A deputada estadual Linda Brasil (Psol) utilizou a Tribuna da Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese), na manhã desta quarta-feira (25), para abordar temas relacionados à crise do abastecimento de água no estado, à mortalidade materna e infantil e ao julgamento dos acusados pelo assassinato da vereadora, no Rio de Janeiro, Marielle Franco.
No Pequeno Expediente, a parlamentar avaliou como insatisfatórias as explicações apresentadas durante a reunião realizada ontem (24), com representantes da Empresa Iguá Saneamento e da Agência Reguladora de Serviços Públicos de Sergipe (Agrese), que tratou da crise no abastecimento de águano estado. Linda Brasil criticou a concessão dos serviços anteriormente executados pela Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso) e afirmou que, embora a empresa alegue investimentos superiores a R$ 250 milhões em algumas localidades, os resultados ainda não são percebidos pela população. Segundo a deputada, além da permanência da falta de água em diversas regiões, continuam sendo registradas cobranças consideradas indevidas, inclusive relacionadas a poços artesianos e fontes alternativas.
A parlamentar também questionou a exclusão de cerca de 1.200 povoados e comunidades tradicionais do contrato de concessão, ressaltando que o acesso à água é um direito fundamental. Diante das respostas que classificou como evasivas e da limitação de tempo para questionamentos na reunião, Linda Brasil voltou a defender a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para aprofundar a apuração dos fatos, cobrar prazos concretos e garantir maior transparência no cumprimento do contrato.
“O povo sergipano quer água na torneira e respeito. Então, é importante que esta Casa, além de escutar, cobre resultados positivos. Por isso, defendo a CPI para que tenhamos mais tempo de tratar cada ponto separadamente, pois foi possível perceber uma consonância nas falas tanto do representante da Agrese quanto da Iguá, em uma tentativa de minimizar a situação difícil que a população está enfrentando”, enfatizou.
Já no Grande Expediente, a deputada destacou sua participação na reunião do Comitê de Prevenção de Mortalidade Materna, Infantil e Fetal de Sergipe. Segundo as informações debatidas, 66,4% das mortes infantis registradas são classificadas como evitáveis, índice que, conforme relatado, vem crescendo nos últimos anos. Linda Brasil afirmou que a situação evidencia falhas no pré-natal, na assistência ao parto e no cuidado neonatal, além da carência de profissionais em diversas áreas da saúde.
A deputada defendeu o fortalecimento de políticas públicas permanentes, a ampliação do quadro de profissionais e maior transparência na divulgação dos dados por parte da Secretaria de Estado da Saúde. “Se é evitável, há responsabilidade pública. O que foi apresentado é muito grave: o aumento de óbitos evitáveis, tanto de mães quanto de bebês. Estamos falando de vidas humanas, e isso é muito sério. Ficou evidenciado, de acordo com as falas apresentadas, que faltam profissionais em várias áreas para atuar no Estado. Foi apresentada uma carência significativa desses profissionais, além da ausência de uma política pública permanente de contratação que garanta estabilidade e continuidade na prestação dos serviços. Isso compromete a qualidade do atendimento e, infelizmente, contribui para o aumento desses índices. As escalas de pediatria, segundo o próprio Sindicato dos Médicos e o Comitê, não são satisfatórias”, pontuou.
Ao final do pronunciamento, Linda Brasil destacou a importância do julgamento, pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), dos acusados de participação no assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. “Hoje é um dia muito importante para a democracia do Brasil. No dia 14 de março de 2026, completam-se oito anos do brutal assassinato de Marielle Franco. A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal deve concluir o julgamento dos acusados de participação nesse crime”, afirmou.
São réus no processo o conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro, Domingos Brazão; o ex-deputado federal Chiquinho Brazão; o ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Rivaldo Barbosa; o major da Polícia Militar, Ronald Alves de Paula; e o ex-policial militar Robson Calixto. Todos respondem ao processo sob prisão preventiva. “É preciso que haja punição para que sirva de exemplo e que as investigações contra milicianos sejam contínuas em todo o Brasil”, concluiu.
Foto: Jadilson Simões/Agência de Notícias Alese
