Linda Brasil reforçou que o feminicídio não pode ser tratado como um ato isolado. Para ela, os crimes são resultado de uma estrutura social marcada pelo machismo e pelo controle sobre a vida das mulheres. “É uma violência estrutural. Eu, como mestra em Educação, acredito que essa situação complexa precisa de ações integradas para proteger, mas, especialmente, para prevenir, a partir de ações que promovam uma mudança cultural no comportamento das pessoas, com educação e conscientização”, declarou.
Além disso, a deputada reflete que há falhas na proteção institucional, considerando denúncias sobre medidas protetivas que não são cumpridas. “As medidas existem, mas muitas vezes não são suficientes para proteger quem mais precisa. Infelizmente, há morosidade no nosso país”, avaliou.
A parlamentar, que já apresentou mais de 30 proposituras voltadas à proteção e valorização das mulheres, das quais oito leis já sancionadas e mais 22 projetos de lei aguardando votação, reforça a necessidade de comprometimento do Governo do Estado para a execução das ações. “Não adianta a gente criar leis e o Governo do Estado colocar empecilhos para efetivar”, avaliou Linda Brasil.
Prevenção
Ainda durante seu pronunciamento, Linda Brasil também destacou a importância da Lei 9.802/2025, de sua autoria, que institui uma campanha permanente de combate ao machismo e valorização do protagonismo das mulheres na rede pública estadual.
A proposta busca promover educação em direitos humanos, incentivar o debate sobre violência de gênero e interseccionalidade, além de estimular a formação de estudantes e professores mais conscientes. “Vivemos em um país estruturalmente machista, assim como racista. A gente só vai mudar algo se reconhecer”, afirmou.
Linda também cobra atenção aos movimentos de disseminação de ódio e misoginia nas redes sociais, como o movimento red pill, que, para a parlamentar, deve ser contido urgentemente. “As redes sociais são ambientes em que, hoje, jovens são ensinados a reagir de forma violenta às decisões das mulheres. É terrível que não haja uma legislação para punir e controlar esse tipo de conteúdo com discurso de ódio contra as mulheres e grupos vulnerabilizados. Por isso, fiz um apelo ao Congresso Nacional para que haja uma legislação mais dura para controlar esse tipo de discurso que está, infelizmente, estimulando esse tipo de comportamento violento”, salientou.
