O deputado Paulo Júnior (PV) lamentou na Sessão Plenária, desta quarta-feira (25), na Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese), o registro de quatro casos de feminicídio em Aracaju e no interior. O parlamentar solicitou celeridade em votar um projeto de lei de sua autoria para a implantação das chamadas Tendas Violetas, destinadas a realizar um trabalho de proteção às mulheres em eventos de grande porte.
“Sergipe registrou quatro feminicídos nos municípios de Aracaju, Capela e Propriá. Vidas perdidas, histórias interrompidas e famílias destruídas. Também foram registrados casos de agressões contra mulheres nos municípios de São Cristóvão e Itabaiana. Isso não pode ser tratado apenas como números para estatísticas, pois é uma realidade; uma falha de política pública e responsabilidade do estado brasileiro e da nossa sociedade”, afirma.
Paulo Júnior ressaltou que, quando uma mulher é assassinada por ser mulher, não é apenas um crime.
“É um colapso estrutural de educação e de segurança. Os dados da Secretaria de Segurança Pública de Sergipe (SSP), mostram um problema estrutural e recorrente: em 2024 foram registrados dez feminicídios, em 2025, 15 casos e este ano já foram registrados cinco até agora. Antes do feminicídio existe um ciclo de violência. Em 2025, segundo dados da SSP, foram registrados 4.494 casos de ameaça; 1.126 medidas protetivas e 2.612 registros de lesões corporais”, informa.
Tendas
O deputado enfatizou que são números preocupantes, que precisam ser combatidos com ações de conscientização dos homens e com penas mais severas.
“Março é um mês dedicado à mulher e eu peço que a Mesa Diretora desta Casa coloque em apreciação e votação, um projeto de lei de nossa autoria, que trata da implementação das tendas violetas em eventos públicos. É mais uma medida para contribuir com a conscientização. O feminicídio não começa com o crime final; começa na primeira violência que é silenciada”, alerta.
Paulo Júnior disse ainda que, pelos números de violência contra a mulher, registrados no país, pode chegar à conclusão de que o Estado e a Justiça estão chegando tarde demais.
“Por isso, precisamos de prevenção, de proteção efetiva, de resposta rápida e uma punição com mais rigor, imposta pelo nosso Estado. Segurança Pública não pode ser somente uma reação; precisa ser antecipação para proteger acima de tudo. O nosso projeto das Tendas Violetas consiste na colocação de tendas em eventos culturais, festivos e de lazer, destinadas à prevenção de abuso, importunação e abuso sexual, bem como promover o acolhimento das vítimas. A ideia é que o projeto seja desenvolvido de forma integrado com as Secretaria de Justiça e Defesa do Consumidor; de Segurança Pública; Especial da Mulher e a Secretaria de Assistência Social e Cidadania”, explica lembrando que o PL foi protocolado em 2023, mais uma norma legislativa que pode dar amparo às mulheres nos eventos de grande porte.
Foto: Jadilson Simões/Agência de Notícias Alese
