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“Discursos de ódio e comportamentos que remetem ao nazismo não podem ser naturalizados”, afirma Linda Brasil ao anunciar dossiê para denunciar os casos

A deputada estadual Linda Brasil (Psol) denunciou, durante discurso na tribuna da Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese), nesta terça-feira, 27, episódios de discurso de ódio, possíveis casos de assédio eleitoral e tentativas de boicote a eleitores em razão de suas escolhas políticas. A parlamentar anunciou que vai reunir denúncias e registros em um dossiê para cobrar providências das autoridades e alertou para o risco de naturalização de práticas discriminatórias e ameaças à democracia. Para Linda, essas condutas não podem ser justificadas sob o argumento da liberdade de expressão quando envolvem intimidação, incitação à violência ou tentativas de restringir direitos.

Entre os casos mencionados pela deputada estão um comunicado que circula nas redes sociais, que, segundo ela, incentivaria outras pessoas a dificultar o acesso de eleitores a listas de regulação na saúde e a negar oportunidades de emprego a quem votou em candidatos de esquerda. Linda também citou um áudio divulgado por um vereador de Canhoba, que teria se retratado após a repercussão de declarações contra eleitores da esquerda, com estigmatização e de falas que associavam pessoas LGBTQIA+ à criminalidade.

“Isso é um crime, não é uma brincadeira. Se a gente não combater, essas situações serão naturalizadas. É preciso punir e denunciar no Ministério Público”, afirmou a parlamentar, ao defender a apuração dos episódios e a responsabilização dos envolvidos.

A deputada ressaltou que a liberdade de escolha política é um direito democrático e criticou tentativas de constranger cidadãos por suas posições partidárias. Também exibiu um vídeo que lembrou que, na Alemanha, pouco antes do início da Segunda Guerra, foi iniciada uma perseguição às minorias por meio de listas, de falas difamatórias contra os judeus e outras pessoas que não concordavam com as ideias pregadas pelo partido nazista.

“Essas situações de perseguição são equiparadas ao nazismo, em nosso país ele é considerado crime. Além disso, estes comportamentos estão na esfera de disseminação de ódio e perseguição a pessoas e a gente não pode naturalizar e achar que é apenas uma liberdade de expressão. Tudo aquilo que incentiva o ódio e a violência, qualquer tipo de boicote às pessoas que votaram em Lula, é um crime e vai ser tratado no rigor da lei”, declarou.

Ataques à UFS

Durante o pronunciamento, Linda Brasil também criticou manifestações de parlamentares da extrema direita contra a Universidade Federal de Sergipe (UFS) e a atuação do movimento estudantil. Para ela, os ataques à universidade e a tentativa de deslegitimar mobilizações políticas representam uma ameaça ao direito à educação, à liberdade de manifestação e à participação democrática.

“A Universidade Federal de Sergipe sempre foi um berço da política sergipana. A universidade não é apenas para termos conhecimento técnico, é para que tenhamos conhecimento sobre as liberdades e os direitos individuais”, afirmou.

Linda também destacou sua trajetória acadêmica na UFS, onde concluiu a graduação e a pós-graduação, e ressaltou o papel da instituição na formação de cidadãos e na promoção da ciência, da cultura e da diversidade. “Se essas pessoas têm coragem de ir contra uma instituição tão importante para o nosso estado, imagine contra uma pessoa em situação de vulnerabilidade”, declarou.

A parlamentar pediu que a Alese se manifeste sobre os ataques à universidade e alertou para os riscos de discursos que, em sua avaliação, incentivam a perseguição a estudantes, professores, movimentos sociais e grupos historicamente marginalizados.

Dossiê contra discursos de ódio

A parlamentar pediu que a população reúna provas, como capturas de tela, mensagens, áudios e outros registros, para subsidiar as denúncias de perseguição e assédios motivados por divergências políticas. “Peço à população sergipana que denuncie qualquer tipo de assédio. Essas práticas não podem ser naturalizadas. Seja comentário, seja algo nas empresas, print, denuncie na delegacia. Também podem ser encaminhadas para a nossa equipe, através das redes sociais. Vamos fazer um dossiê com esses discursos de ódio e buscar a responsabilização das pessoas que praticarem esses crimes”, afirmou.

Mobilização popular

A parlamentar defendeu a continuidade da mobilização nas ruas e nas redes sociais, diante dos desafios a serem enfrentados considerando a composição do Congresso Nacional, que passaram a ser ocupados por maioria da extrema-direita, com pautas que representam ameaças aos direitos da classe trabalhadora e aos direitos humanos. “Mesmo com a vitória de Lula, temos o desafio de continuar nas ruas e nas redes sociais”, afirmou.

Para Linda é fundamental combater a disseminação de discursos de ódio e garantir condições para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva governe o país. “Vamos atuar para que o discurso de ódio não ganhe espaço e para que o presidente Lula tenha condições de governabilidade. Nossa missão é continuar ocupando as ruas e as redes sociais em defesa da soberania nacional, da democracia e do avanço das pautas em favor da classe trabalhadora”, concluiu.

 

Foto: Jadilson Simões / Agência de Notícias Alese

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