Por Kelly Monique Oliveira

Nesta quinta-feira, 16, o coordenador da Central Estadual de Transplantes de Sergipe, Benito Fernandez, apresentou no plenário da Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese) um panorama sobre a conscientização e a importância da doação de órgãos no Estado de Sergipe. Atendendo ao requerimento da deputada estadual Maria Mendonça (PSDB), o especialista ressaltou que as oportunidades de doação de órgão são poucas, pois de 2% a 3% dos óbitos hospitalares no total são por mortes encefálicas. Já nas UTI’s são apenas 14%, portanto, as chances de precisar de transplantes são bem maiores do que efetivamente ser doadores.

Benito enfatizou que a doação de órgão no Brasil representa uma opção de vida para mais de 46 mil brasileiros. “Precisamos ter a consciência de que qualquer um de nós pode estar nesta lista. As pessoas que hoje, aguardam por um transplante, jamais se imaginaram nessa situação, assim como as suas famílias. O transplante renal é uma das modalidades aonde há uma maior demanda e necessidade. Poderemos até falar em uma pandemia de insuficiência renal crônica no mundo”, lamentou o coordenador, reforçando que a cada dia mais pessoas perdem a função renal por conta de hábitos não saudáveis como alimentação industrializada, falta de atividade física ou uso indiscriminado de anti-inflamatório sem prescrição médica. 

Na oportunidade, relatou que o Brasil possui o maior sistema público de transplante do mundo e que 95% das cirurgias são feitas com recursos da União, ou seja, pelo Sistema Único de Saúde (SUS) que oferece assistência integral ao paciente transplantado. “Temos no Brasil uma estrutura muito bem organizada que chamamos de Sistema Nacional de Transplante. Sergipe nunca fez transplante de pulmão e de fígado, mas são captados os órgãos no estado e disponibilizado para sejam transplantados em outras unidades da federação. Sergipe iniciou a fazer transplante renal na década de 80. Somos pioneiros em transplante cardíaco no Hospital Cirurgia e precisamos resgatar esses transplantes no estado. O Hospital do Coração já está autorizado e estamos aguardando a finalização da contratação da SES com a instituição para que retomem o transplante renal”, colocou.

A presidente da Associação dos Renais Crônicos e Transplantados de Sergipe (Arcrese), Adriana Santos Costas, emocionou aos presentes na palestra com sua história de luta pela vida. “Um dia eu fui desenganada e ainda continuo desenganada. Há cinco anos, eu não tinha mais vida. Sou paciente portadora de três doenças crônicas. Tenho 41 anos e em 2013 eu perdi as minhas filhas gêmeas para uma doença desconhecida a insuficiência renal crônica e o lúpus Eritematoso Sistêmico. Eu era uma jovem saudável e, hoje, eu tenho raiva e nojo das pessoas que acham que o físico e o dinheiro são importantes. O importante é doar vida, doar amor… O dinheiro não salvou as minhas filhas e as minhas lágrimas hoje, é de felicidade de ter alguém para dar ouvidos a nós. Eu sou transplantada há 4 anos de rim e de doador cadáver. O sim salva vidas e o sim me deu a chance de ter mais uma filha, que hoje tem 16 anos, mesmo com insuficiência renal. Sejam doadores de órgãos!”, enfatizou.

O deputado estadual Iran Barbosa (PT) propôs reunir a Comissão de Educação da Casa Legislativa para viabilizar uma audiência pública com representantes do Conselho Estadual de Educação para que seja apresentado a preocupação da temática e a importância do processo educacional para estimular a doação de órgãos no estado. Concordando com o colega parlamentar, a autora do requerimento, deputada Maria Mendonça, afirmou que a sociedade precisa ser sensibiliza sobre a doação de órgãos.

“Acho que todo ser humano deveria ter essa clareza de dar continuidade a sua vida em outras vidas. Digo isso porque perdi um irmão com 21 anos, pois não época não existia transplante de coração. Perdi também um afilhado que teve leucemia e que não conseguiu um doador de medula óssea e foi a óbito. Então, eu defendo essa causa com amor”, colocou afirmando que, mesmo não fazendo parte da Comissão de Educação da Alese, estará presente para se pronunciar e por entender a importância de envolver o Conselho Estadual de Educação na causa.

Presença

Estavam presentes a palestra proferida pelo coordenador da Central Estadual de Transplantes de Sergipe, Benito Fernandez, os deputados estaduais João Marcelo (PTC), Georgeo Passos (Cidadania), Iran Barbosa (PT), Jairo de Glória (PRB) e Maria Mendonça (PSDB), a enfermeira da Central de Transplantes, Eliana Oliveira Hora, a coordenadora do APO, Janaina Almeida Santos, o secretário da Arcrese, Elvis Cavalcante, e dos voluntários da Arcese José Júlio e Janison Dulave.

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