A homenagem feita pela Assembleia Legislativa de Sergipe a Paulo Freire com o título de cidadão sergipano ‘póstumo’, honraria recebida pela viúva do educador, Ana Maria Araújo (Nita), foi elogiada pela deputada estadual Ana Lúcia nesta terça-feira, 6. A parlamentar destacou ainda, em seu discurso, a libertação de um grupo de jovens presos pela polícia de São Paulo por protestar contra o governo de Michel Temer e a paralisação dos bancários em todo o país.

“Setembro é um mês interessante, mês em que grandes intelectuais deram sua vida para melhorar a educação neste país, como Paulo Freire, que recebeu também homenagem do governo do Estado”, citou a deputada. Ana Lúcia disse ainda que setembro faz referência ao educador Josué de Castro, pernambucano como Paulo Freire, de Recife, que projetaram o Brasil no mundo. “Foi um grande pesquisador, suas obras eram voltadas para a questão da fome, pois era um médico, sanitarista, professor”. Se vivo, Josué de Castro teria completado 108 anos em 5 de setembro.
Segundo a deputada, Paulo Freire formou-se em direito mas não seguiu carreira, encaminhando a vida profissional para o magistério. Suas ideias pedagógicas se formaram da observação da cultura dos alunos. Em 1963, em Angicos (RN), chefiou um programa que alfabetizou 300 pessoas em um mês. No ano seguinte, o golpe militar o surpreendeu em Brasília, onde coordenava o Plano Nacional de Alfabetização do presidente João Goulart. Freire passou 70 dias na prisão antes de se exilar. Em 1968, no Chile, escreveu seu livro mais conhecido, Pedagogia do Oprimido. Também deu aulas nos Estados Unidos e na Suíça e organizou planos de alfabetização em países africanos. Com a anistia, em 1979, voltou ao Brasil, integrando-se à vida universitária.
Bancários
Ana Lúcia declarou ainda que hoje começou a paralisação dos bancários e que a categoria tem a expectativa de alcançar seus objetivos, parar o país e mostrar que a democracia é uma conquista dos brasileiros. Setembro, lembrou a parlamentar, é um mês de data-base de grandes categorias deste país e é um retrocesso coibir os movimentos. “No domingo vinte e cinco jovens foram presos pela polícia de São Paulo e a Justiça liberou. Foi uma arbitrariedade dita pelo próprio juiz que concedeu a liberdade”. Paulo Freire e Josué de Castro, destacou a parlamentar, atuaram em favor da população mais pobre e dos trabalhadores.

 

Texto: Dilson Ramos