A Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese) realizou, na manhã desta quinta-feira (14), por meio da Escola do Legislativo Deputado João de Seixas Dória (Elese), mais uma edição do Projeto Quintas Negras, que recebeu o historiador e especialista em religiões afro-indígenas Gabriel Ramon Lourenço. O tema debatido foi “Abolição, Racismo Institucional e Legado da Escravidão”. De acordo com o coordenador de Assuntos Culturais da Elese, Benetti Nascimento, o encontro propõe uma importante reflexão sobre os impactos históricos da escravidão na formação da sociedade brasileira, abordando questões relacionadas à desigualdade racial, ao racismo estrutural e aos desafios contemporâneos para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
“Gabriel vai nos ajudar a reescrever uma nova história sobre o 13 de maio. Quando se fala de abolição, racismo institucional e legado da escravidão, existe uma longa trajetória histórica a ser debatida. Temos a satisfação de receber alunos de uma escola de Laranjeiras, município que possui forte presença da cultura negra em sua história. Mais uma vez, conseguimos trazer esse debate para envolver estudantes das redes municipal e estadual, além de pesquisadores e historiadores como Gabriel, para que possamos, como ele mesmo destacou, construir um novo olhar sobre o que representa o 13 de maio. O Quintas Negras tem esse objetivo: contar histórias, ressignificá-las e apresentar novas perspectivas sobre temas que precisam ser debatidos de forma diferente”, ressaltou.
Para o historiador Gabriel Lourenço, que participou pela primeira vez do Projeto Quintas Negras, a iniciativa da Elese possui grande relevância. “É um projeto muito significativo. Quando você afirma e fortalece a identidade de um povo, está ajudando a contar uma nova história. Precisamos construir uma nova narrativa a partir do 13 de maio de 2026, trazendo à tona a verdadeira história e aquilo que precisa ser contado”, observou.
Sobre o tema debatido com os alunos da Escola Municipal Leonidio Leite, localizada no povoado Bom Jesus, em Laranjeiras, o especialista destacou a importância de compreender o significado histórico da abolição. “Precisamos entender que não existe celebração apenas para o dia 13, mas também reflexão sobre o dia 14 de maio e as consequências da chamada abolição. A ausência de políticas públicas, de acesso à terra, trabalho e condições dignas fez com que reflexos do período escravocrata permanecessem até hoje, por meio dos preconceitos institucionais, religiosos, raciais e do chamado racismo recreativo. Precisamos compreender que uma verdadeira abolição passa pela justiça reparatória e pelo reconhecimento da identidade de um povo que resistiu e continua resistindo. Também é fundamental valorizar o que estabelece a Lei 10.639/2003, que trata do ensino da história e cultura afro-brasileira e africana. É mostrar aos jovens a importância daqueles que fizeram e continuam fazendo história, mas que muitas vezes são silenciados”, afirmou.
Acompanhando os alunos do 6º ao 9º ano da unidade de ensino, a professora Joselita Maria dos Santos destacou a importância da experiência para os estudantes. “É importante trazer os alunos para perto dessa vivência para que eles aprendam cada vez mais. É uma experiência ímpar para eles. Ontem mesmo discutimos em sala de aula a necessidade de ressignificar o 13 de maio e compreender que aquela lei não atendeu plenamente às demandas da população negra. Na escola, eles precisam entender que o racismo ainda existe, inclusive em pequenas expressões do cotidiano, no chamado racismo recreativo. Temos trabalhado isso em sala, orientando os estudantes para que esse tipo de comportamento não continue sendo naturalizado na sociedade”, enfatizou.
A estudante Kimberlyn Simaria, de 11 anos, aluna do 7º ano e que visitou a Elese pela primeira vez, ressaltou a importância do tema debatido. “Eu acho que é um tema que deveria ser muito valorizado, porque muitas pessoas sofrem preconceito e isso afeta o psicológico. Também acho a cultura negra muito bonita e especial. Se hoje estamos aqui, foi graças aos nossos antepassados, que sofreram muito”, declarou.
Fotos: Jadilson Simões/Agência de Notícias Alese






