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Linda Brasil destaca ações pelo Dia Internacional da Mulher

Durante sessão na Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese), a deputada estadual Linda Brasil (Psol) destacou diversos assuntos. Entre eles, ressaltou que o Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, é uma data de luta por direitos e enfrentamento à violência, e não apenas de celebração simbólica. A parlamentar informou que protocolou duas Indicações voltadas à saúde da mulher. A primeira propõe a implantação de um cadastro único estadual com prontuário eletrônico integrado, em regime de cooperação com os municípios, com o objetivo de garantir continuidade no atendimento, especialmente a gestantes e mulheres em situação de vulnerabilidade.

Segundo Linda Brasil, a ausência de integração entre os sistemas municipais de saúde gera repetição de exames, retrabalho e descontinuidade no cuidado. “É transformar tecnologia em ferramenta de cuidado e colocar a vida das pessoas no centro da gestão pública”, afirmou. A segunda Indicação trata da elaboração de um plano para fornecimento de analgesia a parturientes que desejem parto normal no Sistema Único de Saúde (SUS). A deputada defendeu que parto humanizado deve significar autonomia, dignidade e acesso ao alívio da dor.

No Grande Expediente, a parlamentar alertou para os índices de feminicídio no país e em Sergipe, defendendo ações integradas entre os órgãos estaduais para fortalecer a rede de proteção às mulheres. Ela mencionou dados nacionais que apontam a gravidade do problema e destacou a importância de políticas públicas com recorte interseccional. “Mais um mês de março chega e vemos propagandas e alusões ao 8 de março, Dia Internacional da Mulher. Sempre reforçamos que não é uma data apenas para celebrar. Enquanto o machismo e a misoginia estiverem presentes, este dia deve servir para denunciar uma tragédia que insiste em se repetir em nossos lares e ruas. Infelizmente, o sangue de nossas mulheres continua sendo derramado pela misoginia e pelo ódio”, declarou.

A deputada também citou o caso recente de uma adolescente de 17 anos vítima de estupro coletivo no Rio de Janeiro, que chocou o país por evidenciar uma cultura que banaliza esse tipo de violência. Segundo ela, é preciso debater a chamada cultura “redpill”, que tem influenciado jovens com discursos misóginos disseminados nas redes sociais. “Não se trata de um debate abstrato. Estamos falando de conteúdos que promovem a dominação masculina, a desumanização das mulheres e a naturalização da violência, impulsionados pelos algoritmos das plataformas digitais”, afirmou.

Linda Brasil destacou ainda que os números de 2025 são alarmantes. “No Brasil, fechamos o ano passado com um recorde estarrecedor: 1.470 mulheres foram assassinadas apenas por serem mulheres. São quatro vidas ceifadas por dia”, pontuou. Ela também mencionou dados do Laboratório de Estudos de Feminicídios, que apontam mais de 6.900 vítimas entre casos consumados e tentados em todo o território nacional no último ano.

Em Sergipe, segundo a deputada, 13 mulheres foram vítimas de feminicídio em 2025. Somente no mês de dezembro, cinco mulheres foram mortas em um intervalo de 19 dias. “É um aumento inaceitável, que evidencia a necessidade de políticas públicas preventivas mais eficazes”, ressaltou. A parlamentar chamou atenção para o recorte racial das estatísticas, destacando que, no Brasil, 64% das mulheres assassinadas são negras. Também criticou a invisibilização do transfeminicídio e a exclusão de mulheres trans das estatísticas oficiais e das políticas de acolhimento.

Linda Brasil informou ainda que protocolou um Projeto de Lei que cria o Programa Estadual de Proteção e Atenção aos Órfãos e Órfãs do Feminicídio em Sergipe. “Quando uma mulher é morta, o Estado falha duas vezes: primeiro ao não protegê-la e, depois, ao abandonar seus filhos”, afirmou. Segundo ela, no último ano, mais de 1.600 crianças ficaram órfãs no Brasil em decorrência desse crime.

A deputada convidou a população para a Audiência Pública promovida pela Comissão de Cidadania e Direitos Humanos, em alusão ao 8 de março, com o tema “Onde o Estado falha na proteção das mulheres sergipanas?”, a ser realizada nesta sexta-feira, dia 6, às 9h, na Sala de Comissões da Casa Legislativa.

Também convidou para o ato unificado do dia 8 de março, que acontece no domingo, às 8 horas, com concentração na Rua Cleovansóstenes dos Santos, no bairro Bugio, com o mote: “Pela vida das mulheres: chega de feminicídio, transfeminicídio e racismo”.

Foto: Jadilson Simões/Agência de Notícias Alese

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