Por Assessoria Parlamentar

Com o avanço de grandes projetos imobiliários e da carcinicultura (criação de camarões) em seus territórios tradicionais, quilombolas, marisqueiras e catadoras de mangaba de Sergipe se veem cada vez mais ameaçados na sua subsistência. Diante desses conflitos e das dificuldades que estão enfrentando, representantes dessas comunidades procuraram o deputado estadual Iran Barbosa (PT) para colocar os problemas existentes nas áreas em que vivem e para pedir apoio às suas lutas.

Catadoras de mangaba das regiões de Aracaju, Barra dos Coqueiros, Indiaroba e Estância estiveram no gabinete do parlamentar, na terça-feira, 10, para expor as graves ameaças que veem sofrendo para garantir a sua subsistência.

Segundo as informações, o avanço da especulação imobiliária em áreas litorâneas, onde se desenvolvem as mangabeiras, muitas delas dentro de reservas ambientais, tem criado enormes dificuldades de acesso aos frutos que garantem, historicamente, a sobrevivência de inúmeras famílias que vivem tradicionalmente da extração e processamento das mangabas. Em alguns casos, com o cerco às áreas e o impedimento de acesso por parte de quem controla essas áreas, catadoras são rotineiramente ameaçadas de morte. Em outras, há simplesmente a derrubada das mangabeiras pelos supostos proprietários das terras.

Outras dificuldades apresentadas pelas catadoras dizem respeito ao reconhecimento da natureza das suas práticas; a inclusão das áreas específicas de atuação das catadoras de mangaba na Reserva Extrativista (Resex) Sul, que ainda não saiu do papel; e a falta de apoio de governos municipais e do Estado para a inclusão do suco de mangaba no cardápio da alimentação escolar.

“São situações muito graves e de grande dificuldade para essas catadoras. Vamos procurar dialogar com os órgãos competentes, tanto em âmbito federal quanto estadual, a fim de buscar os caminhos que atenuem ou resolvam os problemas que essas trabalhadoras e as suas famílias vêm enfrentando em Sergipe, em especial, por conta da forte especulação imobiliária e a construção de grandes condomínios, que acabam isolando essas comunidades das suas áreas de subsistência, que precisam ser asseguradas por serem comunidades tradicionais e preservacionistas”, pontuou Iran.

No mesmo dia, o parlamentar esteve na sede do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em Sergipe, com a sua assessoria, para dialogar sobre a classificação da atividade da extração de mangaba como atividade extrativista vegetal e da silvicultura, bem como a importância socioeconômica das atividades extrativistas para o estado de Sergipe.