Por Aldaci de Souza – Rede Alese

 O Turismo Pós-pandemia foi discutido no plenário da Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese), nesta quarta-feira, 12, pelo secretário de Estado de Turismo, José Sales Neto. A explanação atendeu ao requerimento do deputado Capitão Samuel (PSC), com o objetivo de debater a geração de emprego e renda no setor.

Ele ressaltou que o turismo local é o que vai reagir primeiro, seguido pelo regional, o nacional e por último o internacional. O gestor informou que a Setur vem desenvolvendo ações de planejamento visando o crescimento do turismo estadual e anunciou novos vôos para o Aeroporto de Aracaju.

Na explanação, o secretário informou que o turismo em Sergipe é majoritariamente regional, quanto aos estados do Nordeste e nacional, principalmente com turistas do Rio de Janeiro e de São Paulo.

“Pelo ranking, os estados nordestinos que mais mandam turistas para Sergipe, são Bahia e Alagoas. Diferente do que algumas pessoas pensam, os sergipanos viajam sim dentro do estado. Nesse primeiro momento de retomada da economia, pretendemos fazer um trabalho de conscientização para incentivar ainda mais o turismo local; fazendo com que o sergipano de Canindé do São Francisco visite Estância; o sergipano de Brejo Grande vá a Itabaiana; que o sergipano de Laranjeiras visite a Feira da Coruja em Tobias Barreto”, ressalta.

Pesquisa

Sales Neto apresentou uma pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas, mostrando que o povo acolhedor, a qualidade dos atrativos e da infraestrutura turística, cativam o público que visita Sergipe. “Cerca de 98% dos turistas que visitaram o nosso estado disseram que as suas expectativas foram atendidas e superadas; e que recomendam Sergipe para amigos e parentes. Isso significa que nós temos um excelente produto turístico nas mãos, um produto bom”, entende.

O secretário acrescentou que o turismo em Sergipe é responsável pela geração de mais de 7 mil empregos e a partição de 3.2 do Produto Interno Bruto (PIB). “Isso significa 1.2 bilhão de reais que o turismo movimenta na nossa economia por ano. É um recurso significativo; uma atividade econômica geradora de empregos, que precisa ter um olhar especial para essa atividade”, acredita.

Antes da pandemia

Ainda na explanação da tribuna da Alese, Sales Neto afirmou que antes da pandemia do novo coronavírus, o setor passava por um momento de ascenção.

“O governador Belivaldo Chagas foi à São Paulo discutir com as companhias aéreas a questão da diminuição do ICMS do querosene da viação, que é de 18%, mas se as companhias colocassem novos vôos, cairia para 5% e isso gerou um nível de competividade muito grande. Em novembro de 2019, saímos de 92 mil, 518 passageiros no Aeroporto de Aracaju para 98, 137; um aumento de 6.7% e em dezembro, saímos de 106 mil passageiros para 110 mil e em janeiro de 2020, tivemos 124 mil 533 turistas no nosso aeroporto, fruto do acordo feito pelo governador com as companhias aéreas”, comemora.

Ele explicou que foi feito um convenio com a operadora CVC com a ABAV, em São Paulo (maior evento de turismo da América Latina).

“Em parceria com a ABIH local e com a Prefeitura de Aracaju, nós assinamos um acordo com a CVC para que nos colocasse na prateleira de vendas de pacotes turísticos. A CVC enviou em 2019, um milhão de turistas para o Ceará, 800 mil turistas para Alagoas e para Sergipe, 100 mil turistas. Isso porque esses estados fizeram acordos operacionais, aonde entraram com recursos para fazer mídias compartilhadas e campanhas conjuntas. O turismo não acontece por osmose; faltam promoções e divulgação do nosso estado lá fora”, reitera.

Vôos

Sales lembrou que, com a pandemia, em abril a população ficou com apenas um vôo para São Paulo e às quartas-feiras, o aeroporto estava fechado.

