Por Stephanie Macêdo

A Santa Dulce dos Pobres (in memoriam), recebeu, na tarde desta terça-feira (16), no plenário da Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese), o Título de Cidadania Sergipana. Na oportunidade, a Alese outorgou à entidade ‘Obras Sociais Irmã Dulce (OSID)”, a Medalha do Mérito Parlamentar- maior honraria da Casa Legislativa. A irmã de Santa Dulce, Ana Maria Lopes Pontes, que é conselheira da OSID, recebeu ambas honrarias.  O presidente da Alese, deputado Luciano Bispo (MDB) é o autor das homenagens.

“Ela veio ao mundo para fazer milagres”, disse Luciano Bispo sobre Santa Dulce.

Durante a solenidade, Luciano Bispo agradeceu aos colegas deputados por apoiarem as honrarias e destacou que o título foi concedido a Santa Dulce por sua obra de vida em prol dos mais pobres e necessitados e pelo exemplo da sua dedicação incondicional ao outro. “Ela veio ao mundo para fazer milagres. A sua trajetória de vida foi dedicada a cuidar do próximo e ajudar os mais pobres. O seu primeiro milagre foi em Itabaiana, na Maternidade São José. Com isso, temos por obrigação e dever torná-la cidadã sergipana e de conceder a honraria maior desta Casa a uma instituição que nasceu dentro de um galinheiro, a fim de  brigar pobres e doentes recolhidos das ruas de Salvador. Então, a Santa Dulce merece isso e muito mais”, declarou o presidente, autor das proposituras.

Segundo revelou irmã da homenageada, Ana Maria Lopes Pontes, Santa Dulce tinha enorme amor pela cidade de São Cristóvão. “Ela disse que o dia mais feliz da vida dela foi o dia que ela recebeu o hábito na cidade de São Cristóvão”. Na oportunidade, agradeceu o título dado pelo Poder Legislativo de Sergipe à Santa Dulce  e pelo  reconhecimento dado à instituição OSID.

“Ela disse que o dia mais feliz da vida dela foi o dia que ela recebeu o hábito na cidade de São Cristóvão”, revela a irmã de Santa Dulce, Ana Maria Lopes Pontes.

“A  comenda é muito merecida porque é um hospital totalmente SUS, bom atendimento de ambulatório e diário, de mais de duas mil pessoas. São doze mil cirurgias por ano, são três milhões e quinhentos mil procedimentos ambulatoriais, quinhentas internações, e com sete mil funcionários”, orgulha-se da continuidade das obras iniciadas pela Irmã Dulce, datadas em 1949, onde, sem ter para onde ir com 70 doentes, pediu autorização a sua superiora para abrigar os enfermos em um galinheiro situado ao lado do Convento Santo Antônio. O episódio fez surgir a tradição de que o maior hospital da Bahia nasceu a partir de um simples galinheiro. 

A miraculada de irmã Dulce, Cláudia Araujo, participou da solenidade e recorda milagre que levou à beatificação. Ela conta que  sofreu forte hemorragia após dar à luz seu segundo filho, e teve a vida salva por intercessão de santa Dulce. “Realmente o que toda a minha família esperava é que eu ia morrer mesmo, mas que graças a Deus e a intercessão de irmã Dulce estou aqui para contar a história, para agradecer a Deus, e dizer que milagres existem, e vamos ter fé, nem que seja um grãozinho de mostarda”, conta emocionada.  O fato ocorreu em Itabaiana, no ano de 2001.

Vice-governadora, Eliana Aquino, participa da solenidade.

A vice-governadora, Eliana Aquino, destacou que honrarias referendam  o amor e o carinho do povo sergipano para com a Santa. “Que ela nos proteja e proteja a todos os sergipanos, nos dando saúde e paz. E o exemplo que fez,  nos sirva como lição. Que possamos olhar para o próximo com o olhar de amor e respeito”, disse.  

Marcos Santana, prefeito de São Cristóvão, salienta que o povo sancristovence  sente uma alegria carregada de emoção. “A obra dela em Salvador é conhecida no mundo inteiro, mas foi em São Cristóvão que a obra dela começou, foi o desabrochar para a vocação religiosa e sentimos a presença dela em nossa terra. Isso nos deixa alegres por ter sido a sede inicial dessa obra nos idos de 33”, destacou.

Deputada Maria Mendonça lembra do primeiro milagre da Irmã, em Itabaiana

A deputada Maria Mendonça frisou que a homenagem tem todo mérito. “O seu primeiro milagre foi na Maternidade São José em Itabaiana. Pedimos a Irmã, Santa Dulce dos Pobres, que interceda pelo nosso parlamento, pelo nosso Estado. Que essa Casa seja de muita harmonia, de paz. Que nosso estado cresce cada vez mais na fé do nosso povo”.

Livro

Na ocasião da solenidade, ocorreu o lançamento do livro ‘Caminhos da Santa Dulce dos Pobres em versos’, do escritor e andarilho Ancelmo da Rocha. O livro retrata a bela história registrada em terras sergipanas, desde o início de sua vida religiosa até milagre realizado.

Durante solenidade, o escritor e andarilho Ancelmo da Rocha, lança o livro ‘Caminhos da Santa Dulce dos Pobres em versos’.

“Foi uma honra muito grande escrever esse livro. Ele surgiu do caminho trilhado por Santa Dulce dos Pobres.  Nossa proposta foi criada em julho de 2019, um dia após o Vaticano ter divulgado que a Irmã seria santificada. Nós aproveitamos para fazer  uma homenagem, através de um caminho, que vai de Itabaiana, onde ocorreu o primeiro milagre, e vai até Salvador, até o Santuário Irmã Dulce.  São 464km, que só Deus e Santa Dulce sabe como é fazer essa peregrinação”, destaca.

Biografia

Irmã Dulce foi uma freira brasileira, nascida em Salvador no dia 26 de maio de 1914. Recebeu o nome de Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes.  Aos 13 anos, graças a seu destemor e senso de justiça, Irmã Dulce passou a acolher mendigos  e doentes em sua casa, transformando a residência da  família num Centro de Atendimento. A Casa ficou conhecida como Portaria de São Francisco. O “anjo bom da Bahia”, como assim era reconhecida, morreu em seu quarto, de causas naturais, aos setenta e sete anos, às 16h45 do dia 13 de março de 1992, ao lado de pessoas queridas por ela, como as irmãs do convento. Seu corpo foi sepultado no alto do Santo Cristo, na Basílica de Nossa Senhora da Conceição da Praia e depois transferido para a Capela do Hospital Santo Antônio, centro das Obras Sociais Irmã Dulce. Foi canonizada em 13 de outubro de 2019 pelo papa Francisco com o título de Santa Dulce dos Pobres, sendo a primeira santa nascida no Brasil. Em 8 de fevereiro de 1933, após se formar professora primária, entrou para a Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, na cidade de São Cristóvão, em Sergipe.

 

Fotos: Joel Luiz