No último dia 26 de fevereiro, completou-se cinco anos do primeiro caso de Covid-19 confirmado no Brasil.
Menos de um mês após a confirmação do “paciente zero”, o Ministério da Saúde declararia o estado de transmissão comunitária em todo o território nacional e posicionaria-se de acordo com as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS). Com o objetivo de “achatar a curva” de contágio, foi adotado o distanciamento social e assim evitar o colapso do nosso sistema de saúde. Naquele momento, chegava oficialmente ao país, a Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII) que, quase um mês antes, havia sido decretada pela OMS.
Covid em Sergipe
Em 14 de março de 2020, o primeiro caso do novo coronavírus no Estado de Sergipe foi confirmado em Aracaju. O paciente era uma mulher de 36 anos com histórico de viagem à Europa.
O que veio depois, todo mundo ainda lembra: o esforço de se desvendar um vírus altamente transmissível, uma corrida contra o tempo para descobrir, produzir e distribuir vacinas que evitassem mortes, uma reengenharia do Sistema Único de Saúde (SUS) para responder ao maior desafio da sua história, a necessidade (e a dificuldade) de isolamento social, crise econômica, negacionismo científico, desinformação e mortes, muitas mortes.
No fatídico 2 de abril de 2020, seria registrado o primeiro óbito pela doença em Sergipe, precisamente na capital. Se tratava de uma mulher de 61 anos, com diabetes e hipertensão e sem histórico de viagem.
A partir deste evento, a pandemia teria um impacto devastador em nosso estado, sobrecarregando hospitais, expondo desigualdades sociais e deixando milhares de famílias em luto. Durante os picos da crise, o que se viu foram UTIs lotadas e filas por oxigênio, cenário que exigiu medidas emergenciais e mobilização de voluntários, médicos e gestores públicos, marcando o início de um dos períodos mais críticos da história recente.
No ano seguinte, em 20 de abril de 2021, o então governador Belivaldo Chagas, sancionaria a Lei nº 8.831, de autoria do ex-deputado estadual, Doutor Samuel Carvalho, que instituiu o 2 de Abril como o “Dia Estadual em memória dos cidadãos que faleceram em decorrência da pandemia da COVID-19“, e o inseriu no Calendário Oficial de Eventos do Estado de Sergipe.
A data, visa homenagear as *6.579 (seis mil e quinhentas e setenta e nove) vítimas da doença no nosso Estado, além de reconhecer o sofrimento de famílias e o trabalho de profissionais de saúde que atuaram na linha de frente. A data memorial serve não apenas para reverenciar os que se foram, mas também para refletir sobre os desafios enfrentados e as lições aprendidas.
Cerimônias e ações simbólicas estão sendo organizadas em Aracaju e no interior, incluindo missas, plantio de árvores e exposições fotográficas que retratam histórias de vidas perdidas. Instituições de saúde e entidades civis também promovem debates sobre saúde pública e prevenção, reforçando a importância da vacinação e do fortalecimento do SUS.
Além da homenagem, o Governo Estadual destaca a necessidade de políticas de apoio aos chamados “enlutados da pandemia”, muitos dos quais ainda enfrentam sequelas emocionais e econômicas.
Para autoridades e movimentos sociais, a iniciativa da Assembleia Legislativa foi um passo importante no resgate da dignidade daqueles que perderam a vida para a Covid e no reconhecimento coletivo desse capítulo trágico da história sergipana.
*Número atualizado, disponível no Portal covid.saude.gov.br
Com informações do Site da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio
Foto de capa: Freepik
Foto interna: Monumento “Árvore de lágrimas”, em homenagem às vítimas da pandemia edificado em 2022 na Pça Fausto Cardoso em Aracaju – Foto: Ana Lícia Menezes