O pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, encaminhado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), foi alvo de duras críticas do líder do governo na Assembleia Legislativa, Francisco Gualberto. A entidade, segundo o parlamentar, transformou-se na ‘musa do golpe’ por ter apoiado, de acordo Gualberto, o golpe que os militares deram em 1964. “Um golpe nefasto que torturou, matou, cegou, aniquilou liberdades individuais e coletivas, que implantou a Rede Globo e jogou corpos no mato e no mar”, observou.
Gualberto disse que hoje, 31 de março, o país está lembrando os 52anos do golpe que instaurou a ditadura militar e frisou que está em marcha um novo golpe, desta vez sem a força militar, mas com o aval de representantes da sociedade civil. De acordo com o deputado, para que o Brasil retomasse as garantias de liberdade muitas pessoas foram mortas, várias vidas foram ceifadas e que os porões da ditadura estão sendo revelados. “Só agora a Comissão da Verdade está destrinchando a verdade”.
O deputado disse que em 64 o golpe não teve apenas a intervenção militar, o braço armado dos quarteis, pois segundo o parlamentar setores da sociedade, além da Rede Globo ‘e lamentavelmente a OAB, a musa do golpe’, apoiaram a ação militar. “A OAB apóia qualquer golpe, tem golpe estou lá. Agora tentam pedir o impeachment com argumentos frios e calculistas, argumentos infantis”, salientou.
A postura da Ordem dos Advogados do Brasil de ter apoiado o golpe de 64 e agora buscar o impeachment de Dilma Rousseff é vista pelo deputado como um agradecimento a uma prerrogativa única no mundo, que garante à ordem definir quem pode ou não exercer a função de advogado. “Será que a postura de apoiar o golpe não é o pagamento dessa prerrogativa que só a OAB tem? Qualquer advogado que se forma no Brasil só é advogado se a OAB der uma carteirinha. Os cursos superiores não formam advogados, só bacharéis”.