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Linda Brasil demonstra preocupação com aprovação de Projeto de Lei Complementar que cria novo fundo de capitalização em Sergipe

Na Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese), durante sessão de votação nesta quinta-feira, 19, a deputada Linda Brasil (Psol) manifestou seu voto contrário ao Projeto de Lei Complementar nº 01/2026, enviado pelo Poder Executivo de Sergipe, que propõe a segregação de massa dos servidores públicos ativos, aposentados e pensionistas. A proposta teve como justificativa o equilíbrio financeiro do Regime Próprio de Previdência Social do Estado (RPPS/SE).

A parlamentar critica a falta de diálogo com as categorias e os riscos envolvendo a criação de um novo Fundo de Capitalização, sem garantias para o fundo anterior, onde permanecerá a maior parte dos servidores. “Mais uma vez, o Governo do Estado desrespeita esta Casa, encaminhando um projeto tão importante sem que haja diálogo com as categorias e sem tempo hábil para uma análise mais aprofundada”, lamentou.

Além disso, o projeto de lei, que impacta a vida das servidoras e dos servidores públicos, foi aprovado sem a apresentação de estudos técnicos. “É inadmissível. Como votar em algo sem acesso aos estudos que fundamentam a proposta?”, questionou.

Para ela, mesmo que a medida esteja relacionada ao cumprimento de legislação federal, isso não justificaria a tramitação acelerada. “Sabemos que esse modelo não deu certo anteriormente. Infelizmente, essa aprovação permite a criação de um Fundo de Capitalização em um momento em que vemos as polêmicas da relação desses fundos com bancos e instituições financeiras, que usam o dinheiro de servidoras e servidores públicos de forma incorreta, gerando prejuízo para tantas pessoas”, considerou a deputada.

Segundo Linda, foram identificados alguns dispositivos que podem impactar o novo fundo previdenciário, já que o Governo de Sergipe mantém o Finaprev, que já existe. “Essa criação acaba trazendo algumas questões que podem provocar prejuízos à previdência no nosso estado”, indicou.

De acordo com a parlamentar, no artigo 8º, o projeto estabelece que o governo pode autorizar a transferência para o novo fundo não apenas de dinheiro, mas de um verdadeiro baú de ativos, como imóveis, ações de empresas, créditos de carbono e também um item descrito como “outros bens e direitos”, uma seção descrita por ela como “genérica e muito vaga, que não representa qualquer garantia para a manutenção do fundo”.

Também fica autorizado ao Sergipe Previdência a contratação de instituições financeiras para estruturar e administrar fundos de investimentos com esses bens. “Passamos por um momento difícil em relação a esses fundos de capitalização, em que alguns fundos, como Amazonprev, Amprev e Rioprevidência, por causa desse tipo de autorização, acabaram tendo um déficit muito alto com o escândalo do banco Master”, alertou.

Categorias

Linda expõe questionamentos das categorias, como do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde (Sintasa) e também do Sindicato dos Médicos ( Sindimed). Entre essas questões estão a ausência de garantias expressas com relação à preservação dos direitos adquiridos e à não penalização dos trabalhadores; a necessidade de maior transparência dos estudos atuariais, assegurando transparência em relação aos impactos reais da proposta no curto, médio e longo prazo; bem como o risco de adoção futura de medidas de ajuste, com o aumento de alíquotas previdenciárias e restrições indiretas aos direitos dos servidores, assim como a possível pressão sobre o Tesouro Estadual, especialmente com a concentração de aposentados e pensionistas no fundo de repartição.

CNH sem gratuidade

Durante a mesma sessão, a deputada também declarou voto contrário a uma proposta relacionada à Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Segundo ela, o governo estadual descumpre diretrizes ao propor apenas a redução de custos, em vez da gratuidade prevista em medida provisória. “Mais uma vez, há desrespeito às decisões e alternativas que poderiam beneficiar a população de forma mais ampla, beneficiando centenas de condutores que têm condições de pagar pelo documento”, afirmou.

Observamos que, na tabela apresentada, há apenas um desconto de R$ 80,00 em alguns serviços. Isso não garante a gratuidade anunciada, apesar do argumento de déficit a partir da isenção. “Essa questão deveria ter sido articulada com o Governo Federal, de maneira a respeitar o que foi instituído. Sem isso, o Governo do Estado engana a população ao informar sobre um benefício, quando, na verdade, deveria ocorrer a gratuidade”, comentou.

A Medida Provisória nº 1.327/2025 determinou que a renovação para bons condutores seria automática e também sem custo, o que não corresponde ao que foi aprovado na Alese, que representa apenas uma redução do valor.

 
Foto: Jadilson Simões – Agência de Notícias Alese

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