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Deputada Linda Brasil propõe criação de Centro Especializado para Mulheres em Situação de Rua em Aracaju

Indicação apresentada na Alese se baseia em dados do Censo da População em Situação de Rua de 2024 e aponta vulnerabilidades específicas enfrentadas por mulheres.

A deputada estadual Linda Brasil (Psol) protocolou uma indicação solicitando à Prefeitura de Aracaju a criação de um Centro Especializado para Mulheres em Situação de Rua e suas Diversidades. A proposta foi apresentada durante pronunciamento na Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese), na última quinta-feira (12), e busca garantir acolhimento e dignidade por meio de políticas públicas específicas para mulheres cis, mulheres trans e pessoas não binárias que vivem nas ruas.

De acordo com a parlamentar, o equipamento deverá oferecer acolhimento seguro, acesso à saúde integral, com atenção à saúde sexual e reprodutiva, garantia de higiene e cuidado, além de articulação com políticas de assistência social, justiça, habitação e promoção de autonomia.

Para a deputada, a criação de um centro especializado é necessária, pois os equipamentos públicos, atualmente, não contemplam plenamente as especificidades de gênero da população em situação de rua.

“As mulheres são afetadas por algumas das formas mais graves de violência e violações de direitos. Criar um equipamento específico é investir em política pública de proteção para essas mulheres”, destacou.

Censo da População em Situação de Rua

Segundo Linda Brasil, a proposta é fundamentada em dados do Censo da População em Situação de Rua de Aracaju, realizado em 2024, com recursos de emenda parlamentar da sua mandata, quando atuava como vereadora, e recentemente publicado em versão impressa.

O levantamento identificou 623 pessoas vivendo em situação de rua na capital, sendo que 16% são mulheres. A deputada destacou que elas estão entre as pessoas mais expostas a violações de direitos. “São minoria numérica, mas maioria quando falamos da violação dos seus direitos, do ciclo de violência e da exposição cotidiana a riscos extremos. Ser minoria nas ruas não significa estar menos vulnerável, significa estar mais invisibilizada”, afirmou.

De acordo com o censo, muitas mulheres em situação de rua possuem trajetórias marcadas por violência doméstica e familiar, violência sexual e outras formas de agressão, vivenciadas tanto antes quanto durante a experiência de viver nas ruas.

Desafios

Entre os desafios identificados está o acesso irregular aos serviços de saúde, especialmente à atenção básica e a atendimentos especializados, o que agrava as condições de vulnerabilidade dessas pessoas.

Além disso, outro problema identificado foi a dificuldade de acesso a itens de higiene menstrual. Mulheres cis e homens trans relataram a falta de absorventes, recorrendo muitas vezes ao uso de panos ou improvisações, o que impacta diretamente a saúde, a dignidade e a permanência segura no espaço urbano.

 
Imagem: Ascom

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