A deputada estadual Ana Lúcia ocupou a tribuna da Assembleia Legislativa na manhã desta quinta-feira, 31, para fazer o registro de uma data muito triste para a história do Brasil: o aniversário de 52 anos do golpe civil-militar que instaurou 21 anos de ditadura em nosso país. Uma ditadura que deixou marcas no cerne da sociedade brasileira até hoje, mais de 30 anos depois da redemocratização do país.

Feito num momento de instabilidade democrática vivida no país com a iminência de um novo golpe, o registro da parlamentar teve tom de apelo em defesa da democracia. “Espero que hoje possamos virar a página da história. Golpe nunca mais! Ditadura nunca mais! Tenho certeza que a população e todos aqueles que tem compromisso com a democracia, com a liberdade de seu povo e com as causas sociais vão ocupar as ruas hoje e não vão sair mais”, apontou, convidando todos os sergipanos para o grande ato público realizado na tarde desta quinta-feira, em que a população marchará da praça General Valadão até a Orla do Bairro Industrial, onde haverá manifestação de artistas sergipanos em defesa da democracia.

O que está em disputa, explicou Ana Lúcia, é o projeto de sociedade que vem sendo implementada pelos governos petistas. “O interesse dos golpistas é o retorno do neoliberalismo e todas as perdas dos direitos conquistados ao longos dos últimos 13 anos. Nós precisamos é de democracia, precisamos de inclusão social, precisamos de liberdade e autonomia. Precisamos priorizar a educação das nossas crianças e dos nossos jovens”, defendeu.

Ricardo Lacerda

Ana Lúcia leu um artigo do professor e economista da UFS, Ricardo Lacerda, que apresenta uma profunda análise política a partir da leitura da economia em todo o período pós ditadura militar, perpassando os governos de Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma. No texto, Ricardo alerta que, no contexto atual, a oposição golpista viu nos desdobramentos da crise internacional que afetou o Brasil uma oportunidade de mobilizar suas bases e tomar o poder. “A disputa política é legítima mas o apelo à quebra da ordem democrática para chegar ao poder deve ser rechaçado para impedir que uma grande farsa institucional tome conta do país”, apontou o economista.

Em sua análise, Lacerda aponta ainda que a ampla coligação para a tomada do poder é liderada pelos derrotados nas quatro últimas eleições nacionais e, por isso mesmo, desconfia da soberania popular. “Os nomes mais proeminentes desse agrupamento mandaram às favas os escrúpulos democráticos de qualquer natureza, que se julgava que cultivassem. De outros integrantes da coligação, nada se esperava mesmo”, avaliou.

Artistas e intelectuais pela democracia

Ana Lúcia destacou que, em todo o país, intelectuais e artistas tem se engajado na luta contra a tentativa de golpe da direitra conservadora. Exemplo disso é o abaixo assinado de professores e pesquisadores universitários que já reúne mais de 500 assinaturas “denunciando ao mundo inteiro que está montado um golpe e que nós não podemos desestabilizar mais nosso país”.

A parlamentar também apresentou um vídeo produzido por artistas de vários segmentos – músicos, atores e diretores de televisão, cinema e teatro – que desmascara a parcialidade dos argumentos da direita golpista, travestidos de defesa do combate à corrupção. Os artistas disponibilizaram voluntariamente sua imagens a fim de contribuir com a luta em defesa da democracia no Brasil.

O que não pode acontecer é o que está acontecendo. Parece que o Brasil todo acha que a culpa é de um único partido, quase até de uma única pessoa” diz a apresentadora da Rede Globo Mônica Iozzi, em um trecho do vídeo. “Eu tenho muitas críticas ao Governo Dilma, mas acho que ela tem o direito de terminar o seu mandato, porque ela foi eleita democraticamente. Não tem nada que faça com que ela seja impedida nesse momento”, defende a apresentadora e diretora de cinema Marina Person, em outro trecho.

Marco Aurélio Mello chama de Golpe tentativa de impeachment

Finalizando seu pronunciamento, Ana Lúcia apresentou um vídeo em que o Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello, afirma que, caso não haja fato jurídico para justificar o impedimento, processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff pode ser considerado golpe. Para o ministro, o afastamento da presidenta não vai resolver a crise política. “Nós não teremos a solução e o afastamento das mazelas do Brasil apeando a presidenta da República. O que nós precisamos, na verdade, é de entendimento, de compreensão e de visão nacional”, argumentou.

Ana Lúcia explicou que o impeachment é previsto constitucionalmente quando há crime de responsabilidade, mas destacou que a presidente Dilma não é indiciada por nenhum crime de responsabilidade, nem responde a nenhum processo e nem nenhum inquérito. “As chamadas pedaladas fiscais são uma forma de suplementação orçamentária que os golpistas tentam caracterizar como crime de responsabilidade. Ela foi feita para atender solicitação do Ministério Público Federal, da Justiça e dos outros poderes, além dos programas sociais em negociação com os bancos públicos, com os bancos do povo”, informou Ana Lúcia. 

Acesse o texto de Ricardo Lacerda na íntegra em:

http://cenariosdesenvolvimento.blogspot.com.br/2016/03/crise-economica-e-luta-politica.html

 

Por Débora Melo, Ascom Parlamentar Dep. Ana Lúcia