A deputada estadual Dra. Lidiane Lucena utilizou a tribuna da Assembleia Legislativa de Sergipe, nesta quarta-feira (26), para alertar sobre a gravidade da sequência de casos de feminicídio registrada no estado na última semana e reforçar a necessidade de fortalecer o enfrentamento à violência contra a mulher.
Durante o pronunciamento, a parlamentar destacou a gravidade dos crimes recentes e o impacto dessas mortes. “Sergipe se depara com quatro casos de feminicídio em menos de uma semana. São vidas interrompidas de forma brutal, que não podem ser reduzidas a números”, afirmou.
Ao contextualizar o cenário, Lidiane apresentou dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que apontam o registro de 1.518 feminicídios no Brasil em 2025, o equivalente a cerca de quatro mortes por dia. Em Sergipe, os casos passaram de 10 em 2024 para 15 em 2025, interrompendo uma trajetória de redução.
A deputada também chamou atenção para um dado que evidencia as dificuldades de acesso à proteção: das 15 mulheres vítimas de feminicídio em Sergipe em 2025, apenas duas haviam solicitado medida protetiva antes do crime. “Isso mostra que, em muitos casos, o silêncio ainda antecede a violência mais extrema”, pontuou.
Durante a fala, Lidiane Lucena ressaltou que o feminicídio representa o estágio final de um ciclo de violência que se inicia de forma gradual e silenciosa. “Antes do extremo, existem sinais que não podem ser ignorados: a violência psicológica, as humilhações, o controle, o isolamento”, disse.
A parlamentar acrescentou que outras formas de violência também integram esse ciclo, como a agressão física, a violência patrimonial e a restrição da liberdade, fatores que contribuem para o agravamento das situações e dificultam o rompimento por parte das vítimas.
Lidiane destacou ainda que a violência contra a mulher não pode ser tratada como um problema privado. “Ela atravessa famílias inteiras, atinge filhos, familiares, comunidades e deixa marcas emocionais, sociais e econômicas que não se apagam”, afirmou.
Para a deputada, o enfrentamento dessa realidade exige uma atuação mais ampla e integrada. “Enfrentar essa realidade exige mais do que leis. Exige políticas públicas eficazes, sim, mas exige, sobretudo, o envolvimento de toda a sociedade para que não se normalize a violência contra a mulher em nenhuma hipótese”, declarou.
Ao final, Lidiane Lucena reforçou a importância da prevenção e fez um apelo direto. “Não podemos mais aceitar isso. Nenhuma mulher deve viver com medo. Nenhuma mulher deve perder a vida apenas por ser mulher. Precisamos orientar melhor as nossas crianças, conversar com nossos familiares e enfrentar a violência como um problema estrutural. A violência não nasce pronta, ela é aprendida e, por isso mesmo, pode e precisa ser interrompida”, concluiu.
