Por Habacuque Villacorte – Rede Alese

Durante a audiência pública realizada no plenário da Assembleia Legislativa, na manhã dessa sexta-feira (17), promovida pelo deputado estadual Iran Barbosa (PT), sob o tema “Saúde Mental será sempre resistência! O cuidado em liberdade é o caminho”, uma das palestrantes do evento, a especialista em Atenção Psicossocial e Saúde Mental, Mônica Trindade, pontuou que as verbas a serem repassadas para os CAPs (Centro de Atenção Psicossocial) estão “congeladas”, comprometendo a prestação dos serviços.

Mônica Trindade exaltou o fato de ter muitas pessoas acompanhando a audiência, mas lamentou que a Saúde Mental é o “patinho feio sempre deixado de lado”. Segundo ela o olhar dos gestores públicos com a área é muito abaixo da necessidade. Ela disse ainda que o Ministério da Saúde emitindo uma nota aumentando o repasse para investimentos em hospitais psiquiátricos, “enquanto isso os CAPs sofrem com a verba congelada, diante o crescimento da demanda e os repasses não acompanham”.

Ela pontuou ainda que as consequências desses impasses são os atendimentos superlotados, com as equipes reduzidas e a rede de serviços não funcionando a contento. “Faltam recursos materiais para os grupos que, mesmo com todas as dificuldades, conseguem reduzir as demandas, quanto às internações nas urgências e emergências. A família fica mais próxima do usuário. Essas pessoas precisa de respeito e alguns profissionais infelizmente dificultam o tratamento. Pelo menos existem pessoas envolvidas com a causa”.

Risco e Danos

Em seguida, quem também se manifestou foi o presidente da Associação Sergipana de Redução de Riscos e Danos (Assereda), Sérgio Andrade, que fez uma exposição sobre os problemas com álcool e outras drogas. “Estamos em um momento complexo de desconstrução. A pessoa que é viciada em bebida, por exemplo, é visto de uma forma preconceituosa, como se fosse alguém perigoso. Muitas dessas pessoas tinham um tratamento equivocado, sendo jogadas em manicômios, sem diferenciação”.

Sérgio Andrade ressaltou que a entidade que preside tem 22 anos de história e cresceu absorvendo projetos sociais de outras entidades, como o “Periferia Cidadã” e os “Jovens Saudáveis”. “Por tudo isso passa a redução de riscos e danos. Existem diversos níveis de dependência. Com a Redução de Danos você vai quebrando paradigmas, aproxima os usuários dos serviços. Antes até a linguagem assustava eles. É preciso ter uma estratégia de aproximação”.

Por fim, Sérgio Andrade lembrou que são vários os motivos que levam ao consumo abusivo de álcool e que é necessária uma estratégia terapêutica. “Passamos a ter ganhos enormes nos municípios que começaram a absorver a ideia, incluindo em outras áreas de capacitação. Começaram a entende o conceito de Riscos e Danos na atenção básica. Infelizmente há muita hipocrisia do Estado que permite o uso abusivo de álcool e reprime outras drogas”.

Saúde Mental

O representante dos usuários da Rede de Saúde Mental, Joaldo Marcelo dos Santos, também falou para os presentes na audiência pública e comparou os CAPs com os manicômios com a disputa entre ‘Davi e Golias’”. “Muitas vezes a pessoa se acostuma com a necessidade e vicia. Muitos não têm tempo de tomar remédios fortes e depois voltar a tomar o remédio normal. No CAPs não é só o médico, tem a equipe toda. Quero parabenizar o deputado federal Paulo Delgado (PT/MG), que começou a luta psiquiátrica. Nossa campanha é sim para os CAPs e não para os manicômios”.

 

Fotos: Júnior Matos