“Nos outros dias tinha um vôo só para São Paulo, em maio, conseguimos que esse vôo fosse diário, voltando a funcionar às quartas-feiras. Em junho, além do vôo para São Paulo, nós conseguimos um vôo para o Rio de Janeiro; em julho conseguimos que a Azul voltasse a operar aqui após três meses sem trabalhar em Sergipe, voltando e colocando um vôo diário para Recife. E agora em agosto, tivemos vôos para São Paulo, Rio de Janeiro, Recife; vai entrar o de Brasília pela Gol e a Latan, além de Salvador pela Passaredo e estaremos de volta com o vôo para Campinas”, anuncia.

Impacto Econômico

O secretário destacou ainda uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de Sergipe (UFS), sobre o impacto econômico em Sergipe, em virtude da economia.

“A pesquisa foi feita em 76 empreendimentos turísticos de Aracaju e desses, 57.8 tiveram o seu faturamento reduzido, entre 76 a 99% em redução de faturamento. Isso é muito grave e 48% acredita que a recuperação do faturamento só ocorrerá ano que vem; 405 colaboradores foram demitidos no setor de turismo, sendo que 77% foram no setor de hotelaria e 47% dos hotéis tiveram as suas reservas canceladas em 100%”, lamenta acrescentando que apenas 30% dos hotéis retornaram.

Retomada

Sales Neto mostrou uma pesquisa realizada pela Conrotas, sobre a retomada do setor turístico após a pandemia.

“A consultoria nos diz que na retomada, 26,8% das intensões dos viajantes, o Nordeste aparece como o turismo mais desejado no Brasil, ou seja, ¼ dos brasileiros que querem viajar após a pandemia,  quer vir para o Nordeste e isso é uma janela de oportunidades para nós”, afirma ressaltando que serão feitas em Sergipe caravanas em parceria com o Sebrae, com o trade turístico, visitando municípios baianos, pernambucanos e paraibanos, que possuem agências de viagens, para que quem possui receptivos em Sergipe, possam negociar excursões e tarifas para trazer esse público.

Protocolos

Na explanação do secretário, foram destacados os protocolos de biossegurança, mediante discussão feita junto ao Ministério do Turismo. “Somos gratos ao Ministério do Turismo por ter puxado essa discussão com todos os secretários de turismo do Brasil e alertou sobre a importância desses protocolos de biossegurança, pois ninguém vai sair de casa sem saber as condições dos hotéis, das vans, dos barcos. Foi feito um selo único para hotéis, restaurantes, receptivos, embarcações; são 14 itens visando dar segurança aos turistas”, informa.

Setur

Sales deixou claro que mesmo com a pandemia, os trabalhos não pararam na Secretaria de Estado do Turismo. “Nós diminuímos o ritmo por termos pessoas na equipe que são do grupo de risco, mas a gente tem trabalhado muito, aproveitando esse momento para planejar o futuro, pois não estamos podendo ter o turista aqui agora, mas vamos poder ter e se a gente não começar trabalhar de agora ele não vai chegar”, diz.

Entre as ações da Setur, ele citou o planejamento colaborativo, demonstrando a importância da integração entre os setores público, privado e terceiro setor. Tenho conversado com o trade e dito que sem a nossa união, não chegaremos a lugar nenhum. Precisamos olhar pra frente e não para o retrovisor. É preciso que cada um faça a sua parte para as coisas acontecerem”, alerta afirmando que vem fazendo reuniões com o Fortur, HBIH, Sebrae, Abrasel e as principais operadoras de turismo do país, além de treinamentos virtuais com guias turísticos, mostrando as belezas naturais de Sergipe.

Ao final, os deputados elogiaram as ações desenvolvidas pela Secretaria de Turismo, fizeram perguntas ao secretário e apresentaram sugestões para a melhoria do turismo no estado.

Foto: Júnior Ventura – Rede Alese