Levantar uma consciência coletiva e fazer com que a sociedade entenda a necessidade da revitalização do Rio São Francisco, é com esse objetivo que a Assembleia Legislativa de Sergipe (ALESE), através da Casa do Legislativo promove em parceria com a Universidade Federal de Sergipe (UFS), e o Movimento de Mobilização da Sociedade Civil pela Revitalização do Velho Chico, a Exposição do Museu Ambiental Casa do Velho Chico. A exposição foi aberta na manhã dessa segunda-feira na Vivência Universitária, localizada no Campus de São Cristóvão.

Estiveram presentes, o presidente da Alese deputado Luciano Bispo (PMDB), os secretários do Meio Ambiente do Estado e Prefeitura de Aracaju, Olivier Chagas e Eduardo Matos, respectivamente, o Reitor da UFS Ângelo Antoniolli, o prefeito de Pedra Mole, João José de Carvalho Neto (DEM), o ativista Antonio Gois e o dono do Museu Itinerante Antonio Jackson Borges Lima, além do coordenador de Cultura e Arte da universidade professor Péricles Andrade e universitários.

Para quem defende a revitalização urgente do rio, como o ativista Antonio Gois, o debate reacende a problemática do rio que por um tempo ficou esquecida, “é como se o Rio não sofresse mais a degradação natural e a provocada pelo maior predador, o homem”. “Precisamos cobrar das autoridades que é quem tem a competência de fazer ações imediatas, como, a retiradas de todas as redes de esgotos que desaguam no rio, a interrupção das obra da transposição, reflorestamento de toda a Bacia, antes que a escassez de água se torne real e não pontual, acrescentou.

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Despertar a consciência da população, principalmente da Juventude, é outro propósito da exposição e dos debates. O alagoano, natural de Lagoa Nova, criador do Museu Itinerante Antonio Jackson Borges Lima acredita que a nova geração pode ter outra consciência do que é preservação das fontes como os rios. Ele conta que o museu surgiu por acaso, após as comemorações dos 500 anos do Velho Chico, em 4 de outubro de 2001. “De repente eu me vi cercado de objetos, todos da Bacia, que retratavam uma trajetória de idas e vindas pelo São Francisco e expus, justamente em homenagem ao rio da integração nacional e para a minha surpresa, recebemos a visita de mais de mil pessoas. A partir daí, percebi que nada mais me pertencia, passei a levar o conhecimento a outras pessoas e já fomos visitados por mais de 100 mil”, acrescentou.
Para o seu criador, o museu que completa 15 anos em outubro deste ano, tem o apelo de despertar a curiosidade de quem observa as peças e sensibilizar para a causa. Por isso ele acredita que Assembleia, através dessa abertura é um dos instrumentos importantes para viabilizar a discussão.

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O secretário do Meio Ambiente de Aracaju Eduardo Matos que representou o prefeito da capital João Alves Filho (DEM), foi enfático ao afirmar que, revitalizar o rio é a primeira e mais importante ação de qualquer que sejam as partes, governos e sociedade. ” O Rio é vital para sete estados e a situação de degradação é gravíssima. O lago de sobradinho chegou a entrar no volume morto recentemente, e se faltar água no São Francisco, isso afetará os estados, principalmente Sergipe e Alagoas. É fundamental a revitalização do rio são Francisco”, ressaltou.

O secretário do Meio Ambiente do Estado, Olivier Chagas, representou o Governador Jackson Barreto (PMDB), e lembrou que as águas superficiais do Rio São Francisco representa mais de 90% do que há de disponibilidade hídrica, qualquer ato movido pela sociedade civil, com apoio da Alese, da UFS se torna uma responsabilidade de todos.. “Um evento como esse que mostra como é o rio, leva a entender a problemática e aponta caminhos para que possamos melhor a condição de revitalização”, disse.
Reconhecendo o trabalho exaustivo de Antonio Gois, o Reitor da UFS Ângelo Antoniolli observou que para a universidade federal integrar os interesses institucionais e sociais resultou na decisão de voltar o debate em torna da situação do Rio São Francisco. Para Antoniolli, uma resposta positiva a quem nunca desistiu e manteve com vontade e cidadania a defesa do Velho Chico. “A sociedade, os ribeirinhos, o Rio, devem muito a Goisinho”, observou.

O presidente da Alese, Luciano Bispo parabenizou a Universidade Federal de Sergipe, uma instituição que tem como princípio a formação de pessoas, em apoiar a causa, tão preocupante, a morte do Velho Chico. ” A assembleia se soma ao debate para que surjam novas ideias que possam ajudar a resolver a problemática que envolve o assoreamento, o desmatamento e a transposição das águas”, concluiu, lembrando que parlamentares de outros estados que fazem parte da Bacia Hidrográfica do São Francisco estarão em Sergipe no dia 11, para a Audiência Pública na Alese, evento que encerra o ciclo de debates sobre a situação do Rio São Francisco.

Educação

A universitária do curso de geologia da UFS Fabrícia Peixoto, se disse encantada com tudo o que viu no museu. Segundo ela, os objetos, as cenas, a areia, os poemas fizeram com que ela se transportasse ao Rio que só conhece por passeios, mas nunca teve o prazer de chegar até às margens. “Muito interessante a condição de ficar perto do ambiente que é nativo do São Francisco, e muito triste saber que com o passar dos anos, tudo isso pode desaparecer’, enfatizou.

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O debate sobre o São Francisco continua na quinta-feira (10), a partir das 14 no auditório da reitoria da UFS com a realização da mesa redonda com o tema Rio São Francisco: Diagnósticos, comunicação dos riscos socioambientais e políticas públicas.

A visita ao Museu Itinerante Casa do Velho Chico é gratuita e está aberto a visitação na Vivência da UFS das 9h às 21h até a próxima sexta-feira (11).

Por Glice Rosa – Agência Alese de Notícias