Por Aldaci de Souza – Rede Alese

Aconteceu na manhã desta terça-feira, 10, no plenário da Assembleia Legislativa de Sergipe, palestra sobre o Plano de Desenvolvimento Estadual Sustentável 2020. A iniciativa é do presidente da Alese, deputado Luciano Bispo (MDB), que se soma ao projeto pioneiro entre as casas legislativas, visando obter uma ferramenta de gestão ancorada em informações sustentáveis, dando condições de fazer propostas ao Poder Executivo, com base em um documento produtivo através da Fundação Dom Cabral.

Marcelo Barberino, coordenador do plano na Alese

De acordo com o coordenador do Plano de Desenvolvimento Sustentável na Assembleia Legislativa de Sergipe, Marcelo Barberino, o plano é dividido em três pilares.

“O primeiro trata-se do desenvolvimento entre as partes quanto à escuta ampliada, o segundo é a ampla discussão com o Poder Executivo e a finalização que é um produto factível para ser aplicado. Isso surgiu dentro de uma necessidade que o estado passa hoje pra identificarmos as potencialidades socioeconômicas. Nossa economia está tentando se reerguer e Sergipe não é uma ilha, então a Casa Legislativa dá um salto nessa iniciativa inovadora, de propor um estudo que vai diagnosticar dentro do estado, as suas potencialidades que são muitas”, entende.

Fundação Dom Cabral

Palestra aconteceu por iniciativa do presidente Luciano Bispo

Na ocasião, o professor-doutor da Fundação Dom Cabral, Humberto Falcão Martins falou sobre o conceito de planejamento como um processo que trata essencialmente da construção do futuro.

“É um processo que não cabe apenas dentro de um poder constituído no estado e nesse sentido a Assembleia Legislativa de Sergipe está fazendo história, criando e demonstrando que pode ser viável o desenvolvimento em condições melhores das existentes”, ressalta acrescentando que a missão da Fundação Dom Cabral em Sergipe é apoiar na tarefa de elaborar o plano de desenvolvimento.

Humberto Falcão explicou que trata-se de um planejamento do futuro do estado. “A gente sabe que o estado tem muitas potencialidades, então a função básica de um plano de desenvolvimento é identificar as potencialidades, elaborar e propor formas de fortalecê-las para melhor aproveitá-las no sentido de gerar bem-estar para o futuro, ou seja, gerar riqueza para os cidadãos de Sergipe”, explica.

Visão de futuro

Sobre a proposta da Assembleia Legislativa, o representante da Fundação Dom Cabral foi enfático: “É muito louvável que a Assembleia tenha tomado essa iniciativa que vai se entrelaçar com a iniciativa do executivo estadual, que está caminhando nessa direção também, de elaborar um plano de desenvolvimento no âmbito da função de planejamento estadual; é muito importante que os parlamentares tenham tido essa iniciativa; essa visão e a preocupação com o futuro”, reitera.

“Quando o governo estiver pronto para debater diretrizes, condicionantes e regras relativas ao desenvolvimento de Sergipe, a Assembleia estará pronta e preparada para tirar o máximo de proveito em prol de um projeto melhor de desenvolvimento”, acredita.

Sergipe 2050

Guilherme Rebouças destaca o Sergipe 2050

Também participou da palestra, o coordenador do Projeto Sergipe 2050, do Governo de Sergipe, Guilherme Rebouças. Segundo ele, o governo estadual está preparando um plano com um olhar um pouco mais para a frente, a partir da reinauguração de um conceito de desenvolvimento da participação das várias entidades empresariais do terceiro setor e das prefeituras.

“Essas entidades todas juntas vão discutir e propor ações no âmbito de cada uma delas no âmbito de cada uma delas para esse plano de longo prazo do estado. Vamos ter o primeiro insumo para a discussão desse plano que Fundação Dom Cabral vai entregar à Assembleia; a primeira pauta para assumirmos com todas as entidades, para começar as discussões com a sociedade sergipana na definição do futuro para Sergipe”, complementa.

Parlamentares

O deputado Zezinho Guimarães (MDB), lembrou que Sergipe está na contramão do desenvolvimento e a dependência do setor público está acima da média.

“Tem estudos mostrando que a gente estava entrando num buraco negro e sendo puxado e está evidente que somos hoje praticamente o último estado do Nordeste. Se a gente olhar a receita corrente líquida, somos a última da região; petróleo e gás, estamos na contramão, a gente desce e o Brasil sobe; na exportação nosso principal produto é o suco e não temos uma política e é bom que o planejamento trabalhe o futuro com mais foco, pois a citricultura está cada vez mais decadente. Mas vocês estão de parabéns, o retrato está muito bem posto, vamos ver se a gente tem coragem de planejar o futuro, o planejamento é importante, mas a gente precisa que as pessoas entendam o recado”, afirma sugerindo que seja feito um grande mapeamento da cadeia produtiva de gás, visando atrair empresas.

O deputado Georgeo Passos (CIDADANIA) parabenizou a iniciativa da Assembleia e a Fundação Dom Cabral por estar estudando o estado de Sergipe.

“Isso é importantíssimo para que a gente aqui na Assembleia tenha uma noção no geral, pois às vezes a gente fica segmentado numa área e quando vê numa amplitude maior, verifica que o problema é grave. Com o que foi mostrado aqui hoje é a realidade, não tem como esconder; lógico que temos potencialidades a exemplo do turismo e do gás e esperamos que tenhamos um futuro melhor”, aguarda.

Ao final, o presidente Luciano Bispo disse ter ficado muito satisfeito com os dados expostos.

“Estou feliz e acho que a Alese acertou, aqui não estamos para cobrar passado de ninguém; os estudos serão bons para pensarmos no futuro de Sergipe, mostrando as condições de e destacando a produção do suco de laranja,  a importância da exportação das joias folheadas de Itabaiana para o mercado chinês e o mercado americano. Itabaiana hoje gera mais de 2 mil empregos diretos nesse setor de joias folheadas. Pelo que eu vi hoje aqui, já estou satisfeito. A Assembleia acertou com a preocupação pelo futuro de Sergipe”, reafirma.

A mesa foi composta pelo presidente Luciano Bispo, os representantes da Fundação Dom Cabral, Humberto Falcão e Bruno Paixão; o coordenador do Plano de Desenvolvimento Sustentável na Alese, Marcelo Barberino e o coordenador do Projeto Sergipe 2050, do Governo de Sergipe, Guilherme Rebouças.

Fotos: Jadilson Simões