A Assembleia Legislativa do Estado de Sergipe (Alese), por meio da Escola do Legislativo (Elese) Deputado João de Seixas Dória, realizou nesta quinta-feira (18) mais uma edição do projeto “Quintas Negras”. O tema desta edição, “Pensamento e Empoderamento das Mulheres Negras”, reforça a proposta do projeto de promover o debate sobre igualdade racial, representatividade e valorização da diversidade. A ação reuniu cerca de 50 estudantes da Escola Municipal de Ensino Fundamental Professora Izidória Mendes Cruz, do município de São Cristóvão, para um debate sobre o pensamento e o empoderamento das mulheres negras na sociedade brasileira.
A iniciativa teve como objetivo promover reflexões sobre igualdade racial, representatividade, combate ao preconceito e valorização da contribuição histórica e social das mulheres negras, fortalecendo a formação cidadã dos estudantes. O coordenador de Assuntos Culturais da Escola do Legislativo, Beneti Nascimento, ressaltou o papel da educação no enfrentamento ao racismo. “O preconceito não nasce com as pessoas; ele é aprendido. Por isso, a escola tem um papel fundamental na formação de valores e no desenvolvimento do respeito às diferenças. Trazer esse debate para crianças e adolescentes é investir em uma sociedade mais justa e consciente”, destacou.
Ele também ressaltou que o projeto busca aproximar os estudantes de temas relevantes para a construção da cidadania. “Hoje, discutimos o pensamento e o empoderamento das mulheres negras para que esses jovens compreendam a importância do protagonismo feminino e possam refletir sobre suas atitudes e comportamentos dentro da sociedade”, disse.
O pedagogo Marcos Batinga também destacou a importância de abordar temas relacionados à igualdade racial desde os primeiros anos da vida escolar. “Trabalhar o empoderamento das mulheres negras e o combate ao racismo no ambiente escolar é fundamental para a formação de cidadãos mais conscientes, críticos e respeitosos. As crianças precisam compreender, desde cedo, a importância da diversidade e do respeito às diferenças para que possamos construir uma sociedade mais justa e igualitária. Quando a escola promove esse diálogo, ela contribui diretamente para a redução do preconceito e para o fortalecimento da cidadania”, afirmou.
Para o pedagogo, iniciativas como o Quintas Negras ampliam o conhecimento dos estudantes e fortalecem valores essenciais para a convivência social. “São momentos de aprendizado que ultrapassam a sala de aula. Os alunos passam a refletir sobre questões que fazem parte da realidade brasileira e entendem que todos têm um papel importante na promoção do respeito, da inclusão e da valorização da diversidade”, acrescentou.
A palestrante Maria Aparecida Lopes (Nina) destacou a importância do reconhecimento da identidade e do fortalecimento da autoestima por meio da arte e da representatividade. “Eu acho que é importante no reconhecimento da própria identidade e na construção de uma autoestima, porque eles veem seu semelhante fazendo arte e o empoderamento da mulher negra. A arte como via de expressão é um reconhecimento da mulher na história. As mulheres também contribuem dentro do hip hop. É preciso lutar contra o apagamento histórico e garantir o protagonismo das mulheres também no movimento”, afirmou.
A pesquisadora e palestrante Brenda Figueroa destacou a importância de abordar o tema desde a educação básica. “É fundamental que os estudantes compreendam a importância das mulheres negras na formação da sociedade brasileira. Produzimos conhecimento, ocupamos espaços e precisamos ser celebradas durante todo o ano. Em uma era marcada pela disseminação de discursos de ódio, preconceito e fake news, ações como esta contribuem para a construção de uma sociedade mais consciente e igualitária”, afirmou.
Para ela, o empoderamento vai além da autoestima individual. “Quando uma mulher negra ocupa um espaço de destaque, ela inspira outras mulheres a acreditarem que também são capazes. O empoderamento é uma construção coletiva e uma ferramenta de transformação social”, acrescentou.
Durante a programação, também foram abordadas manifestações culturais e artísticas como instrumentos de valorização da identidade negra. Entre os participantes estava a estudante Cicera Evellyn da Silva, de nove anos, aluna do 5º ano da Escola Municipal Izidória Mendes Cruz. Ela afirmou que o encontro proporcionou novos aprendizados. “Eu sempre quis aprender mais sobre esse assunto. É importante para que as pessoas entendam que não devem ter preconceito com as mulheres negras e respeitem todas as pessoas”, declarou.
Fotos: Arthur D’Avila/Agência de Notícias Alese










