literária, preenchendo lacunas pouco exploradas de sua biografia.
Já “Jacinta Passos, se me quiseres amar” resgata a trajetória da poeta sergipana que enfrentou perseguição política durante a ditadura militar. A obra reconstrói sua atuação intelectual e política, devolvendo visibilidade a uma personagem histórica que marcou a cultura e a resistência no estado.
O documentário “Chica Chaves” apresenta uma cartografia afetiva do Bairro Industrial, em Aracaju, reunindo memórias pessoais, referências literárias e relatos que ajudam a compreender as transformações sociais e urbanas da capital sergipana.
Cinema como instrumento de memória coletiva
Com atuação reconhecida na produção audiovisual sergipana, Sérgio Borges construiu uma filmografia voltada à preservação da memória e à formação de público, especialmente entre estudantes da rede pública.
Mestre pela Universidade Federal de Sergipe, o cineasta utiliza conceitos da Geografia Cultural, como território, pertencimento e identidade, como fundamentos narrativos de seus filmes. Para ele, o documentário exerce uma função social e educativa.
“O cinema registra histórias, vozes e personagens que poderiam se perder com o tempo. É uma ferramenta de preservação da memória coletiva e também de formação crítica”, afirma.
Ele defende ainda a aproximação entre audiovisual e educação, por meio de mostras estudantis e exibições em escolas públicas, fortalecendo a construção de público e estimulando novos realizadores.
Momento do audiovisual em Sergipe
Ainda de acordo com Sérgio, o lançamento do programa ocorre em um contexto de crescimento gradual do setor audiovisual no estado. Nos últimos anos, Sergipe ampliou sua participação em editais nacionais e consolidou festivais e mostras locais, além da formação acadêmica na área.
“Todavia, o estado enfrenta desafios estruturais, como a dependência de recursos públicos, a limitação de patrocínios privados e a escassez de espaços permanentes de exibição. Nesse cenário, o “Tela Sergipana” se posiciona como uma vitrine estratégica para a produção local, preenchendo uma lacuna na televisão aberta e contribuindo para fortalecer a cadeia produtiva do audiovisual sergipano. Ao abrir espaço fixo para documentários e outras produções independentes, a TV Alese amplia seu papel como emissora pública comprometida com a cultura, a memória e a valorização do povo sergipano”, conclui.
Fotos: Divulgação / Arquivo Sérgio Borges


