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Fevereiro Roxo e Laranja: campanha amplia a visibilidade para doenças crônicas e reforça luta por direitos em Sergipe

O mês de fevereiro ganha cor e significado em Sergipe com a campanha “Fevereiro Roxo e Laranja”, que chama atenção para doenças crônicas e graves como a fibromialgia, lúpus, Alzheimer e leucemia. Instituída a partir da Lei nº 9.652/2025, de autoria da deputada estadual Linda Brasil (Psol), a iniciativa busca promover conscientização e fortalecer políticas públicas voltadas ao cuidado das pessoas que convivem com essas condições.

O tema foi pautado pela parlamentar, durante  a sessão plenária da última quarta feira (4), na Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese), que apresentou um vídeo no qual representantes dos movimentos sociais e pessoas diagnosticadas com fibromialgia compartilharam vivências marcadas por dor, invisibilidade e dificuldades de acesso a direitos básicos. Os depoimentos reforçam a importância de uma campanha que vá além do simbolismo e se consolide como política permanente de conscientização e inclusão.

Segundo Linda Brasil a campanha foi construída em diálogo com esses movimentos sociais e entidades das áreas de educação e saúde, defendendo que o espaço escolar é estratégico para enfrentar o preconceito e disseminar informação qualificada. “É uma campanha que merece espaço nas escolas para combater o preconceito e promover a informação, com foco na importância do diagnóstico precoce, para que se viabilizem, o quanto antes, tratamentos que melhorem a qualidade de vida das pessoas”, reforçou.

Representante do Movimento Fibromialgia Dor Crônica de Sergipe, Flávia Suelane Pereira, fez um relato contundente sobre o impacto da doença na vida das mulheres, maioria entre as pessoas diagnosticadas. “O fevereiro roxo não é uma campanha simbólica, ele chama para conscientização, inclusão e respeito. A fibromialgia faz parte de um conjunto de doenças crônicas que ainda são muito invisibilizadas”, afirmou.

Diagnosticada há 13 anos, Flávia relatou como a condição impõe limitações físicas e sociais. “A sociedade nos coloca no lugar daquela que faz, que produz, que precisa ser mãe. A fibromialgia nos tira desse lugar e a gente passa a não existir mais dessa forma”, disse. Para ela, o acolhimento é fundamental: “A dor, mesmo não sendo sua, não precisa ser julgada nem contestada.Ela precisa ser acolhida”.

Deborah Bomfim, que também convive com fibromialgia, destacou as limitações impostas pela doença e o preconceito cotidiano. “Convivo com dor todos os dias, com descrédito e com a impossibilidade de fazer coisas simples, como praticar esportes. Hoje, atuo com a fibromialgia a favor de um coletivo”, afirmou.

Já Elisangela Lopes chamou atenção para a dificuldade de acesso a direitos garantidos em lei. “Falta conhecimento, respeito e visibilidade, tanto na rede pública quanto na privada. Acham que a gente não quer trabalhar, que só quer benefício social. A lei está no papel, mas não chega até a gente. Falta medicação na rede pública e dignidade no atendimento”, denunciou.

A deputada reforçou a necessidade de transformar campanhas de conscientização em ações permanentes do Estado. “Devemos lutar por políticas públicas comprometidas que atendam as demandas do cuidado de quem sofre com Alzheimer, lúpus, leucemia e fibromialgia. O cuidado passa pela informação, mas também pelo fortalecimento do SUS e das políticas públicas de saúde”, destacou.

Linda também expressou seu apoio aos movimentos sociais que, durante o mês de fevereiro, intensificam a mobilização por direitos. “Seguiremos trabalhando para que essas campanhas não fiquem restritas ao calendário, mas façam parte da proteção permanente de todos os sergipanos e sergipanas”, afirmou.

Avanços 

Linda Brasil é autora da Lei nº 9.293/2023, que classifica a fibromialgia como deficiência para todos os fins legais em Sergipe. A legislação garante às pessoas diagnosticadas os mesmos direitos assegurados às pessoas com deficiência (PcD), facilitando o acesso a tratamentos, benefícios e políticas de inclusão no estado.

No cenário nacional, um novo avanço entrou em vigor, em janeiro deste ano, da Lei nº 15.176/2025, que oficializa a fibromialgia como condição passível de enquadramento como deficiência em todo o Brasil. A norma amplia o reconhecimento social da dor crônica e assegura direitos como benefícios previdenciários e assistenciais, cotas em concursos públicos, isenções fiscais e políticas de acessibilidade.

Para os movimentos sociais, o desafio agora é garantir que essas conquistas legais se traduzam em práticas efetivas. “A gente sabe que já existem algumas políticas públicas, mas muitas vezes, por falta de uma rede estruturada, direitos acabam sendo negados”, concluiu Linda.

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