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Kitty Lima repudia fala de deputada eleita por São Paulo sobre o feminicídio

Durante Sessão Plenária da Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese) nesta quarta-feira, 14, a deputada Kitty Lima (PSB) repudiou a fala da deputada eleita por São Paulo, Eduarda Campopiano (PL), sobre o feminicídio.

“A deputada Eduarda Campopiano questionou a existência do feminicídio. Eu não estou entendendo em que mundo a gente está. A gente torce tanto para que mulheres ocupem seus espaços e quando chega lá, presta um desserviço desse. Ela como mulher questionar se existe feminicídio”, lamenta.

A parlamentar lamentou ainda que a deputada eleita por São Paulo teria comentado que a vida dos animais não é importante. “As duas pautas que mexem com o meu coração: a proteção das mulheres e dos animais; e essa deputada eleita vem questionar. São declarações que causam sim a todos nós indignação, pois existe uma diferença enorme entre discordar de ideias e negar realidades que custam vidas. Como se não bastasse, ela afirmou que os animais possuem uma vida de menor valor que os seres humanos. A gente precisa repudiar isso aqui. É raro eu ter o sentimento de nojo; de olhar para pessoa e querer vomitar, mas estou com esse sentimento com essa mulher”, diz.

Kitty Lima acrescentou que ao questionar a existência do feminicídio, Eduarda Campopiano teria argumentado que, quando o homem mata sua companheira, estaria diante de um homicídio. “E não necessariamente de um feminicídio; o exemplo que ela deu foi justamente esse: está com ciúmes, matou a minha companheira e cometeu um homicídio. Quando o homem acredita que tem direito de tirar a vida da companheira, o crime é de feminicídio e essa situação de vulnerabilidade da mulher não pode ser minimizada. O feminicídio não é invenção ideológica, mas uma realidade reconhecida pela Lei Federal nº 14 994/2024 que tornou esse crime autônomo, com pena de 20 a 40 anos de reclusão”, observa lembrando, que enquanto as pessoas questionam a existência do feminicídio, várias mulheres continuam seno assassinadas.

A parlamentar ressaltou que no último dia 8 de outubro em Sergipe, uma mulher foi morta a facadas no município de Gracho Cardoso e o caso vem sendo investigado como feminicídio. “Em setembro, outra mulher foi assassinada em Estância, tendo seu companheiro apontado como suspeito e somente nesse mês de outubro, nós tivemos registros de tentativa de feminicídio em Japaratuba e Carira. Essas mulheres não são personagens de uma disputa ideológica: são vidas, famílias, histórias brutalmente interrompidas e marcadas por violência; além de filhos que não têm suas mães por perto. Ninguém precisa se declarar feminista para reconhecer o feminicídio e o enfrentamento à violência contra a mulher não deveria depender de uma identidade ideológica, mas de um compromisso mínimo com os fatos, com a justiça e com a vida”, afirma.

Foto: Jadilson Simões/Agência de Notícias Alese

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