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Marcos Oliveira cobra medidas para regularizar dívidas de irrigantes e defende papel das universidades

O deputado Marcos Oliveira (Republicanos) utilizou a Tribuna da Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese), na Sessão Plenária desta quinta-feira (22), para abordar duas pautas: as dificuldades financeiras enfrentadas por produtores dos perímetros irrigados do estado e a importância das universidades públicas e privadas para a formação profissional e a transformação social.

Diálogo para evitar cortes no abastecimento de água dos irrigantes

Ao tratar da situação dos produtores rurais, Marcos Oliveira fez um apelo para que o Governo do Estado dialogue com os irrigantes e com a Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse), diante do endividamento dos usuários dos perímetros irrigados. Segundo o parlamentar, cerca de 90% dos irrigantes estariam inadimplentes, principalmente em razão da dificuldade de conciliar as cobranças mensais pelo uso da água com os ciclos de produção agrícola. Ele também relatou que a Coderse havia iniciado cortes no fornecimento de água para produtores com débitos.

“Não tenha dúvida de que não é por nenhum tipo de intenção que eles querem estar inadimplentes. Cerca de 90% dos irrigantes estão inadimplentes porque não conseguem pagar as faturas de água, que são mensais”, afirmou.

O deputado destacou que diferentes culturas agrícolas exigem períodos variados entre o plantio e a colheita. Como exemplo, citou a batata-doce, cujo ciclo pode levar de quatro a cinco meses, e o coentro, que necessita de pelo menos 40 dias para ser colhido. Além das despesas com água, os produtores precisam arcar com insumos, mão de obra, utilização de tratores e outros custos da atividade.

Para Marcos Oliveira, o modelo de cobrança precisa considerar a realidade da produção rural, a fim de evitar que os custos comprometam a continuidade do trabalho dos agricultores. “Aquilo que era para ajudar o Estado, aquilo que foi pensado para ajudar o produtor, tem prejudicado de forma considerável os produtores, os irrigantes do estado de Sergipe”, declarou.

O parlamentar defendeu que o Governo do Estado reúna os responsáveis pela gestão dos perímetros irrigados e os produtores para discutir alternativas que permitam enfrentar o endividamento e evitar a interrupção do abastecimento. “Deixo aqui o meu apelo ao governador do Estado: os irrigantes não estão conseguindo pagar suas contas não é porque não querem, é porque não conseguem, porque não têm condições”, ressaltou.

Marcos Oliveira também informou que poderá apresentar, na próxima semana, um requerimento para solicitar a presença do diretor-presidente da Coderse na Assembleia Legislativa, com o objetivo de discutir o assunto e buscar encaminhamentos para a situação.

Falta de hidrômetros

Outro ponto levantado pelo deputado foi a ausência de hidrômetros nos perímetros irrigados. De acordo com ele, a falta de medição individualizada do consumo pode gerar desigualdades na cobrança, com produtores que utilizam volumes diferentes de água pagando valores que não correspondem ao consumo efetivo.

“Existe uma injustiça e a gente precisa corrigi-la, dando voz a esses irrigantes. É preciso chamar o feito à ordem e tentar resolver essa situação aqui no estado de Sergipe”, defendeu.

O parlamentar também chamou a atenção para a necessidade de investimentos na estrutura dos perímetros irrigados, com medidas que contribuam para reduzir o desperdício de água e melhorar as condições de produção. Além da região da Cajaíba, mencionada durante o pronunciamento, Marcos Oliveira citou a necessidade de atenção a outras localidades que contam com perímetros irrigados, como Tobias Barreto e Canindé de São Francisco.

Na avaliação do deputado, o enfrentamento dos problemas de infraestrutura e a revisão das dificuldades relacionadas à cobrança pelo uso da água são medidas importantes para garantir melhores condições de trabalho aos produtores rurais sergipanos.

Crítica a declarações contra instituições de ensino

Na segunda parte do pronunciamento, o deputado abordou declarações atribuídas ao deputado estadual Luizão Donatrampi (PL), que, segundo Marcos Oliveira, teria defendido o fechamento das universidades sob a alegação de que esses espaços teriam se tornado locais de consumo de drogas e ativismo.

Ao se posicionar sobre o assunto, Marcos Oliveira manifestou discordância e destacou sua trajetória como egresso da Universidade Federal de Sergipe (UFS). Para ele, a formação universitária foi determinante para sua trajetória pessoal e profissional e para sua atuação como representante da população sergipana na Assembleia Legislativa. “Eu só estou aqui na Casa do Povo Sergipano representando o povo sergipano porque tive a participação em uma universidade pública”, afirmou.

O parlamentar ressaltou que a universidade deve ser reconhecida como um espaço de formação, produção de conhecimento e oportunidades, especialmente para estudantes de famílias de trabalhadores que buscam melhores condições de vida por meio da educação. Em seu pronunciamento, Marcos Oliveira também compartilhou aspectos de sua história familiar. Ele destacou o orgulho de ser filho de um feirante que trabalhava com a venda de tecidos e produtos de cama, mesa e banho e que viu dois filhos concluírem a formação na Universidade Federal de Sergipe.

“Está aqui o meu diploma, que é motivo de muito orgulho para mim, para a história da minha família e para o meu pai, que foi para a feira livre vender pano, sem vergonha nenhuma. E teve dois filhos formados na Universidade Federal de Sergipe”, declarou.

O deputado afirmou que sua experiência pessoal reforça a importância de preservar e valorizar as instituições de ensino superior, públicas e privadas, e criticou generalizações que, em sua avaliação, contribuem para construir uma imagem negativa das universidades. “Eu acho injusto a gente politizar uma situação como a das universidades, sejam elas públicas ou privadas. Eu só tinha uma opção: ir para a universidade pública, porque não tinha dinheiro para pagar uma instituição privada”, disse.

Defesa por mais acesso ao conhecimento e à qualificação profissional

Marcos Oliveira argumentou que as universidades desempenham papel fundamental na preparação de profissionais para diferentes áreas do mercado de trabalho e para o atendimento das necessidades da sociedade. Ao citar profissões como advogado, médico, professor e veterinário, o deputado ressaltou a importância da formação acadêmica para o exercício profissional e para o desenvolvimento social e econômico.

“Pelo contrário, a gente precisa de mais faculdades, a gente precisa de mais conhecimento, a gente precisa de gente com qualificação para trabalhar na indústria”, afirmou.

O parlamentar também criticou a polarização política e defendeu o respeito à diversidade de opiniões, destacando que as divergências não devem impedir o reconhecimento da importância da educação e da formação profissional. Para ilustrar o argumento, mencionou a possibilidade de apreciar artistas de estilos musicais diferentes, como Caetano Veloso e Gusttavo Lima, questionando a ideia de que preferências distintas precisam resultar em oposição ou hostilidade entre as pessoas. “Em um país polarizado cada vez mais, a gente não precisa se odiar. A gente não precisa entender que isso é necessário para a sobrevivência”, declarou.

Ao concluir a manifestação, Marcos Oliveira reiterou seu repúdio às declarações que, em sua avaliação, desestimulam a formação universitária e reforçou a defesa da educação como instrumento de transformação social. “Não podemos eleger o conhecimento como inimigo. Isso é temerário, isso é muito ruim, isso é um absurdo e precisa ser rechaçado”, concluiu o deputado.

 

Foto: Jadilson Simões / Agência de Notícias Alese

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