Durante sessão de votação na Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese), nesta terça-feira, 26, a deputada estadual Linda Brasil (Psol) expressou a sua indignação com o projeto do Poder Executivo que visa entregar a administração do Hospital do Câncer à iniciativa privada. De acordo com a parlamentar, o projeto autoriza a concessão na modalidade administrativa por 35 anos, sem a apresentação de dados que justifiquem a concessão. Apenas Linda e mais dois parlamentares da oposição votaram contra o PL, sendo o projeto aprovado por maioria na Casa.
Linda ressalta que, depois de um investimento de mais de R$ 150 milhões para a construção do equipamento, a concessão representa um retrocesso. “É uma vergonha o governo entregar um equipamento que custou tão caro, que custou tanto desvio de dinheiro público. Esse foi um equipamento sonhado, pelo qual tantas pessoas lutaram para que se concretizasse, e agora vai ser entregue à iniciativa privada. Trata-se de um projeto de uma página, sem dar garantias, sem fazer um estudo de custos para comparar como seria se a iniciativa pública estivesse administrando e quais seriam as vantagens da iniciativa privada”, ressaltou, com indignação, a parlamentar.
Além da falta de transparência, a deputada expõe preocupação com a fragilização do controle social e a precarização dos serviços. “A gente vê o histórico e observamos as experiências em vários outros estados de que essa entrega do SUS, da saúde pública, não resolveu o problema da saúde. Ao contrário, acaba sendo prejudicada, principalmente, a qualidade do serviço, além da precarização do trabalho. Afinal, muitas dessas empresas, para ter lucro, diminuem o quantitativo de profissionais e não pagam os direitos de forma correta”, salientou.
Diretrizes Orçamentárias
Linda também criticou a retirada de importantes diretrizes do PLDO 113/2026, Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2027, encaminhado pelo Poder Executivo para a 1ª discussão na Casa. “Uma vergonha que o governo do Estado retire diretrizes que a gente já havia aprovado aqui, tanto em 2023, quanto em 2024 e 2025. É um desrespeito. Essas diretrizes que a gente conseguiu incorporar são voltadas para projetos e programas ligados aos direitos humanos, à agroecologia, à produção orgânica, ao enfrentamento à violência contra as mulheres e a várias outras. Repudio essa atitude e espero que essa Casa possa recolocar as diretrizes que a gente já tinha incluído nos anos anteriores”, declarou a parlamentar.
